plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 30°
cotação atual R$


home
VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Duas mulheres são libertadas de cárcere privado no Pará

Resgate no Marajó e ação do Ciop em Paragominas reforçam importância da denúncia em casos de cárcere privado.

twitter Google News
Imagem ilustrativa da notícia Duas mulheres são libertadas de cárcere privado no Pará camera Vítimas eram mantidas sob ameaças e agressões, além de impedidas de deixar os imóveis; os dois agressores foram presos e estão à disposição da Justiça. | Divulgação/PCPA

Em um estado de dimensões continentais, onde rios conectam comunidades e também, por vezes, isolam histórias, a violência contra a mulher continua a desafiar autoridades e romper o silêncio apenas quando chega ao limite. No Pará, dois casos de cárcere privado registrados em menos de 48 horas - um no arquipélago do Marajó e outro no sudeste do estado - revelam não apenas a brutalidade dos agressores, mas também a urgência de mecanismos eficazes de proteção e resposta.

O primeiro caso ocorreu na comunidade Ermon, localizada no Furo do Macaco, no arquipélago do Marajó. A vítima foi resgatada no sábado (25), após ser mantida em cárcere privado pelo companheiro. A ação foi coordenada por equipes da Base Fluvial Antônio Lemos, instalada em Breves e vinculada à Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Segup).

CONTEÚDO RELACIONADO

MARAJÓ: DENÚNCIA E RESGATE EM ÁREA RIBEIRINHA

A operação teve início a partir da denúncia do irmão da vítima, que relatou um cenário de violência contínua: ameaças com arma de fogo, agressões físicas e o confinamento da mulher, impedida de sair de casa pelo suspeito.

Quer mais notícias de polícia? Acesse o canal do DOL no WhatsApp.

Diante da gravidade das informações, uma guarnição do Grupamento Fluvial de Segurança Pública (GFlu), com apoio das polícias Militar e Civil, se deslocou até o endereço indicado. No local, a vítima confirmou os abusos. O agressor foi localizado nas proximidades da residência, apresentando sinais de embriaguez. Ele recebeu voz de prisão e foi conduzido à autoridade policial, onde permanece à disposição da Justiça.

PARAGOMINAS: SEGUNDO CASO REFORÇA ALERTA

Um segundo caso de cárcere privado foi registrado em Paragominas, no sudeste paraense. A ocorrência mobilizou o Centro Integrado de Operações (Ciop), ligado à Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup), que atuou no resgate de uma mulher que era mantida em cárcere privado pelo ex-companheiro.

De acordo com informações encaminhadas ao Núcleo Integrado de Operações (Niop), a vítima permanecia trancada dentro do imóvel e sem acesso à alimentação. As equipes de segurança foram até a região de Sidilândia, onde localizaram o suspeito. Ao notar a presença da guarnição da Polícia Militar, ele fugiu. Diante disso, foi organizada uma força-tarefa para capturá-lo. O homem acabou sendo preso na sexta-feira (24), em uma área conhecida como Açaizal, e conduzido à Delegacia de Paragominas, onde permanece à disposição da Justiça.

Em depoimento, a vítima relatou que foi levada à força até o imóvel, onde passou a ser ameaçada pelo suspeito, inconformado com o término do relacionamento. Ela também afirmou ter sofrido agressões físicas e, posteriormente, foi mantida trancada durante todo o dia, sem receber alimentação. Após o resgate, a mulher passou a contar com acompanhamento e suporte dos órgãos de segurança pública.

ATUAÇÃO INTEGRADA E PRESENÇA EM ÁREA ISOLADAS

De acordo com o secretário de Segurança Pública, Ed-Lin Anselmo, os casos refletem a capacidade de resposta das forças de segurança, inclusive em regiões de difícil acesso, como o Marajó.

Segundo ele, o trabalho integrado entre diferentes órgãos tem sido fundamental para interromper ciclos de violência e garantir proteção às vítimas. A presença de bases fluviais e o reforço em áreas remotas são estratégias que buscam ampliar o alcance das ações e evitar que casos como esses permaneçam invisíveis.

"Mais uma vez, damos uma resposta rápida a casos de violência contra a mulher, e não vamos parar. Incentivamos que as denúncias sejam feitas para que vidas sejam salvas e possamos interromper ciclos de violência doméstica. Temos intensificado nossas ações, inclusive em áreas mais remotas, como o Marajó, para garantir que nenhuma vítima fique sem assistência", afirmou o titular da Segup.

TECNOLOGIA E REDE DE PROTEÇÃO

Entre as iniciativas recentes, destaca-se o programa SOS Mulher 190, lançado em abril, que representa um avanço no atendimento às vítimas. A ferramenta permite que mulheres cadastradas acionem o serviço de emergência sem precisar falar, sendo automaticamente identificadas pelo sistema.

A partir do chamado, atendentes do Ciop passam a monitorar a localização da vítima em tempo real, enviando uma guarnição ao local. A proposta é garantir agilidade e segurança, especialmente em situações em que a vítima não pode se comunicar livremente.

Outro eixo importante é o programa Pró-Mulher, criado em 2022, que já ultrapassou a marca de 18 mil atendimentos em todo o estado. A iniciativa reúne ações de prevenção, acolhimento, orientação e repressão qualificada aos crimes de violência de gênero.

A estrutura conta com 39 viaturas e duas lanchas rosas, ampliando o atendimento em áreas urbanas e ribeirinhas, além de fortalecer a rede de proteção com serviços especializados.

DENUNCIAR AINDA É O PASSO MAIS DECISIVO

Os dois casos recentes reforçam um ponto central no enfrentamento à violência doméstica: a denúncia continua sendo o principal instrumento para romper o ciclo de abuso. Seja por familiares, vizinhos ou pelas próprias vítimas, o acionamento das autoridades permite a intervenção do Estado e pode ser decisivo para salvar vidas.

Em um contexto onde o medo, a dependência emocional e o isolamento ainda silenciam muitas mulheres, iniciativas que garantam acesso rápido à ajuda e presença efetiva das forças de segurança se tornam não apenas necessárias, mas urgentes.

CANAIS DE DENÚNCIA E PROTEÇÃO À MULHER

Mulheres em situação de violência ou qualquer pessoa que presencie casos podem acionar diferentes canais de ajuda disponíveis no Pará e em todo o Brasil. O atendimento é gratuito e, em muitos casos, pode ser feito de forma anônima:

  • Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180: funciona 24 horas por dia, em todo o país, com orientação, acolhimento e encaminhamento para serviços especializados.
  • Polícia Militar – 190: para situações de urgência ou risco iminente.
  • Disque Denúncia – 181: permite registrar denúncias de forma anônima.
  • SOS Mulher 190: ferramenta integrada que possibilita acionamento rápido da polícia, inclusive sem necessidade de fala, após cadastro prévio no site da Segup.
  • Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM): atendimento presencial e investigação de crimes de violência doméstica.
  • DEAM Virtual: registro de ocorrências e solicitação de medidas protetivas pela internet.
VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

tags

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Polícia

    Leia mais notícias de Polícia. Clique aqui!