plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 23°
cotação atual R$


home
NOVO LIVRO

O futuro definido pelas multinacionais desumaniza as populações amazônicas, diz escritor

Para o autor, a Amazônia não deve apenas consumir tecnologias produzidas em outros lugares, mas também participar da construção das soluções do futuro

twitter Google News
Imagem ilustrativa da notícia O futuro definido pelas multinacionais desumaniza as populações amazônicas, diz escritor camera O escritor Ale Santos é radicado em Belém e conhece bem a região amazônica | Divulgação/Assessoria

Em meio ao avanço acelerado da inteligência artificial e das novas tecnologias digitais, cresce o debate sobre quem participa da criação das ferramentas que prometem transformar a sociedade. Para o escritor Ale Santos, uma das principais vozes do afrofuturismo brasileiro contemporâneo, essa discussão precisa incluir a Amazônia não apenas como usuária dessas inovações, mas como protagonista na formulação de novos modelos de desenvolvimento.

Morando em Belém há quatro anos, o autor tem ampliado sua reflexão sobre a relação entre tecnologia, cultura e território. Em suas análises, ele questiona a forma como soluções tecnológicas globais são frequentemente apresentadas à região sem levar em consideração as necessidades específicas de quem vive na Amazônia.

Conteúdo Relacionado

Segundo Ale Santos, muitos dos projetos tecnológicos que chegam à região são concebidos a partir de perspectivas externas, o que pode gerar soluções desconectadas dos desafios cotidianos enfrentados pela população amazônica. Para ele, áreas como mobilidade, energia e adaptação climática exigem respostas construídas a partir da experiência local e não apenas replicadas de modelos criados em outros países.

A crítica do escritor não se concentra na tecnologia em si, mas na lógica que orienta sua criação. Em sua visão, ferramentas digitais, sistemas de inteligência artificial e plataformas tecnológicas refletem valores e interesses de quem as desenvolve. Por isso, discutir inovação também significa discutir cultura, poder e representação.

Reconhecido internacionalmente por seu trabalho no campo do afrofuturismo, Ale Santos argumenta que o futuro não é uma ideia única ou universal. Para ele, diferentes comunidades imaginam o amanhã de acordo com suas histórias, tradições e desafios sociais. Dessa forma, a construção de novos cenários tecnológicos deveria considerar a diversidade de experiências existentes em diferentes territórios.

A vivência na capital paraense reforçou essa percepção. Ao observar o cotidiano da Amazônia, o escritor passou a enxergar formas de inovação que muitas vezes ficam fora dos debates tradicionais sobre tecnologia. Ele cita como exemplo os sistemas independentes de produção e circulação cultural desenvolvidos no Pará, envolvendo música, design, moda e economia criativa.

Na avaliação do autor, fenômenos culturais como as aparelhagens, o tecnobrega e outras expressões artísticas demonstram que a inovação também está presente na maneira como comunidades organizam redes de distribuição, criam modelos de negócios e constroem autonomia econômica. Para ele, essas experiências revelam conhecimentos tecnológicos que não dependem de centros tradicionais de poder para existir.

Essa visão está diretamente ligada ao conceito de futurismo periférico, desenvolvido por Ale Santos ao longo de sua trajetória. A proposta busca refletir sobre quem tem o direito de imaginar o futuro e de que maneira grupos historicamente marginalizados podem ocupar espaços de protagonismo nas narrativas sobre desenvolvimento e inovação.

Autor de obras como O Último Ancestral, A Malta Indomável e Rastros de Resistência, Ale Santos se tornou uma referência nacional na literatura especulativa. Seu trabalho combina elementos de afrofuturismo, ancestralidade, crítica social e cultura digital para discutir futuros possíveis a partir das periferias e das margens da sociedade.

Para o escritor, a Amazônia precisa ser reconhecida não apenas por sua importância ambiental ou por suas riquezas naturais, mas também pela capacidade de produzir conhecimento, criatividade e novas formas de pensar o amanhã. Em um momento em que a região ganha destaque em discussões globais, ele defende que os povos amazônicos tenham voz ativa na definição dos caminhos tecnológicos e sociais das próximas décadas.

Quer saber mais de cultura? Acesse o nosso canal no WhatsApp

Ao propor uma reflexão sobre quem constrói as narrativas do futuro, Ale Santos convida o público a enxergar a Amazônia não como espectadora das transformações do mundo, mas como um dos espaços capazes de inspirar novas respostas para desafios contemporâneos.

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

tags

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Cultura

    Leia mais notícias de Cultura. Clique aqui!