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TRATAMENTO

Escoliose em adolescentes: como identificar e quando procurar um especialista

Saiba como identificar a escoliose em adolescentes e a importância do diagnóstico precoce para um tratamento eficaz.

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Imagem ilustrativa da notícia Escoliose em adolescentes: como identificar e quando procurar um especialista camera Escoliose pode ser identificada por sinais como ombros desnivelados, cintura assimétrica e alterações na postura; diagnóstico precoce aumenta as chances de tratamento conservador. | ( Reprodução/ Depositphotos )

A escoliose é uma alteração da coluna vertebral caracterizada por uma curvatura lateral igual ou superior a 10 graus e afeta entre 2% e 3% da população mundial. O problema é mais frequente durante a infância e a adolescência, principalmente entre meninas, período em que o crescimento acelerado pode favorecer a progressão da deformidade. Especialistas alertam que o diagnóstico precoce é fundamental para evitar o agravamento do quadro e ampliar as possibilidades de tratamento sem necessidade de cirurgia.

Embora muitas pessoas associem a escoliose à má postura, especialistas explicam que essa relação nem sempre existe. A forma mais comum da doença é a escoliose idiopática do adolescente, cuja causa ainda não é conhecida.

Segundo o ortopedista especialista em coluna Renato Pinto, esse tipo da doença acomete ambos os sexos, mas apresenta maior risco de evolução nas meninas.

“A escoliose idiopática do adolescente, que é o tipo mais comum, acomete meninas e meninos, mas nas meninas há uma probabilidade significativamente maior de progressão da curva. Isso acontece principalmente por fatores hormonais, genéticos e pelo padrão de crescimento. Durante o estirão da puberdade, quando ocorre um rápido crescimento da coluna, as curvas podem aumentar de forma acelerada. Por isso, as meninas merecem um acompanhamento mais atento nessa fase.”

Escoliose em adolescentes: como identificar e quando procurar um especialista
📷 |( Reprodução/ Depositphotos )

O que é a escoliose?

A coluna vertebral possui curvaturas naturais quando observada de perfil, conhecidas como lordose e cifose. No entanto, quando vista de frente, ela deve permanecer alinhada.

A escoliose é caracterizada por um desvio lateral da coluna, formando curvas semelhantes às letras “C” ou “S”. Curvaturas de até nove graus são consideradas dentro da normalidade. A partir de 10 graus, o quadro já é classificado como escoliose.

A doença pode ser dividida em diferentes tipos:

  • Congênita: causada por má-formação da coluna desde o nascimento;
  • Neuromuscular: relacionada a doenças como paralisia cerebral, distrofia muscular e espinha bífida;
  • Idiopática: a mais frequente, sem causa conhecida, sendo subdividida em infantil, juvenil, adolescente e adulta.

Primeiros sinais costumam ser percebidos em casa

Na maioria dos casos, são os próprios familiares que observam as primeiras alterações.

Entre os principais sinais estão:

  • um ombro mais alto que o outro;
  • quadris desnivelados;
  • cintura assimétrica;
  • escápula mais saliente;
  • roupas com caimento irregular;
  • tronco inclinado;
  • alteração perceptível ao inclinar o corpo para frente.

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O ortopedista Renato Pinto destaca que a ausência de dor pode atrasar a procura por atendimento.

“Os principais sinais são assimetria dos ombros, um lado da cintura mais marcado que o outro, escápula mais saliente, inclinação do tronco e diferença na altura do quadril. Outro sinal importante é perceber que, ao inclinar o corpo para frente, um dos lados das costas fica mais elevado, formando uma espécie de ‘giba’. Vale destacar que a escoliose, principalmente na adolescência, geralmente não provoca dor. Portanto, esperar o aparecimento de dor para procurar avaliação pode atrasar o diagnóstico.”

Ortopedista especialista em coluna Renato Pinto
📷 Ortopedista especialista em coluna Renato Pinto |( Reprodução / arquivo pessoal )

O fisioterapeuta quiropata Dr. Dionatan Crescencio Vinchiguerra explica que os pais desempenham papel essencial na identificação precoce.

“A primeira avaliação começa em casa. Os pais devem observar o filho sem camisa, perceber como ele senta, como fica em pé, se um ombro é mais alto que o outro ou se a coluna aparenta estar desalinhada. Esse olhar pode fazer toda a diferença para evitar que o paciente desenvolva uma escoliose mais avançada no futuro.”

Avaliação define o tratamento

O diagnóstico começa pela avaliação clínica e é confirmado por exames de imagem.

Segundo Renato Pinto, o exame físico é complementado por radiografias da coluna em pé. “O diagnóstico começa com o exame clínico realizado pelo ortopedista, seguido de radiografias da coluna em pé, que permitem medir o grau da curvatura por meio do chamado ângulo de Cobb. Identificar a escoliose durante a fase de crescimento é fundamental porque é justamente nesse período que podemos intervir para evitar a progressão da deformidade. Após o crescimento ósseo, as possibilidades de tratamento conservador tornam-se mais limitadas.”

Na fisioterapia, a avaliação também é detalhada e individualizada. “A avaliação começa com uma anamnese completa, analisando o histórico clínico, rotina, profissão, tempo que o paciente permanece sentado, além das condições do colchão, que também influenciam na saúde da coluna. Depois realizamos avaliação estática, observando o paciente em pé e deitado, seguida da avaliação palpatória, que identifica desalinhamentos articulares e direciona todo o tratamento.”

Fisioterapia é uma das principais aliadas

O tratamento varia conforme o grau da curvatura e a idade do paciente.

De acordo com Dr. Dionatan, a fisioterapia atua desde os primeiros sinais da doença. “O papel da fisioterapia começa desde o diagnóstico. Assim que identificamos alterações nas curvaturas naturais da coluna, iniciamos o tratamento e também a prevenção. A fisioterapia é a principal responsável pelo tratamento conservador, sem necessidade de procedimentos cirúrgicos.”

O fisioterapeuta quiropata Dr. Dionatan Crescencio Vinchiguerra
📷 O fisioterapeuta quiropata Dr. Dionatan Crescencio Vinchiguerra |( Reprodução / arquivo pessoal )

Entre os recursos utilizados está a quiropraxia. “A quiropraxia é uma das técnicas mais utilizadas no tratamento da escoliose. Ela proporciona uma resposta rápida por meio das manobras articulares, favorecendo o realinhamento da coluna. Os resultados costumam ser melhores em pacientes de até 14 ou 15 anos, dependendo do grau da escoliose, mas adultos também podem apresentar uma evolução bastante significativa.”

Além da quiropraxia, exercícios específicos também fazem parte da abordagem. “A fisioterapia é bastante ampla. Exercícios como o RPG apresentam excelentes resultados no tratamento da escoliose e, em alguns casos, podem até reverter determinados quadros clínicos.”

Quando o colete ou a cirurgia são necessários?

Nem todos os pacientes precisam de procedimentos mais invasivos.

Segundo Renato Pinto, o tratamento depende da gravidade da curva e da fase de crescimento. “Quando a curva é pequena, geralmente inferior a 20 graus, costuma-se indicar apenas acompanhamento periódico com avaliações clínicas e radiográficas. Já o colete ortopédico é recomendado para adolescentes que ainda estão em fase de crescimento e apresentam curvas moderadas, normalmente entre 25 e 40 graus, especialmente quando há risco de progressão. O objetivo do colete não é corrigir a escoliose, mas impedir que ela aumente.”

Nos casos mais graves, a cirurgia passa a ser indicada. “A cirurgia costuma ser indicada quando a curva ultrapassa, em geral, 45 a 50 graus e apresenta risco de continuar progredindo, mesmo após o fim do crescimento. O procedimento busca corrigir a deformidade, estabilizar a coluna e evitar complicações futuras. Quando uma escoliose grave não é tratada, ela pode continuar evoluindo, provocar deformidades importantes, dores crônicas, desgaste precoce da coluna e, em casos muito acentuados, comprometer a função pulmonar e a qualidade de vida.”

Cuidados diários ajudam na saúde da coluna

Embora não sejam responsáveis pelo surgimento da escoliose idiopática, hábitos saudáveis contribuem para reduzir sobrecargas e melhorar o alinhamento corporal.

O fisioterapeuta orienta atenção especial à forma de dormir. “O primeiro passo é avaliar o colchão. Dormir de lado, com um travesseiro entre os joelhos, ou de barriga para cima, utilizando um travesseiro fino sob os joelhos, ajuda a manter a coluna alinhada. Já dormir de bruços deve ser evitado, pois força a rotação do pescoço e aumenta a sobrecarga na lombar.”

Durante o dia, também é importante manter boa postura.

Segundo o especialista, ao permanecer sentado, os dois pés devem ficar apoiados no chão, com os joelhos formando aproximadamente 90 graus, as costas apoiadas no encosto da cadeira e, preferencialmente, com suporte lombar. Observar a própria postura e corrigir desalinhamentos sempre que possível também faz parte da prevenção de dores e sobrecargas.

O fisioterapeuta reforça ainda que a escoliose idiopática do adolescente não é causada por má postura, mochilas pesadas, dormir de lado ou pelo uso do celular. Esses fatores podem favorecer dores musculares, mas não são responsáveis pelo desenvolvimento da doença.

Diagnóstico precoce faz diferença

Embora muitos casos permaneçam estáveis durante toda a vida, especialistas destacam que as curvas mais acentuadas podem evoluir e causar dores persistentes, limitação dos movimentos, desgaste precoce da coluna, alterações posturais e até comprometimento respiratório.

“Nem toda escoliose evolui de forma significativa, mas as curvas mais acentuadas podem levar, na vida adulta, a dores persistentes, limitação dos movimentos, desgaste precoce das articulações da coluna, alterações posturais e impacto estético. Nos casos mais graves, pode haver comprometimento da função respiratória e maior dificuldade para realizar atividades do dia a dia. Por isso, o diagnóstico precoce e o acompanhamento especializado fazem toda a diferença para preservar a saúde e a qualidade de vida do paciente”, conclui o ortopedista Renato Pinto.

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