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"PLANO DE MARKETING"

Vídeo: Miguel Nicolelis contesta previsão de que IA pode destruir a humanidade

Neurocientista brasileiro afirmou que não há fundamento científico para sustentar a possibilidade de extinção da humanidade pela inteligência artificial

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Imagem ilustrativa da notícia Vídeo: Miguel Nicolelis contesta previsão de que IA pode destruir a humanidade camera O neurocientista Miguel Nicolelis contestou a previsão de que a IA poderia destruir a humanidade nesta década e questionou a falta de fundamento científico para estimativas de risco | Reprodução/Instagram/@mnicolelis

O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis contestou as previsões alarmistas sobre os riscos da inteligência artificial (IA) e afirmou que não existe fundamento científico para sustentar a estimativa de que a tecnologia tenha mais de 10% de possibilidade de provocar a extinção da humanidade na próxima década. A manifestação ocorreu em um vídeo publicado por ele no Instagram, em meio à repercussão das declarações de pesquisadores ligados à Anthropic.

“Não existe fundamento algum na declaração de Jacob Coxon que existe 10% de chances da IA destruir a humanidade! E isso não é uma defesa da IA!”, escreveu Nicolelis no comentário fixado da publicação.

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A discussão ganhou força depois que Jacob Coxon, pesquisador que já trabalhou na OpenAI e posteriormente na Anthropic, anunciou sua saída da empresa e fez críticas à velocidade com que o setor desenvolve sistemas cada vez mais avançados. Segundo ele, empresas de inteligência artificial estariam avançando rumo a sistemas capazes de se aperfeiçoar sem depender continuamente de seres humanos.

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DE ONDE VEM A ESTIMATIVA DE 10%?

Apesar de a discussão ter sido impulsionada pela declaração de Coxon, a estimativa de mais de 10% de chance de a IA matar todos os seres humanos na próxima década foi apresentada por Evan Hubinger, pesquisador da Anthropic especializado em segurança e alinhamento de inteligência artificial.

Hubinger respondeu às declarações de Coxon e afirmou que também acredita que sistemas avançados de IA poderiam representar um risco existencial para a humanidade. Em uma publicação, disse considerar a probabilidade superior a 10% nos próximos dez anos.

Coxon, por sua vez, afirmou que os profissionais envolvidos no desenvolvimento da tecnologia levam esse cenário a sério e acusou empresas como Anthropic e OpenAI de estarem em uma corrida para desenvolver uma chamada “superinteligência” capaz de se aprimorar continuamente.

NICOLELIS QUESTIONA BASE CIENTÍFICA

Ao comentar o episódio, Nicolelis colocou em dúvida a existência de evidências capazes de transformar uma possibilidade hipotética em uma porcentagem objetiva de risco.

O neurocientista argumentou que as previsões sobre uma IA capaz de extinguir a humanidade não são sustentadas por evidências concretas ou cálculos verificáveis suficientes para justificar o percentual apresentado. Ele também comparou a ideia de uma "superinteligênci" com conceitos mais próximos da ficção científica dos anos 1950 do que de uma conclusão científica estabelecida.

INTERESSE FINANCEIRO E PLANO DE MARKETING

O brasileiro também relacionou o discurso sobre riscos existenciais ao ambiente econômico da indústria de tecnologia. Na avaliação dele, o alarmismo pode favorecer interesses políticos e econômicos de empresas que disputam investimentos e espaço no mercado de inteligência artificial.

Nesse sentido, Nicolelis questionou o momento em que os alertas sobre uma possível catástrofe provocada pela inteligência artificial ganharam força. Na avaliação do neurocientista, as declarações de Coxon e de executivos e pesquisadores de empresas como Anthropic e OpenAI podem ser interpretadas como uma espécie de estratégia de marketing, justamente quando as gigantes do setor buscam ampliar seu valor e captar recursos no mercado financeiro.

A suspeita ganha contexto pelo fato de a Anthropic estar se preparando para uma oferta pública inicial de ações (IPO), potencialmente avaliada em centenas de bilhões de dólares ou até na casa do trilhão. Para Nicolelis, portanto, a exploração pública do temor em torno de uma IA capaz de destruir a humanidade poderia também servir para aumentar a visibilidade, o poder de negociação e o valor de mercado dessas empresas.

O argumento do brasileiro, em última análise, é que o alarmismo em torno dos avanços da IA, em vez de provocar medo nos investidores, pode justamente despertar o interesse do mercado e ajudar a valorizar empresas que buscam bilhões em investimentos no setor.

CRÍTICA NÃO SIGNIFICA DEFESA DA IA

Ao fazer sua manifestação, Nicolelis procurou deixar claro que contestar uma previsão de extinção da humanidade não significa defender a inteligência artificial de forma irrestrita.

O próprio comentário fixado na publicação reforça esse ponto: "E isso não é uma defesa da IA!". A posição do neurocientista é direcionada, sobretudo, à falta de base científica que, segundo ele, permitiria transformar um cenário especulativo em uma probabilidade matemática de 10%.

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