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Ludopatia: entenda a doença do vício em apostas que afeta milhões

Veja como o jogo casual se torna dependência e quais os sinais de alerta.

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Imagem ilustrativa da notícia Ludopatia: entenda a doença do vício em apostas que afeta milhões camera Segundo o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III), cerca de 10,8 milhões de pessoas com 14 anos ou mais jogam de forma arriscada ou problemática no Brasil | Antônio Cruz / Agência Brasil

O Governo Federal anunciou nesta sexta-feira (25) novas regras para restringir as plataformas de apostas online no Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que as bets transformam vício em lucro e destroem lares.

Por isso, além do endividamento das famílias, a medida mira um problema de saúde pública: a ludopatia, uma condição médica reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

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No Brasil, ela consta no CID com dois códigos: 10-Z72.6 (mania de jogo e apostas) e 10-F63.0 (jogo patológico). Segundo o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III), cerca de 10,8 milhões de pessoas com 14 anos ou mais jogam de forma arriscada ou problemática no País.

Assim, a doença funciona pelo mesmo mecanismo da dependência de álcool ou drogas. Nesse caso, no entanto, a necessidade não é por uma substância, mas pela emoção que a aposta provoca no cérebro.

O jogo ativa o sistema de recompensa, que libera dopamina, hormônio ligado à sensação de prazer. Assim, a compulsão se reforça a cada rodada.

Pesquisas recentes mostram que a fissura dos apostadores é tão ou mais intensa do que a de dependentes de cocaína ou álcool. Portanto, tratar a ludopatia exige a mesma seriedade dedicada a outros vícios químicos.

Aliás, a doença não é nova.

No Brasil, a Irmandade de Jogadores Anônimos existe desde 1993 e apoia pessoas com dependência de jogo, ainda na época dos bingos, carteados e caça-níqueis. Afinal, qualquer pessoa, em qualquer idade, pode desenvolver o vício.

Os especialistas alertam que a fissura é um processo gradual e, em geral, quem adoece demora para perceber que uma aposta casual virou dependência. Por isso, conhecer os sinais de alerta é essencial.

Veja os principais sinais de que o jogo pode ter se tornado um problema:

  • Planejar constantemente como conseguir dinheiro para jogar;
  • Precisar apostar valores cada vez maiores para sentir a mesma emoção;
  • Tentar parar ou reduzir o jogo sem sucesso;
  • Sentir irritação ou inquietação ao tentar parar;
  • Jogar para escapar de ansiedade, culpa ou depressão;
  • Mentir para familiares para esconder o hábito;
  • Arriscar empregos ou relacionamentos por causa do jogo;
  • Pedir dinheiro emprestado para continuar apostando.

Muitas pessoas com o vício acreditam que podem parar sozinhas. Contudo, na maioria dos casos, isso não acontece. Assim como em outros vícios, o tratamento exige apoio terapêutico, além do suporte de familiares e amigos.

Como o jogo patológico altera o sistema de recompensa do cérebro, é necessário um processo terapêutico justamente para reverter esse ciclo e lidar com a ausência da emoção que a aposta provocava. Os tratamentos indicados incluem:

  • Terapia individual;
  • Terapia em grupo;
  • Terapia familiar.

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Por fim, quem identificar esses sinais em si mesmo ou em alguém próximo deve buscar ajuda de um profissional de saúde mental. O reconhecimento do problema é, de fato, o primeiro passo para a recuperação.

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