Envelhecer não significa necessariamente perder o controle da própria rotina. Pelo contrário, para muitos especialistas, a terceira idade pode (e deve) ser um período de manutenção da autonomia, desde que com os devidos cuidados e adaptações.
Com o aumento da expectativa de vida, cresce também a preocupação de famílias e profissionais de saúde sobre como garantir segurança sem comprometer a independência de pessoas com mais de 60 anos. O tema tem ganhado espaço no debate sobre envelhecimento saudável e qualidade de vida.
“Com o aumento da expectativa de vida e com o envelhecimento contínuo da população, promover a autonomia é uma forma de manter essas pessoas ativas e atuantes na sociedade”, explica o médico Alberto Condi.
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Segundo o especialista, ainda existem desafios importantes no fortalecimento de políticas públicas e na adaptação das cidades para essa realidade, como melhorias em calçadas, acessibilidade e transporte público. Para ele, estimular a convivência social e a participação em tarefas cotidianas também é essencial para a qualidade de vida na terceira idade.
Cuidado e a autonomia
O médico destaca que, embora o acompanhamento seja fundamental, especialmente em casos de maior fragilidade, o excesso de proteção pode acabar prejudicando a autoconfiança do idoso. “O cuidado e a segurança são essenciais, mas não podem interferir na autonomia de cada pessoa”, reforça Condi.
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Ele lembra ainda que muitos idosos enfrentam situações de invalidação social e familiar, o que pode impactar diretamente sua autoestima e independência.
Dicas para estimular a autonomia
Entre as recomendações do especialista para promover um envelhecimento mais ativo estão ações simples, mas fundamentais no dia a dia:
- Adaptação: adequar o ambiente para reduzir riscos e aumentar a segurança
- Respeito ao tempo: compreender o ritmo e as limitações individuais
- Incentivo: estimular a tomada de decisões próprias
- Cotidiano: permitir a participação em tarefas diárias
- Convívio: fortalecer relações familiares e sociais
- Supervisão: oferecer apoio apenas quando necessário
“O mais importante é supervisionar a pessoa idosa e ajudar sempre que necessário, sem invalidar sua capacidade”, resume o médico.
Para ele, envelhecer não deve ser confundido com adoecer, embora existam limitações naturais do processo. A chave está na adaptação individual e no respeito às condições de cada pessoa.
“Envelhecimento é diferente de doença. Haverá limitações naturais, mas a adaptação às necessidades individuais é essencial”, completa Condi.
No cotidiano, essa teoria ganha forma na experiência de quem vive a terceira idade. O aposentado Antônio Ferreira, de 74 anos, afirma que a independência ainda é parte essencial da sua rotina.
“Eu gosto de fazer minhas coisas sozinho. Claro que meus filhos ajudam quando preciso, mas gosto de me sentir útil. Ainda cuido do meu jardim e vou ao mercado a pé quando dá”, conta.
Ele diz que a autonomia influencia diretamente sua autoestima e sua forma de encarar o envelhecimento.
“Quando a gente deixa tudo na mão dos outros, parece que perde um pouco da identidade. Eu me sinto melhor quando consigo resolver minhas coisas.”
Com o tempo, segundo ele, a família também aprendeu a equilibrar cuidado e liberdade. “No começo eles queriam fazer tudo por mim. Hoje entenderam que eu posso participar das coisas, só preciso de um pouco mais de cuidado às vezes.”
Para Seu Antônio, envelhecer bem é continuar vivendo com propósito. “A idade chega, mas a vida continua. A gente só precisa aprender a se adaptar.”
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