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CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Cérebro de moscas inspira avanços em inteligência artificial

Estudo revela que insetos conseguem processar imagens em altíssima velocidade, mecanismo que pode revolucionar sensores, robôs e carros autônomos

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Imagem ilustrativa da notícia Cérebro de moscas inspira avanços em inteligência artificial camera Estudo britânico aponta que o cérebro das moscas pode inspirar sistemas de IA, robótica e veículos autônomos mais rápidos e eficientes. | (Freepik)

A busca por sistemas de inteligência artificial mais rápidos, eficientes e econômicos tem levado cientistas a observar soluções já existentes na natureza. Entre animais microscópicos e organismos considerados simples, pesquisadores vêm encontrando mecanismos sofisticados capazes de inspirar tecnologias do futuro.

Um novo estudo publicado na revista científica Nature Communications revelou que o cérebro das moscas pode servir de modelo para o desenvolvimento de sistemas avançados de IA, robótica e veículos autônomos.

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Pesquisadores da University of Sheffield, na Inglaterra, descobriram que moscas-domésticas e moscas-das-frutas conseguem processar informações visuais até quatro vezes mais rápido do que se imaginava anteriormente. O mecanismo permite que os insetos mantenham a visão nítida mesmo durante movimentos extremamente rápidos no voo.

Até então, cientistas acreditavam que as moscas sofriam uma espécie de “apagão visual” momentâneo durante mudanças bruscas de direção, semelhante ao borrão de movimento que os humanos percebem em movimentos rápidos dos olhos, conhecidos como sacadas.

No entanto, o novo estudo mostrou que esses insetos desenvolveram um sistema neural altamente eficiente, capaz de continuar processando imagens em tempo real enquanto se movimentam.

O que é o “salto sináptico” das moscas

Os pesquisadores identificaram um mecanismo inédito chamado de “salto sináptico de alta frequência”. O sistema ajusta dinamicamente a sensibilidade visual das moscas durante movimentos rápidos, permitindo que elas reajam quase instantaneamente aos estímulos ao redor.

As análises revelaram que os neurônios visuais dos insetos alcançam taxas de transmissão de cerca de 4,1 mil bits por segundo — um desempenho considerado extraordinário para organismos tão pequenos.

Na prática, isso permite que as moscas distingam eventos separados por frações de milissegundo, funcionando quase como uma visão em câmera lenta.

Segundo os cientistas, o segredo não está apenas na velocidade, mas na eficiência do processamento. Em vez de analisar todas as informações ao mesmo tempo, o cérebro das moscas prioriza dados importantes em momentos críticos.

Tecnologia inspirada na natureza

O princípio observado nas moscas pode ajudar a criar sensores inteligentes capazes de economizar energia e responder mais rapidamente a mudanças no ambiente.

A ideia é desenvolver sistemas que processem mais informações apenas quando necessário, aumentando a eficiência de câmeras inteligentes, robôs e carros autônomos.

Além disso, o estudo desafia conceitos tradicionais da neurociência ao sugerir que movimento, percepção e resposta neural funcionam de forma integrada, e não em etapas separadas.

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Para o professor Aurel Lazar, coautor do estudo, “a inteligência não vem de processar mais dados, mas de processar os dados certos na hora certa”.

A conclusão reforça como mecanismos evolutivos desenvolvidos por insetos ao longo de milhões de anos podem ajudar a moldar o futuro da inteligência artificial.

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