
No novo episódio do Podcast Na Taça, o chef, sommelier e chocolatier Fábio Sicília convida os ouvintes para uma viagem sensorial por sabores que fogem do óbvio: cupuaçu, bacuri e taperebá. Frutas amazônicas, intensas e — sim — ácidas. Porque aqui no Norte, o azedo também é carinho.
“Na Amazônia, o doce não vem só do açúcar. Ele vem da força do azedo, do perfume da fruta e da coragem de experimentar o inesperado”, diz Fábio logo na abertura.
Com sua linguagem leve e ao mesmo tempo técnica, o episódio mostra que essas frutas são muito mais que ingredientes: são identidade, desafio e poesia de sabor.
Ouça aqui o episódio completo:
Azedo também é afeto: o sabor selvagem das frutas amazônicas
Por DOL -

Três ácidos tropicais com alma amazônica
O cupuaçu, parente direto do cacau, tem polpa branca, aroma profundo e acidez vibrante. É base para bombons, recheios, caldas, sorvetes, ganaches e molhos criativos.
O bacuri chega de forma mais discreta, mas conquista na primeira colher. Sua polpa amarelo-pálida é amanteigada e tem perfume floral. Vai bem em mousses, caldas, compotas e sobremesas cremosas.
Já o taperebá — conhecido em outras regiões como cajá — é aquele que não pede licença para entrar no paladar. Azedo, intenso, provocador, é perfeito para drinks, molhos, caldas picantes e sobremesas tropicais.
Da floresta para a alta gastronomia
Essas frutas que antes pareciam exclusividade regional hoje estão nos menus de alta gastronomia no Brasil e no exterior, ganhando espaço entre chefs que buscam sabores autênticos, com história e personalidade. “Elas são selvagens, tropicais e inteligentes. Exigem respeito, técnica e afeto. Quando você prepara com carinho, o sabor devolve com gratidão”, destaca Fábio.
E na taça, o que acompanha?
O episódio também traz dicas valiosas de harmonização para quem quer ir além da mordida:
• O cupuaçu, com sua força ácida e aromática, vai bem com vinhos de sobremesa como late harvest, moscatel nacional ou até um Sauternes francês. A doçura e acidez equilibradas desses vinhos são ideais para encarar o desafio da fruta.
• O bacuri, mais delicado, brilha ao lado de um espumante demi-sec ou um branco aromático como Gewürztraminer. O segredo é manter a leveza e realçar o perfume sem exagero.
• Já o taperebá exige ousadia: coquetéis com gin (inclusive o de jambu), cachaça artesanal e espumantes brut são excelentes pares. O azedinho exige frescor — e estilo.
Sabores que abraçam com acidez
Para Fábio, provar essas frutas é mais do que comer. É um ato de coragem sensorial e de reconhecimento da cultura alimentar da Amazônia:
“Você pode até pensar que fruta boa é só aquela docinha… Mas aqui no Norte, a gente sabe: o azedo também é carinho. É um abraço ácido na alma.”
O episódio termina com o bordão que já virou assinatura do podcast:
“Se você nunca provou um doce de cupuaçu de verdade ou um drink com taperebá… Com todo respeito: não dá pra opinar se não provar.”
O episódio completo já está disponível no DOL e nas principais plataformas de áudio. E fica o convite: saboreie o Brasil profundo, com o paladar e com a mente.
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