Você já chamou alguém de “cheio de nove horas” para dizer que a pessoa é cheia de frescuras, manias ou complicações? A expressão faz parte do vocabulário popular brasileiro, mas sua origem está relacionada a um antigo costume social envolvendo o horário das nove da noite.
A explicação foi registrada pelo pesquisador Luís da Câmara Cascudo (1898-1986), importante estudioso da cultura e das tradições brasileiras. Segundo ele, o horário das nove da noite teve grande importância na vida social durante séculos, especialmente no XIX.
Nove horas era horário de despedida
De acordo com Câmara Cascudo, as nove da noite eram horas consideradas limite para visitas e encontros sociais. Era o momento em que as pessoas deveriam começar a se despedir e retornar para casa.
Na época, permanecer nas ruas depois desse horário também podia representar riscos. A circulação noturna era limitada e pessoas que insistissem em ficar fora de casa poderiam ser abordadas e revistadas pela polícia.
A regra não era exclusiva do século XIX. Câmara Cascudo cita uma frase do escritor português Francisco Manuel de Melo, que viveu no século XVII, mostrando que o horário das nove já era associado às obrigações domésticas.
Como surgiu o “cheio de nove horas”?
A expressão ganhou outro significado ao longo do tempo. Segundo Câmara Cascudo, surgiu no século XIX a figura do chamado “Cheio de Nove Horas”: uma pessoa extremamente meticulosa, cheia de regras e restrições e que fazia questão de apontar limites para o comportamento dos outros.
Esse indivíduo seria aquele que complicava situações simples, lembrava constantemente as regras e restrições e interferia nas atitudes alheias. Com o tempo, a expressão passou a ser utilizada para definir alguém considerado cheio de frescuras, manias, cerimônias ou exigências.
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Assim, as “nove horas” da expressão não têm relação direta com uma característica específica do número nove. O sentido está ligado ao antigo horário considerado limite para visitas, passeios e atividades sociais.
A expressão atravessou gerações e permanece no português brasileiro como uma maneira bem-humorada de descrever quem transforma coisas simples em situações cheias de regras e complicações, traduzindo, encontra um problema para cada solução.
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