Uma multidão ocupou as ruas do centro histórico de Belém neste domingo (5) para acompanhar o último Arrastão do Pavulagem da quadra junina de 2026. Em meio a chapéus de palha, fitas coloridas, música e dança, mais de 1,5 mil brincantes participaram da celebração que marcou o encerramento da temporada junina do Arraial do Pavulagem.
Neste ano, o cortejo teve como tema "Bandeira de Guarnição", destacando a importância da preservação dos saberes e fazeres tradicionais da Amazônia e a transmissão desse patrimônio cultural entre diferentes gerações. A programação foi encerrada na Praça Waldemar Henrique, com apresentação da banda Arraial do Pavulagem e participações especiais do guitarrista Felipe Cordeiro e do grupo Sancari de Carimbó.
CONTEÚDOS RELACIONADOS:
- Arrastão do Pavulagem encerra quadra junina neste domingo
- 2º Arrastão do Pavulagem anima domingo em Belém
Um dos momentos mais simbólicos do evento foi a tradicional derrubada dos Mastros de São João, ritual que marca oficialmente o encerramento da quadra junina do Arraial do Pavulagem. Para o músico e cofundador do movimento, Júnior Soares, a celebração reforça a essência do projeto cultural, que há quase quatro décadas promove encontros e fortalece a identidade cultural amazônica.
"Concluir a quadra junina com esses encontros reforça aquilo que move o Arraial do Pavulagem há quase quatro décadas: a cultura como espaço de troca, identidade e pertencimento. Cada pessoa que vem ao Arrastão traz uma história, uma vivência e uma forma de manter viva essa grande corrente da nossa cultura", afirmou.
Quer mais notícias do Pará? Acesse nosso canal no WhatsApp
Também cofundador do Arraial do Pavulagem, Ronaldo Silva destacou a emoção de encerrar mais um ciclo e ressaltou a importância do trabalho coletivo para a realização do evento. Segundo ele, o apoio institucional e o esforço dos bastidores são fundamentais para manter viva a tradição.
"É um momento especial para nós fechar um ciclo e perceber que todo o esforço valeu a pena. Temos a certeza de que todos estão felizes com o trabalho realizado, graças ao empenho de quem constrói tudo isso e ao apoio dos patrocinadores, da Lei de Incentivo, do Governo do Estado e da Prefeitura", afirmou.
Ronaldo Silva também adiantou que os preparativos para o próximo grande evento do Arraial começam nas próximas semanas. O tradicional Arrastão do Círio, realizado em outubro durante as festividades do Círio de Nazaré, será o próximo encontro com o público.
"O Arraial não para. Trabalhamos o ano inteiro e o próximo encontro será no Arrastão do Círio, com a Rainha das Flores, que é a canoa, símbolo que representa a devoção mariana pelo olhar da cultura popular", explicou.
Além da celebração cultural, o Arrastão deste ano evidenciou a participação de diferentes gerações. A recém-criada Ala dos Bailantes foi um dos destaques da programação. O estudante Edson Souza participou pela primeira vez do cortejo ao lado da mãe, a coreógrafa Kátia Pinto, responsável pela criação das coreografias do novo segmento.
"Estar aqui com a minha mãe é muito especial. O Pavulagem representa algo muito importante para a nossa cultura. O que mais encanta é a união de todos, sem distinção, em um ambiente de acolhimento e celebração", relatou.
A programação também contou com a participação de grupos tradicionais convidados, como o Boi Malhadinho e o Boi de Banda, que integraram a tradicional Roda Cantada realizada em frente ao Theatro da Paz. Fundadora do Boi de Banda, a mestra Maria Antônia destacou a importância de levar ao público manifestações culturais produzidas no interior do Pará.
Segundo ela, o trabalho desenvolvido pelo grupo envolve crianças, jovens, adultos e pessoas atípicas, promovendo inclusão e valorização da cultura popular amazônica.
"Somos de Igarapé-Miri e nosso Boi de Banda é inspirado no Arraial do Pavulagem. Ver essa multidão reunida pela cultura popular é inspirador. Trabalhar esse projeto é uma grande realização", afirmou.
Representando o Boi Malhadinho, Juliana Soares ressaltou a importância da união entre os grupos culturais para garantir a continuidade das manifestações populares. Ela lembrou que o grupo, fundado na década de 1940 e posteriormente resgatado por Nazareno Silva, mantém atividades permanentes no bairro do Guamá e atua na formação de novas gerações.
"É fundamental continuar esse trabalho para que a cultura popular permaneça viva. São décadas de dedicação para garantir que as futuras gerações também tenham contato com essas tradições", destacou.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar