No vaivém silencioso das embarcações que cruzam os rios da Amazônia, onde cargas e passageiros dividem espaço com histórias invisíveis, a fiscalização segue como linha tênue entre a legalidade e o crime ambiental. Foi nesse cenário, em pleno curso das rotas hidroviárias do oeste paraense, que uma abordagem de rotina revelou um dos maiores flagrantes recentes de transporte ilegal de animais silvestres na região.
Mais de 140 animais silvestres foram interceptados durante fiscalização realizada na última quinta-feira (12), no município de Óbidos. A ação ocorreu em uma embarcação que fazia o trajeto entre Manaus (AM) e Belém (PA), após agentes identificarem indícios de irregularidade no camarote de um dos passageiros.
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REVISTA EM CAMAROTE
Inicialmente, foram localizados 11 animais - dez primatas de diferentes espécies e um gato-marisco - acompanhados de documentação válida para transporte interestadual. Os animais tinham origem no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas/Ibama) e seguiriam para um centro especializado em Benevides, na Região Metropolitana de Belém.
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No entanto, durante uma revista minuciosa no mesmo camarote, os agentes encontraram outros 136 animais mantidos de forma clandestina, sem qualquer autorização legal. Entre eles estavam 100 filhotes, 30 quelônios adultos, duas serpentes e quatro filhotes de jacaré. Além da ausência de documentação, os animais estavam acondicionados de maneira inadequada, o que pode caracterizar maus-tratos e agravar o crime ambiental.

IBAMA CONFIRMA IRREGULARIDADE
Após contato com a chefia do Cetas/Ibama no Amazonas, foi confirmado que os animais encontrados de forma irregular não eram reconhecidos pelo órgão. Diante da situação, o responsável pelo transporte foi detido e encaminhado à Delegacia de Polícia Civil de Óbidos, onde prestou depoimento e permaneceu à disposição da Justiça.
Os animais apreendidos foram encaminhados sob escolta para o município de Santarém, com apoio de órgãos ambientais, onde passarão por avaliação e os procedimentos adequados.
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