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MAIO VERMELHO

Tabagismo volta a crescer no Brasil e acende alerta à saúde

Crescimento alarmante de fumantes no Brasil revela riscos maiores de câncer bucal. Entenda o que está em jogo agora mesmo.

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Imagem ilustrativa da notícia Tabagismo volta a crescer no Brasil e acende alerta à saúde camera A doença pode acometer língua, gengivas, lábios, céu da boca e parte interna das bochechas. | Reprodução/ Freepik

Depois de quase duas décadas de queda, o Brasil volta a registrar crescimento no número de fumantes, acendendo um alerta para doenças associadas ao tabaco, como o câncer de boca. Dados da Vigitel, que é a maior pesquisa sobre a saúde dos brasileiros, feita pelo Ministério da Saúde, por telefone, indicam um crescimento alarmante no período de um ano, de 2023 para 2024. Em 2006, quando a pesquisa anual começou, 15,7% dos brasileiros com mais de 18 anos se declaravam fumantes e, ao longo de 18 anos, esse percentual só caiu, chegando a 9,2% em 2023. Só que agora, com a divulgação dos dados da última Vigitel, com questionário aplicado em 2024, o percentual de adultos que se declaram fumantes teve um crescimento significativo, atingindo 11,5% dos brasileiros.

A cirurgiã-dentista Gabriela Avertano Rocha, do Centro de Tratamento Oncológico (CTO), especialista em estomatologia, aponta o crescimento acelerado do uso dos dispositivos eletrônicos para fumar como causa dessa mudança preocupante. “As políticas públicas de combate ao tabagismo foram consideradas bem-sucedidas por décadas no Brasil. Mas, nos últimos anos, qualquer um percebe o crescimento do uso dos vapes, principalmente entre jovens. Observamos uma mudança de comportamento impulsionada pela percepção equivocada de que esses dispositivos seriam menos nocivos do que o cigarro comum. Essa interpretação reduz a percepção de risco e favorece a iniciação. Esses dispositivos viciam rapidamente e explicam a retomada do crescimento do tabagismo no Brasil. Nossos jovens estão expostos a substâncias potencialmente prejudiciais à saúde”, explica a especialista.

A pesquisa PeNSE, feita pelo IBGE, mostra que os vapes já atingem fortemente os adolescentes brasileiros. Foram ouvidos mais de 12 milhões de estudantes de 13 a 17 anos, de todo o Brasil, das redes pública e privada, e o resultado é muito preocupante: 30% dos entrevistados já experimentaram vapes.

O tema ganha ainda mais relevância durante o Maio Vermelho, campanha de conscientização sobre o câncer oral, frequentemente diagnosticado em estágios avançados e que tem como principal fator de risco é o tabagismo. A doença pode acometer língua, gengivas, lábios, céu da boca e parte interna das bochechas.

A estudante de jornalismo Rafaela Soeiro, de 26 anos, conta que começou a fumar aos 18 anos e hoje acumula cerca de oito anos de uso de tabaco. Ela diz que o consumo varia conforme o estresse do dia a dia e que, em média, fuma de quatro a cinco cigarros de palha por dia. “Eu comecei a fumar mais tarde do que meu irmão, que iniciou aos 14 anos. Hoje me considero uma fumante que tenta ter mais consciência, mas ainda assim é um hábito que faço uso principalmente em momentos de estresse”, relata.

Rafaela afirma que sente mais vontade de fumar no fim do expediente, quando encerra o trabalho e chega em casa, no final do dia. Segundo ela, esse momento de transição entre trabalho e rotina é quando o consumo se torna mais frequente.

Ela também destaca o histórico familiar ligado ao tabagismo. “Meu avô era fumante e acabou falecendo por conta disso. Então eu tenho essa referência dentro da família e tento lidar com isso com mais cuidado”, diz.

Apesar disso, Rafaela admite sentir pressão social para abandonar o cigarro, especialmente por ser mulher. “Eu sinto que existe muito julgamento. As pessoas cobram mais a mulher fumante. Isso pesa”, afirma.

A estudante reconhece que já tentou reduzir o consumo, mas aponta o estresse como principal dificuldade para parar. “O que mais me dificulta é encontrar outra forma de lidar com o estresse. O cigarro acaba virando uma válvula de escape”, conclui.

NOVOS CASOS

Segundo o INCA, o Brasil deve registrar cerca de 17.190 novos casos anuais no triênio 2026–2028. “O câncer oral é um importante problema de saúde pública, principalmente por sua evolução silenciosa. Em muitos casos, os sinais iniciais são pouco valorizados, o que faz com que o paciente procure atendimento já em fases mais avançadas, exigindo tratamentos mais complexos e com maior impacto funcional e estético”, destaca Gabriela.

Além do impacto clínico, o tabagismo gera custos significativos. Dados do INCA apontam que, para cada R$ 1 de lucro da indústria do tabaco, o sistema de saúde gasta mais de R$ 5 com doenças relacionadas, totalizando despesas de cerca de R$ 153 bilhões ao ano.

Câncer de boca e sinais de alerta

  • Feridas na boca que não cicatrizam em até 15 dias
  • Manchas brancas ou avermelhadas persistentes
  • Dor ou dificuldade para mastigar e engolir
  • Sensação de corpo estranho na garganta
  • Dormência na cavidade oral
  • Ínguas persistentes no pescoço
  • Halitose constante

“Lesões persistentes na cavidade oral, especialmente aquelas que não cicatrizam dentro do período esperado, devem ser consideradas sinais clínicos relevantes. A manutenção desses quadros exige investigação imediata”, reforça a especialista.

Câncer de boca e fatores de risco

  • Tabagismo (incluindo cigarros eletrônicos, narguilé e tabaco mascado)
  • Consumo excessivo de álcool
  • Exposição solar sem proteção (câncer de lábio)
  • Dieta pobre em nutrientes
  • Infecção por HPV

A associação entre álcool e tabaco potencializa significativamente o risco.

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Diagnóstico e prevenção

O diagnóstico é feito por exame clínico, com confirmação por biópsia. Quando diagnosticado precocemente, o câncer de boca apresenta altas taxas de cura. “O exame clínico da cavidade oral é uma ferramenta simples, porém extremamente estratégica dentro da prática clínica. A identificação de alterações iniciais permite intervenções mais precoces e menos invasivas, impactando diretamente na sobrevida e na qualidade de vida dos pacientes”, explica Gabriela.

A prevenção envolve abandono do tabaco, moderação no álcool, alimentação equilibrada e acompanhamento regular. “O câncer oral não surge de forma súbita. Ele evolui a partir de alterações progressivas que, quando reconhecidas a tempo, permitem uma abordagem eficaz. A conscientização da população sobre esses sinais é fundamental para reduzir os índices de diagnóstico tardio e, consequentemente, a mortalidade associada à doença”, conclui.

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