Um caranguejo-nadador conseguiu sobreviver por aproximadamente dois meses preso dentro de uma garrafa plástica que flutuava no oceano, segundo um estudo publicado na última sexta-feira (03/07) por pesquisadores da Universidade de Hiroshima, no Japão. O caso chama a atenção para mais um impacto da poluição plástica nos ambientes marinhos: a transformação de resíduos descartados em armadilhas para a fauna.
A descoberta foi detalhada na revista científica Ecosphere e, de acordo com os autores da pesquisa, representa o primeiro registro documentado de um caranguejo sobrevivendo por um período tão prolongado dentro de um recipiente plástico à deriva no mar.
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O animal foi encontrado durante um levantamento científico sobre peixes juvenis realizado nas proximidades da Ilha Sesoko, em Okinawa. Durante a expedição, os pesquisadores recolheram uma garrafa plástica que flutuava a cerca de 500 metros da costa e encontraram, em seu interior, uma fêmea da espécie Portunus sanguinolentus, conhecida popularmente como caranguejo-nadador.
Apesar de estar viva, a fêmea não tinha condições de escapar. A abertura da garrafa possuía apenas 24 milímetros de diâmetro, enquanto o caranguejo apresentava mais de 88 milímetros de largura e pesava cerca de 42 gramas.
Animal entrou na garrafa ainda jovem
A diferença entre as dimensões do animal e da abertura levou os pesquisadores a concluir que o caranguejo entrou na garrafa ainda em estágio larval ou juvenil, quando seu tamanho permitia a passagem pelo gargalo.

Ao longo do tempo, o animal continuou crescendo dentro do recipiente até ficar completamente preso. Como a garrafa permanecia aberta, havia circulação de água suficiente para garantir oxigenação e algum acesso a alimentos, embora impossibilitasse a fuga.
A análise do conteúdo estomacal revelou que o caranguejo se alimentou de pequenos peixes e de algas que se desenvolveram no interior da própria garrafa durante o período em que esteve à deriva.
Cientistas estimaram permanência de 62 dias
Para calcular o tempo em que a garrafa permaneceu no oceano, os pesquisadores analisaram as cracas fixadas em sua superfície externa. Com base na taxa de crescimento desses organismos marinhos, a equipe estimou que o recipiente ficou à deriva por aproximadamente 62 dias.
A data de fabricação impressa na própria embalagem também ajudou os cientistas a reconstruir o histórico do objeto e confirmar que ele permaneceu por longo período no ambiente marinho.
Segundo os autores, o caso amplia a compreensão sobre os efeitos da poluição por plástico nos oceanos. Enquanto grande parte dos estudos se concentra em animais que ingerem resíduos ou ficam presos em redes e detritos maiores, a pesquisa mostra que recipientes descartados também podem atuar como armadilhas fatais.
Embora o caranguejo tenha conseguido sobreviver por cerca de dois meses, os pesquisadores avaliam que ele provavelmente perdeu sua capacidade de retornar ao habitat natural e alertam que casos semelhantes podem estar ocorrendo em diversas partes do mundo sem serem detectados.
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