Traças não oferecem riscos à saúde, mas destroem tecidos, livros e documentos em casas com pouca luz e muita umidade. Especialistas apontam medidas simples para evitar a presença desses insetos e explicam quando é necessário contratar serviços profissionais.
A professora de entomologia agrícola da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), Andreia Evaldt, identifica duas espécies principais que invadem residências no país. A primeira é a Lepisma saccharina, conhecida popularmente como peixinho-prata. A segunda é a Phereoeca uterella, que aparece em sua fase jovem dentro de casulos colados nas paredes.
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Ambas as espécies se alimentam de celulose, tecidos e resíduos acumulados em frestas e móveis.
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O peixinho-prata consome açúcar e celulose, o que explica sua preferência por livros, documentos e álbuns de fotografia. Já a Phereoeca uterella ataca principalmente tecidos de algodão e lã, o que resulta em roupas e cobertores perfurados.

Portas abertas para invasores silenciosos
O peixinho-prata geralmente chega às casas em materiais vindos da rua. Caixas de papelão, livros usados e jornais velhos são os principais veículos de transporte.
A outra espécie, que se parece com pequenas mariposas na fase adulta, entra pelas frestas de portas e janelas mal vedadas.
"Às vezes a pessoa guarda uma peça no armário por muito tempo e tem traças em casa, então quando ela pega a roupa está cheia de furinhos", destaca Andreia.
Os esconderijos preferidos
O biólogo Hugo Bascunan explica que esses insetos buscam ambientes escuros e úmidos, onde encontram condições perfeitas para se reproduzir e viver por longos períodos.
Armários, guarda-roupas, gavetas, rodapés e cantos de paredes são os locais favoritos.
"Para elas, é interessante que tenha o que chamamos de os quatro As: o alimento, a água, o acesso e o abrigo. Então, temos que evitar esses quatro tópicos para impedir que elas apareçam", orienta o biólogo.
Medidas preventivas eficazes
Manter a residência limpa, seca e ventilada é fundamental para bloquear a chegada desses insetos. As ações preventivas incluem:
- Aspirar regularmente a casa, com atenção especial a frestas e áreas escondidas;
- Limpar armários mesmo os que ficam fechados por meses;
- Instalar telas mosquiteiras em janelas e portas;
- Guardar roupas e cobertores em sacos plásticos selados quando ficar muito tempo sem uso;
- Usar capas com zíper para ternos e vestidos delicados;
- Manter livros em estantes fechadas ou limpar com frequência;
- Evitar acúmulo de papéis, caixas e tecidos;
- Revisar objetos vindos da rua, como caixas de papelão e jornais.
Quando a limpeza não resolve
Se a infestação está no começo, aspirador e produtos de limpeza comuns podem ser suficientes. Porém, quando há muitos insetos visíveis, isso indica presença de larvas e ovos espalhados pela casa.
"Se há muitas traças na residência, provavelmente o local já está cheio de larvas e ovos, aí não adianta só limpar, porque não irá eliminá-las por completo", alerta Hugo.
Receitas caseiras têm alcance limitado
Segundo o biólogo, vinagre, cravo-da-índia ou óleos essenciais podem afastar as traças adultas temporariamente, mas não resolvem o problema de forma definitiva.
"No momento da aplicação, essas receitas podem até incomodar as traças adultas, mas não vão matar os ovos nem as larvas. Depois de um certo tempo, o problema retorna", afirma.
Controle profissional em casos graves
Em infestações severas, o controle químico feito por empresas especializadas é a opção mais eficaz. O procedimento elimina todas as fases dos insetos e é seguro quando executado por profissionais habilitados.
"A tentativa de eliminar os insetos por conta própria aumenta o risco de a pessoa se intoxicar, bem como pode fazer mal às crianças e aos animais domésticos", ressalta Hugo.
O biólogo enfatiza que os produtos utilizados são controlados e exigem aplicação correta, feita apenas por profissionais treinados e certificados.
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