Em um cenário onde o crime organizado expande suas rotas e estruturas para além das fronteiras estaduais, o Pará volta ao centro das atenções das forças de segurança. A atuação estratégica no estado evidencia o papel logístico da região em esquemas ilícitos e reforça a necessidade de ações integradas para conter o avanço dessas organizações.
As forças de segurança do Pará, em conjunto com o Amapá, deflagraram nesta terça-feira (31) a operação Abadom, voltada ao combate ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro. O principal alvo é um integrante da Guarda Civil Municipal de Marituba, apontado como peça central no esquema criminoso.
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PARÁ CONCENTRA AÇÕES E INVESTIGAÇÕES
O Pará concentra parte significativa das ações da operação, sendo identificado como origem do envio de drogas para o estado vizinho. Ao todo, foram expedidos 64 mandados de busca e apreensão e 54 de prisão preventiva, com cumprimento em diversos estados.
Até o momento, 42 pessoas foram presas. Alguns dos alvos já estavam no sistema prisional e receberam novos mandados, enquanto outros permanecem foragidos.
GUARDA MUNICIPAL É APONTADO COMO LÍDER
Segundo as investigações, o principal alvo da operação é o guarda civil municipal Pedro de Moares Santos, de 43 anos. Ele é apontado como um dos líderes da facção Família Terror do Amapá e principal fornecedor de drogas para o território amapaense. A esposa dele, identificada como Ana Paula Pinheiro de Souza, também está entre os investigados.
De acordo com as autoridades, ele utilizava o cargo público no Pará como proteção para suas atividades ilícitas, chegando a demonstrar desprezo pelas instituições. Apesar de ser alvo de mandado de prisão, o suspeito não foi localizado e segue foragido.
ROTA DO TRÁFICO PARTIA DO PARÁ
De acordo com o delegado Bruno Benassuly, da Polícia Civil do Pará, a operação é resultado de um trabalho investigativo iniciado ainda em 2023, após a prisão de um dos líderes da organização criminosa.
A partir dessa detenção, as autoridades passaram a monitorar a movimentação financeira do suspeito, o que permitiu identificar outros integrantes do esquema. O rastreamento revelou uma estrutura articulada de envio de drogas e ocultação de recursos ilícitos. As apurações indicam que o esquema criminoso tinha como base o Pará, de onde partiam carregamentos de cocaína e crack com destino ao Amapá.
Além do tráfico, o grupo atuava na lavagem de dinheiro, utilizando depósitos fracionados, "laranjas" e empresas de fachada para ocultar a origem ilícita dos recursos.
BENS DE ALTO VALOR APREENDIDOS
A operação também avançou sobre o patrimônio dos investigados. Foram determinadas dez suspensões de atividades de pessoas jurídicas, além do sequestro de bens móveis e imóveis, dificultando o rastreamento dos valores pelas autoridades.
Entre os itens atingidos estão veículos blindados, imóveis de alto padrão e ativos financeiros, indicando o alto nível de capitalização da organização. Também foram recolhidos aparelhos eletrônicos, como computadores e celulares, que passarão por perícia para aprofundar as investigações.
FORÇA-TAREFA COM ATUAÇÃO NO ESTADO
A ofensiva é coordenada pelas polícias civis, com apoio das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCO), além da participação da Polícia Militar e da Polícia Federal.
A operação reforça o papel estratégico do Pará no enfrentamento ao crime organizado na região Norte, tanto como ponto de origem quanto como foco das ações de repressão.
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