A Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) realizou a primeira teleconsulta do Núcleo de Telessaúde, dando início a uma nova etapa da assistência em saúde no Baixo Amazonas e Tapajós. A iniciativa, desenvolvida em parceria com o projeto Tecendo Linhas do Cuidado Integral à Saúde na Amazônia e com apoio do Ministério da Saúde, utiliza tecnologia para conectar equipes da Atenção Primária a médicos especialistas, reduzindo distâncias, qualificando atendimentos e ampliando o acesso da população aos serviços especializados do Sistema Único de Saúde (SUS).
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O primeiro atendimento ocorreu no dia 30 de junho e foi conduzido pelo nefrologista e coordenador do curso de Medicina da UFOPA, Rodrigo Rodrigues. A ação representa um marco para a saúde digital na Amazônia, especialmente em uma região onde o acesso a especialistas costuma ser limitado pelas grandes distâncias e pelos desafios logísticos.
Coordenado pelo professor Hernane Guimarães Júnior, do Instituto de Saúde Coletiva (ISCO/UFOPA), o Núcleo de Telessaúde foi estruturado em parceria com o projeto Tecendo Linhas do Cuidado Integral à Saúde na Amazônia, desenvolvido pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e pela UFOPA, com financiamento da Secretaria de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde.
O objetivo é facilitar o atendimento de pacientes que aguardam consultas especializadas por meio da telessaúde, modalidade que permite assistência médica à distância com o uso de tecnologias digitais. Além das teleconsultas, o núcleo oferece teleconsultorias entre profissionais de saúde, telediagnósticos, teleducação e segunda opinião formativa, fortalecendo o atendimento prestado pelas equipes da Atenção Primária.
Segundo Hernane Guimarães, a estratégia é especialmente importante para municípios da Amazônia, onde comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas enfrentam dificuldades de deslocamento para centros urbanos.
"A telessaúde é uma estratégia fundamental para regiões amazônicas como o Tapajós e o Baixo Amazonas, caracterizadas por grandes distâncias geográficas e desafios de transporte", destaca o coordenador.
A iniciativa começou atendendo os seis municípios participantes do projeto Tecendo — Almeirim, Prainha, Santarém, Rurópolis, Trairão e Jacareacanga —, mas já está sendo expandida para outras cidades das regiões do Baixo Amazonas e Tapajós.
Desde o início das atividades, em maio de 2025, quatro municípios aderiram oficialmente ao sistema. Profissionais de saúde passaram por capacitação para utilizar a plataforma de teleconsultoria desenvolvida pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que também apoiou a implantação do núcleo.
Até o momento, já foram realizadas quatro teleconsultorias e quatro ações de teleducação com profissionais da região. O sistema também passa a incorporar a teleodontologia, permitindo orientações e consultas remotas para cirurgiões-dentistas que atuam nas Unidades Básicas de Saúde, com foco especial no atendimento de gestantes, pessoas com diabetes e hipertensão.
Outro avanço importante foi a aprovação da UFOPA no Edital nº 3/2025 da Secretaria de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, garantindo recursos para manter e ampliar as atividades do Núcleo de Telessaúde pelos próximos três anos.
A previsão é que o projeto seja implantado inicialmente em 12 municípios estratégicos do Oeste do Pará, com possibilidade de expansão para os 20 municípios das regiões de saúde do Baixo Amazonas e Tapajós.
De acordo com Hernane Guimarães, a iniciativa permitirá reduzir filas de espera, diminuir deslocamentos desnecessários, agilizar diagnósticos e fortalecer a integração entre a universidade e o SUS.
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Mais do que aproximar profissionais de especialistas, a telessaúde representa uma alternativa para ampliar a qualidade da assistência em uma das regiões mais desafiadoras do país. Na Amazônia, onde o acesso aos serviços de saúde muitas vezes depende de longas viagens por rios e estradas, a tecnologia se torna uma aliada para garantir atendimento mais rápido, eficiente e acessível à população.
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