Uma pequena ilha no Japão ganhou fama por uma característica curiosa: a população de gatos já foi dezenas de vezes maior do que a de seres humanos. Aoshima, localizada na província de Ehime, no oeste do país, tornou-se conhecida nas redes sociais como um destino para quem gosta de felinos e de lugares fora do roteiro turístico tradicional.
Com apenas 1,5 quilômetro de extensão, a ilha foi ocupada por uma pequena comunidade de pescadores. Os moradores introduziram gatos no local para ajudar no controle da população de ratos, que costumavam atacar os estoques de peixes. Com o passar dos anos, porém, os animais se multiplicaram enquanto o número de habitantes diminuiu.
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Segundo a Associação de Promoção das Ilhas de Ehime, Aoshima fica a cerca de 13,5 quilômetros do Porto de Nagahama. A pesca e a coleta de hijiki, uma espécie de alga bastante consumida no Japão, estão entre as atividades tradicionais da região.
Gatos chegaram a superar moradores em 30 vezes
Um levantamento realizado pelo município em 2014 registrou 91 gatos e apenas 17 moradores na ilha. Na época, a proporção era de aproximadamente seis felinos para cada habitante.
A presença dos animais também impulsionou o turismo. Entre março e maio daquele ano, o número de passageiros transportados por barco passou de cerca de 100 a 200 pessoas para mais de 700.
O cenário ficou ainda mais extremo nos anos seguintes. Em 2018, a Fundação Dobutsu Kikin informou que Aoshima tinha mais de 200 gatos para apenas seis habitantes, uma proporção de aproximadamente 30 animais para cada pessoa.
O crescimento da população felina levou a uma ação de controle. Após conversas com os moradores, uma operação organizada pela prefeitura esterilizou gratuitamente 172 gatos em apenas dois dias.
Os efeitos da medida começaram a aparecer nos anos seguintes. Em 2025, uma discussão na Câmara Municipal de Ozu estimou que a ilha tinha cerca de 80 gatos, indicando uma queda significativa na população felina após a interrupção do nascimento de novos animais.
Ao mesmo tempo, a população humana também continuou diminuindo. Dados do Censo de 2020, publicados no Guia Oficial das Ilhas de Ehime, apontavam apenas cinco habitantes distribuídos em três domicílios.
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Quem cuida dos gatos de Aoshima?
Apesar da fama internacional, não há registro de um pagamento mensal ou de um auxílio específico destinado aos moradores para que cuidem dos gatos. A manutenção dos animais ocorre por meio de uma rede de cooperação que envolve habitantes, voluntários, organizações de proteção animal, veterinários e o poder público.
Em 2014, os moradores criaram uma área de alimentação próxima ao centro comunitário da ilha. A iniciativa também estabeleceu limites para a comida oferecida diretamente pelos visitantes. Os turistas eram orientados a deixar eventuais sobras para que a própria comunidade administrasse a alimentação dos animais.
A prefeitura de Ehime também realizou ações sanitárias e, desde 2022, mantém um programa municipal de auxílio à esterilização de gatos em Ozu.
Atualmente, parte dos recursos utilizados para alimentar e cuidar dos felinos vem de doações destinadas à Associação de Proteção dos Gatos de Aoshima. As contribuições ajudam a financiar comida, cirurgias e tratamentos veterinários, incluindo vacinação após um surto registrado em 2020.
Como chegar a Aoshima
Para visitar a ilha, o turista precisa chegar primeiro à estação de trem de Iyo-Nagahama e seguir até o Porto de Nagahama. De lá, uma balsa faz o trajeto até Aoshima em aproximadamente 35 minutos.
Há duas saídas diárias do Porto de Nagahama, às 8h e às 14h30, com chegada prevista à ilha às 8h35 e às 15h05. No sentido contrário, as embarcações partem de Aoshima às 8h45 e às 16h15.
A passagem para adultos custa 700 ienes por trecho, de acordo com a tabela atualizada em julho de 2026.
Quem pretende conhecer o local precisa se preparar antes do embarque. A ilha não possui lojas, mercados ou máquinas de venda, e a administração da balsa recomenda que os visitantes levem a própria comida e bebida.
Além disso, moradores e cargas destinadas a eles, como água e alimentos, têm prioridade no transporte. Por isso, os turistas devem seguir as orientações da operação da balsa.
Turismo tem limitações na ilha
Apesar da popularidade nas redes sociais, Aoshima não funciona como um destino turístico convencional. A maioria dos moradores é idosa e a visitação ocorre apenas durante o dia.
Não existem hotéis na ilha, e a estrutura para receber turistas é bastante limitada. Por isso, a prefeitura de Ehime orienta os visitantes a respeitar o modo de vida da comunidade local, evitando interferir na rotina dos moradores e no cuidado com os animais.
Aoshima, portanto, tornou-se um exemplo curioso de como uma pequena comunidade pode ganhar fama mundial por uma característica inusitada. Mas, por trás das imagens de dezenas de gatos circulando livremente, existe uma população humana cada vez menor e uma estrutura comunitária necessária para garantir o bem-estar dos animais.
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