A Rede Global de Vírus (GVN), entidade internacional que reúne centros de pesquisa em virologia, informou que está monitorando uma nova variante do coronavírus, a BA.3.2, apelidada de “Cicada”. Apesar das características observadas até o momento, a organização ressalta que não há motivo para alarme.
De acordo com a GVN, análises preliminares indicam que a BA.3.2 possui características de escape de anticorpos, mecanismo que pode aumentar a chance de infecção ou reinfecção. No entanto, a entidade destaca que não há evidências de que isso reduza a proteção contra casos graves da doença.
Em nota, o grupo afirmou que essas mudanças são compatíveis com a evolução natural do SARS-CoV-2 e de outros vírus respiratórios, reforçando que o cenário atual não justifica preocupação pública exacerbada.
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O que se sabe sobre a variante “Cicada”
A BA.3.2 é uma linhagem do coronavírus considerada “altamente divergente”, com cerca de 70 a 75 mutações na proteína spike, estrutura que permite ao vírus se ligar às células humanas. O dado foi divulgado pelo CDC.
O apelido “Cicada” (cigarra, em português) surgiu porque a variante reapareceu em maior número após um período sem detecção, em analogia ao comportamento do inseto, que emerge em massa após longos intervalos.
Segundo o CDC, a primeira identificação ocorreu na África do Sul, em 22 de novembro de 2024. Até 11 de fevereiro de 2026, a variante já havia sido detectada em 23 países, com aumento de registros a partir de setembro de 2025. Até o momento, não há confirmação de casos no Brasil.
Monitoramento e sintomas
A vigilância da nova linhagem é feita por meio de sequenciamento genômico, análise de esgoto e testagem em viajantes, estratégias utilizadas para identificar rapidamente a circulação do vírus.
Os sintomas associados à BA.3.2 são semelhantes aos de outras variantes recentes da covid-19, incluindo dor de garganta, tosse, congestão nasal, fadiga, dor de cabeça e febre. Também há relatos de sintomas gastrointestinais, como náusea e diarreia.
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Vacinas seguem relevantes, dizem especialistas
Especialistas apontam que, embora a distância genética da variante possa reduzir a eficácia das vacinas atuais, desenvolvidas com base em linhagens da Ômicron, como a JN.1, a proteção contra formas graves da doença deve ser mantida.
Para o pesquisador Brandon Dionne, da Northeastern University, o elevado número de mutações chama atenção e reforça a necessidade de acompanhamento contínuo. Já Neil Maniar, da mesma instituição, destaca que o foco deve permanecer na proteção de grupos mais vulneráveis.
Especialistas concordam que, neste momento, não há motivo para pânico, mas sim para monitoramento. Existe a possibilidade de a BA.3.2 se tornar dominante no futuro, embora esse cenário ainda não tenha se concretizado.
O CDC reforça que acompanhar a disseminação da variante é essencial para entender seu potencial de escapar da imunidade adquirida por infecção prévia ou vacinação.
Recomendações
A orientação segue semelhante à adotada para outras variantes: manter a vacinação em dia, testar em caso de sintomas e evitar contato com outras pessoas ao testar positivo.
O pesquisador Rajendram Rajnarayanan, do New York Institute of Technology College of Osteopathic Medicine, recomenda isolamento até a recuperação e, quando necessário, o uso de máscaras de alta filtragem, como a N95. A covid-19 já integra o conjunto de doenças respiratórias comuns, exigindo atenção contínua, especialmente entre grupos de maior risco.
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