Nos dias mais quentes, prender o cabelo é quase um reflexo. Seja em um rabo de cavalo, coque, trança ou preso com uma presilha, o penteado ajuda a aliviar o calor, facilita a prática de atividades físicas, torna a rotina mais confortável no trabalho e até é escolhido apenas por praticidade. Para muitas mulheres, manter os fios presos durante boa parte do dia faz parte da rotina há anos.
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O problema é que um hábito tão comum pode esconder um risco pouco conhecido. Quando o cabelo permanece preso por muitas horas e com muita tensão, os fios e o couro cabeludo sofrem uma pressão constante que pode provocar quebra e até um tipo de queda de cabelo conhecido como alopecia por tração.
Alopecia por tração
Em muitos casos, os primeiros sinais passam despercebidos. Algumas pessoas acreditam que a dor no couro cabeludo após soltar o cabelo é normal. Outras notam que os fios estão quebrando na altura da xuxa ou que a linha frontal do cabelo parece menos preenchida, mas demoram a associar esses sintomas ao penteado.
Segundo a dermatologista da Hapvida, Giselle Parente Souza, o problema acontece justamente pela força exercida sobre os fios durante longos períodos.
“Os penteados muito apertados provocam inflamação ao redor dos folículos capilares, enfraquecendo-os progressivamente. Em casos prolongados, pode haver danos permanentes que dificultam ou até impedem o crescimento de novos fios”, explica.

Fique de olho nos sinais
A especialista ressalta que a alopecia por tração é uma perda de cabelo causada pela força excessiva e repetitiva exercida sobre os fios. Os primeiros sinais costumam aparecer de forma discreta, mas merecem atenção.
“O afinamento do cabelo, principalmente na região frontal e nas laterais do couro cabeludo, além de sensibilidade, dor, vermelhidão, descamação e fios quebrados ou mais curtos nessas áreas são alguns dos sinais. Quanto mais cedo o problema for identificado, maiores são as chances de reversão", explica ela.
Embora qualquer pessoa possa desenvolver a condição, alguns grupos estão mais suscetíveis. Mulheres que usam rabos de cavalo, coques, tranças ou alongamentos com frequência estão entre as mais afetadas. Crianças e adolescentes que praticam esportes, balé, ginástica ou dança e mantêm os cabelos presos diariamente também podem apresentar esse tipo de queda. Quem realiza procedimentos químicos com frequência também precisa redobrar os cuidados, já que os fios ficam mais fragilizados.
Além da tensão provocada pelo penteado, alguns hábitos aumentam ainda mais o risco de danos. “Manter o cabelo preso com muita força por longos períodos, usar megahair ou extensões muito pesadas, fazer tranças muito apertadas, prender sempre no mesmo lugar, dormir com o cabelo preso e utilizar acessórios que puxam excessivamente os fios favorecem tanto a quebra quanto a queda capilar”, alerta a dermatologista.
Dor no couro cabeludo chamou a atenção
Foi exatamente isso que aconteceu com a empreendedora Mariana Oliveira, de 24 anos. Durante anos, prender o cabelo fazia parte da rotina.
“Eu fazia praticamente um penteado diferente todos os dias, sempre muito apertado. Passava horas com o cabelo preso e, quando soltava, ele ficava bem marcado. Com o tempo, percebi que os fios estavam quebrando exatamente onde a xuxa ficava", lembra ela.

No início, ela não imaginava que o hábito pudesse estar prejudicando os cabelos. Aos poucos, porém, vieram outros sintomas.
“Enquanto meu cabelo estava preso, o couro cabeludo doía bastante. Quando eu soltava, a dor diminuía. Também percebi que meu cabelo ficou muito mais fino e a queda aumentou, principalmente durante o banho", recorda ela.
Ao relacionar o problema aos penteados, decidiu mudar completamente a forma de cuidar dos fios. “Passei a evitar prender o cabelo sempre que possível. Quando preciso, uso apenas xuxas grossas, revestidas de tecido, que não apertam tanto. Também procurei um dermatologista, comecei um tratamento com vitaminas e melhorei minha alimentação", explica.
Mudanças trouxeram resultados
Mariana Oliveira conta que mudanças simples fizeram a diferença e trouxeram resultados positivos. “Hoje meu cabelo está mais forte, mais cheio e praticamente deixou de quebrar naquela região. Também passei a pentear os fios com mais cuidado, evitar excesso de produtos como spray e gel e deixo o cabelo secar naturalmente sempre que possível", afirma.
A boa notícia é que, quando identificada no início, a alopecia por tração costuma ter tratamento e pode ser revertida. Segundo a dermatologista, o primeiro passo é eliminar ou reduzir o fator que está provocando a tração.
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“Dependendo do grau do comprometimento, o dermatologista pode indicar tratamentos tópicos ou orais para estimular o crescimento dos fios e controlar a inflamação local. Em situações mais avançadas, quando já houve destruição permanente dos folículos, pode ser necessário considerar procedimentos como transplante capilar", alerta ela.
Para evitar o problema, não é necessário deixar de prender o cabelo, mas sim adotar alguns cuidados na rotina. A orientação da especialista é alternar os penteados, evitar prender os fios sempre na mesma região, escolher elásticos revestidos de tecido e nunca apertar o cabelo a ponto de provocar dor são medidas simples que ajudam a preservar a saúde capilar.
“Os fios devem ser presos de forma confortável. Também é importante deixá-los soltos sempre que possível para que o couro cabeludo tenha períodos de descanso. Caso a pessoa perceba queda persistente, afinamento ou áreas de rarefação, é fundamental procurar avaliação dermatológica”, finaliza a dermatologista.
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