O vulcão Krasheninnikov, na península russa de Kamchatka, entrou em erupção em julho de 2025 depois de quase 500 anos em silêncio. A confirmação foi feita pela Nasa, que divulgou nesta semana um vídeo com imagens de satélite que mostram, quadro a quadro, a lava tomando conta da cratera.
A erupção ocorreu poucos dias após um terremoto de magnitude 8,8 atingir o oceano próximo à região. O evento sísmico pode ter funcionado como gatilho para o despertar do vulcão.
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O vídeo reúne 17 registros feitos pelo satélite NISAR, desenvolvido em parceria pela Nasa e pela ISRO, agência espacial indiana. As imagens foram captadas entre dezembro de 2024 e meados de agosto de 2025.
Nas imagens, é possível ver a rocha derretida encher uma caldeira interna menor, transbordar para uma cratera mais ampla e, por fim, se abrir em leque sobre o terreno.
Além disso, o fluxo de lava e detritos segue em direção ao leste desde o início da erupção. O Krasheninnikov é formado por dois vulcões vizinhos. No entanto, apenas o do norte entrou em atividade.
É dele que parte o fluxo contínuo de rocha fundida registrado pelo satélite. O NISAR fez sua primeira imagem do vulcão em 25 de dezembro de 2024, ainda durante a fase de testes após o lançamento.
O satélite operava a 747 quilômetros de altitude e concluía os procedimentos padrão de verificação de equipamento. A partir daí, o satélite voltou ao mesmo ponto duas vezes a cada 12 dias.
Esse ritmo constante de visitas transforma registros isolados em filme e permite acompanhar, mês a mês, como uma erupção avança e muda a paisagem.
As imagens do vídeo não são fotografias convencionais. O NISAR carrega um radar de abertura sintética, tecnologia que dispara micro-ondas contra a superfície e registra o eco de retorno.
Por isso, o equipamento funciona à noite e opera mesmo com cobertura de nuvens, obstáculos frequentes no longo inverno de Kamchatka.
Na leitura do radar, a lava recente se destaca porque devolve o sinal de forma diferente da neve ou do solo ao redor. Esse contraste é o que desenha, quadro após quadro, o contorno exato do fluxo.
Além de registrar erupções, o NISAR foi projetado para medir deformações do solo da ordem de centímetros. A missão cobre praticamente todos os cerca de 1.300 vulcões ativos acima do nível do mar do planeta.
As imagens são nítidas em escala de vários metros e ficam disponíveis para acesso remoto, o que amplia o uso científico dos dados.
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O caso do Krasheninnikov demonstra, portanto, o potencial do monitoramento contínuo por satélite. Sobretudo em regiões remotas e de difícil acesso, essa tecnologia se torna essencial para o acompanhamento de fenômenos geológicos.
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