Nesta semana, a paraense Marciele, participante do Big Brother Brasil 26, revelou uma memória do tempo de escola que marcou a formação dela: a disciplina de Estudos Amazônicos, presente nas escolas do Pará durante os anos 1990 e início dos anos 2000.
Em conversa com outros participantes do relity, Marciele destacou a importância do conteúdo que era apresentado na na disciplina. “Gente, uma matéria que era para ter no Brasil todo, que a gente teve por muito tempo, é 'Estudos Amazônicos'. Tinha que ser no Brasil inteiro e eu achava que era. Quando eu saí do Pará, no caso, eu descobri que não era, que não tinha. Mas, assim, 'Estudos Amazônicos' era tudo sobre a Amazônia em geral, localização, fauna, flora... tudo", compartilhou.
Conteúdos relacionados:
- Representatividade paraense no horário nobre da televisão
- BBB26: Paraense Marciele ganha toada inédita do Boi Caprichoso
- Vídeo: Academia do Oscar destaca atuação de Wagner Moura
Para a sister, a disciplina era adotada em todas as escola do país e foi uma surpresa descobri que não era bem assim. "Então eu achava que todo mundo tinha acesso a isso, mas não. Eu só fui descobrir que era só no Pará que tinha 'Estudos Amazônicos'", revelou.
Criada a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), a disciplina tinha como objetivo trazer a Amazônia para dentro da sala de aula de forma concreta. O historiador Robson Marques explica que o foco ia muito além da geografia ou biologia.
“Os Estudos Amazônicos abordavam a história, as culturas, a economia e os problemas ambientais da região, sempre conectando esses temas à vida dos alunos. Não era só aprender sobre rios e florestas; era entender o lugar em que se vive", explicou.
De acordo com ele, a disciplina era interdisciplinar. Professores de história, sociologia, geografia e ciências trabalhavam juntos, usando debates, pesquisas de campo, entrevistas com moradores e atividades práticas para tornar o aprendizado próximo da realidade dos estudantes.
Já para Davinso Rocha, professor da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) e autor do livro" A disciplina Estudos Amazônicos e seus livros didático"s, o principal legado da matéria foi cultural.
“Ela ajudava os estudantes a perceber que a história, a cultura e o cotidiano amazônico não são apenas temas de estudo, mas parte da identidade de quem vive na região. Muitos alunos passaram a se orgulhar de ser amazônicos e a valorizar sua própria história, disse.
Segundo eles, entre os conteúdos abordados, estavam a história indígena, a colonização portuguesa, a Cabanagem, o ciclo da borracha, a abertura da Transamazônica e os impactos sociais e ambientais dessas transformações. Livros didáticos inéditos, produzidos em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi e universidades locais, incluíam fotos, documentos, músicas e textos que aproximavam os alunos da Amazônia e ajudavam a reforçar essa identidade regional.
Por que não existe em outras regiões?
Marciele ficou surpresa ao descobrir que a disciplina não era oferecida em outros estados. Segundo Davinso Rocha, isso se deveu a uma política da LDB, que permitia que cada estado incluísse conteúdos regionais no currículo escolar.
“O Pará criou essa disciplina para que os alunos compreendessem sua própria região, sua história e cultura. Mas, infelizmente, a disciplina perdeu força após 2004, com a descontinuidade da formação de professores e da produção dos livros didáticos, explicou.
Apesar disso, o impacto dela no currículo escolar permanece. Professores e ex-alunos lembram com saudade de como a disciplina integrava conhecimentos e tornava a escola mais conectada com a vida amazônica. Além disso, algumas escolas da região ainda mantém "Estudos Amazônicos" na grade curricular do alunos.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar