Quem é do Pará dificilmente esquece certos nomes que ajudaram a construir a identidade cultural do estado. Entre eles, está Élida Braz, figura conhecida pela ousadia, pela personalidade forte e por uma trajetória que sempre escapou dos caminhos convencionais.
De passarelas a palcos, de performances teatrais a projetos ambientais, Élida ganhou projeção nacional principalmente nos anos 1990 e 2000, quando se apresentava na boate Mystical, em Belém, em números performáticos que marcaram época, incluindo aparições com uma cobra no palco. Hoje, ela segue ativa, mas em outra fase, mais voltada ao audiovisual, à moda e à pesquisa cultural.
Conhecida também pela parceria artística e pessoal com o produtor cultural André Luís Lobato, o Kaveira, Élida construiu uma carreira multifacetada que mistura arte, estrada e reinvenção. Nas redes sociais, ela se apresenta como bacharel em Moda, pós-graduanda em Antropologia Cultural, atriz com registro profissional, cineasta independente e “ex-deejay”, reunindo diferentes fases de sua trajetória.

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Uma história que começou cedo e fora dos padrões
A trajetória de Élida começou ainda na adolescência, quando decidiu sair de casa para viver com Kaveira, seu primeiro namorado e parceiro na criação artística. A escolha marcou o início de uma vida intensa dentro da cena cultural alternativa de Belém, onde passou a atuar como performer e figura central de projetos experimentais.
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Com forte presença de palco e estética provocativa, ela transitou entre teatro, passarelas e intervenções artísticas, construindo uma identidade marcada pela liberdade criativa e pela ruptura com padrões tradicionais.
Mystical e o “Ritual do Açaí”
No fim dos anos 1990, o casal fundou o teatro-dance Mystical, em Belém, espaço que se tornou referência por unir teatro, música eletrônica e performances ao vivo. Entre os números mais conhecidos estava o “Ritual do Açaí”, que incorporava elementos da cultura amazônica em apresentações de forte impacto cênico e simbólico.

O projeto ganhou repercussão nacional e levou o casal a programas como o Altas Horas, da TV Globo, e o Domingo Legal, do SBT, em 2008, ampliando a visibilidade da cena cultural do Pará.
A estrada, os palcos e a DJ Lady Green
Após um incêndio encerrar o espaço cultural, Élida e Kaveira passaram a viver na estrada no início dos anos 2000. Em um ônibus adaptado para moradia e apresentações, criaram a banda Xuxu e as Kaveiras Barrocas e circularam por diversas cidades brasileiras, incluindo participação no Rock in Rio.
Foi nesse período que Élida assumiu a identidade de DJ. Primeiro como DJ Saynha e depois como Lady Green, passou a unir música eletrônica e ativismo ambiental em suas performances.

Com figurinos iluminados por LED, uso de energia solar e distribuição de sementes ao público, transformou os shows em ações de conscientização ecológica. O projeto ultrapassou fronteiras e a levou a apresentações em países como Dinamarca, França, Argentina e Bolívia.

Em 2013, voltou aos holofotes ao participar do programa Encontro com Fátima Bernardes, onde apresentou a dança do “treme”, reforçando sua ligação com a cultura popular amazônica.

Nova fase entre estudo, audiovisual e ativismo
Hoje, Élida Braz vive uma fase mais voltada à produção audiovisual, à pesquisa e à formação acadêmica. Além da graduação em Moda concluída em 2025, segue envolvida com Antropologia Cultural e projetos ligados à preservação ambiental e aos povos originários.

Mesmo fora das pistas de dança, mantém atuação em iniciativas socioambientais e continua associando sua trajetória à defesa da floresta, das águas e das tradições amazônicas elementos que atravessam toda a sua carreira.
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