O fortalecimento da cadeia produtiva do açaí no Pará avança com a interiorização do ensino técnico e da inovação. Para aproximar a qualificação profissional dos territórios onde o fruto é produzido, o Governo do Estado entregou uma carreta-laboratório móvel que levará formação prática, tecnologia e conhecimento diretamente às comunidades ribeirinhas e municípios produtores.
Com investimento de R$ 1,7 milhão, a Carreta Laboratório Móvel do Projeto AçaíTEC foi entregue nesta sexta-feira (16), em Igarapé-Miri, ampliando o alcance da educação profissional e do desenvolvimento da bioeconomia no Pará. A estrutura passa a integrar a política estadual de fortalecimento da principal cadeia produtiva do Estado, responsável por quase toda a produção nacional de açaí.
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A solenidade contou com a presença do governador Helder Barbalho, que destacou o caráter inovador da iniciativa e seu papel estratégico para agregar valor ao produto paraense. Segundo ele, a proposta é levar conhecimento técnico diretamente aos municípios produtores, estimulando a verticalização da produção, a geração de renda e o desenvolvimento sustentável.
“Estamos inovando ao levar uma carreta móvel para o processo de transformação do açaí, agregando valor a essa cadeia tão importante para o Pará. A meta é percorrer os municípios produtores, fortalecer a bioeconomia e criar novas oportunidades a partir de uma riqueza sustentável, fruto do nosso solo e da força do povo paraense”, afirmou o governador.
Totalmente equipada para atender às exigências técnicas e sanitárias do setor, a carreta possibilita aulas práticas de beneficiamento, controle de qualidade, higiene, segurança alimentar e padronização do produto. A iniciativa elimina a necessidade de deslocamento dos alunos para centros urbanos, levando a sala de aula até comunidades ribeirinhas e áreas mais distantes.
De acordo com o secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Profissional e Tecnológica (Sectet), Victor Dias, a carreta representa um avanço na democratização do ensino técnico. “Estamos levando um laboratório completo diretamente para as comunidades produtoras de açaí, garantindo que a formação chegue a quem sustenta essa cadeia produtiva tão importante para a economia e a identidade cultural do Pará”, destacou.
A estrutura integra o Projeto AçaíTEC, coordenado pela Sectet em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Fundação Itaú de Educação e Cultura. O programa tem como objetivo qualificar trabalhadores e fomentar inovação em uma cadeia produtiva estratégica, responsável por 95% da produção nacional de açaí e por cerca de US$ 1,5 bilhão gerados anualmente.
Para o coordenador do curso técnico em Bioeconomia do Açaí, José Pereira, a carreta é um marco na política de formação profissional. “Ela possibilita uma formação consistente e alinhada à realidade da cadeia produtiva, atendendo tanto quem já atua no setor quanto quem deseja ingressar nessa atividade fundamental para o Estado”, ressaltou.
Lançado em 2023, o curso técnico em Bioeconomia do Açaí é considerado o primeiro do mundo voltado especificamente ao processamento do fruto. Com carga horária mínima de 800 horas, a formação é dividida em cinco módulos, com certificações intermediárias e diplomação ao final do curso.
O currículo aborda desde o manejo sustentável dos açaizais até o processamento, controle de qualidade, empreendedorismo e rotulagem de produtos derivados, preparando profissionais para atuar em todas as etapas da cadeia produtiva.
O impacto da qualificação já é sentido pelos alunos formados. Moradora de Abaetetuba, a técnica em Bioeconomia do Açaí Tailane Camile afirma que o curso elevou o padrão da produção local. “Antes, a manipulação era totalmente artesanal. Depois da formação, passamos a ter mais cuidado desde o manejo até o produto final. A qualidade muda completamente”, relatou.
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Em 2025, as primeiras 40 certificações foram concedidas a alunos de Igarapé-Miri e Abaetetuba. Atualmente, novas turmas estão em andamento nos municípios de Mocajuba e Cametá, reforçando a expansão do ensino técnico e da inovação na cadeia do açaí no Pará.
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