O implante PRIMA, desenvolvido para restaurar parcialmente a visão de pessoas com degeneração macular, recebeu aprovação inédita na União Europeia e começará a ser comercializado em países do bloco. O implante PRIMA utiliza um chip na retina conectado a óculos inteligentes para devolver parte da capacidade visual a pacientes que perderam a visão central em decorrência da doença.
Criada pela empresa Science Corp., a tecnologia é composta por um chip de apenas dois milímetros implantado na retina por meio de um procedimento cirúrgico. O dispositivo funciona em conjunto com óculos equipados com uma câmera, responsáveis por captar a luz e transmitir as informações ao chip sem necessidade de fios.
O sistema substitui parcialmente a função da mácula, região central da retina responsável pela visão de detalhes e frequentemente comprometida pela degeneração macular relacionada à idade.
Segundo o oftalmologista Gustavo Gameiro, pesquisador do Bascom Palmer Eye Institute, nos Estados Unidos, o avanço representa um marco para a medicina. "Poder devolver alguma percepção visual a pessoas que perderam a visão por uma doença antes considerada irreversível é algo que parecia ficção científica há poucas décadas", afirmou.
Estudo mostrou melhora significativa da visão
A autorização para comercialização do implante foi baseada em um estudo publicado na revista científica The New England Journal of Medicine. A pesquisa acompanhou 38 pacientes com atrofia geográfica causada pela degeneração macular durante um ano.
Os resultados mostraram melhora expressiva da acuidade visual. Em média, os participantes conseguiram ler 25 letras a mais nos testes oftalmológicos utilizados para avaliar a visão.
Além disso, oito em cada dez pacientes apresentaram ganhos significativos sem perda da visão natural remanescente. Ao todo, 84% dos voluntários relataram melhora na leitura de letras, números e palavras, indicando a recuperação da chamada visão central funcional.
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Especialistas destacam que o implante ainda não produz imagens em alta resolução, mas representa um avanço importante para pessoas com baixa visão, permitindo maior independência em atividades do dia a dia.
O dispositivo ainda não foi submetido à análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e não há previsão para sua chegada ao Brasil. Atualmente, a tecnologia também está em avaliação pelas autoridades regulatórias dos Estados Unidos.
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