plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 27°
cotação atual R$


home
VÍCIO EM APOSTAS

Apostas on-line ameaçam saúde mental e causam estragos na renda familiar 

Especialistas alertam que o hábito de apostar pode evoluir para compulsão, causando impactos na saúde mental, nas finanças e nos relacionamentos

twitter Google News
Imagem ilustrativa da notícia Apostas on-line ameaçam saúde mental e causam estragos na renda familiar  camera Além dos prejuízos individuais, o avanço desse tipo de prática também produz reflexos na economia | Reprodução

O crescimento das plataformas de apostas on-line, conhecidas popularmente como “bets”, tem acendido um alerta entre especialistas. O que para muitas pessoas começa como uma forma de entretenimento pode evoluir para um comportamento compulsivo, capaz de comprometer a saúde mental, desestruturar as finanças e afetar relacionamentos familiares, sociais e profissionais.

Além dos prejuízos individuais, o avanço desse tipo de prática também produz reflexos na economia, reduzindo o consumo das famílias e dificultando o planejamento financeiro. Psicólogos e economistas reforçam que o problema vai muito além das perdas financeiras: trata-se de uma questão de saúde pública.

Quando apostar deixa de ser lazer?

Segundo o psicólogo e professor universitário Miguel Assis, especialista em Saúde Mental e Clínica Humanista, dois fatores são determinantes para identificar quando o hábito deixa de ser apenas recreativo.

“O primeiro é a continuidade. A pessoa passa a apostar de forma constante. O segundo é a fixação. Ela fica cada vez mais presa à ideia de ganhar dinheiro de forma rápida e fácil”, explica.

De acordo com o especialista, essa necessidade crescente leva o indivíduo a adotar comportamentos cada vez mais preocupantes.

“Ela começa a pedir dinheiro emprestado, vender objetos de casa e buscar qualquer forma de conseguir recursos para continuar jogando. Nesse momento, o comportamento deixa de ser prazeroso e passa a ser doentio.”

Miguel Assis, psicólogo e  especialista em Saúde Mental e Clínica Humanista
📷 Miguel Assis, psicólogo e especialista em Saúde Mental e Clínica Humanista |Reprodução

Sinais de que a dependência está se instalando

Os primeiros sinais podem ser percebidos tanto pelas pessoas próximas quanto pelo próprio apostador.

Miguel Assis destaca que um dos principais sintomas é a incapacidade de ficar longe das plataformas de apostas. “A pessoa baixa vários aplicativos de apostas no celular e sente necessidade constante de acessá-los.”

Além disso, mudanças na rotina tornam-se frequentes. O especialista cita o isolamento social, a perda de interesse pelas atividades diárias, o descuido com o trabalho e a dificuldade de manter a atenção em outras tarefas.

Já sob o aspecto financeiro, a economista Laís Lima aponta que um dos primeiros alertas é quando o dinheiro destinado às despesas básicas passa a ser utilizado para apostar.

“Outro indicativo importante é precisar recorrer ao cartão de crédito, empréstimos ou cheque especial para continuar jogando.”

Ela também chama atenção para um comportamento muito comum entre pessoas que desenvolvem dependência.

“Também preocupa quando a pessoa aumenta o valor das apostas na tentativa de recuperar perdas anteriores. Esse comportamento costuma gerar um ciclo muito perigoso, porque as perdas tendem a aumentar em vez de diminuir.”

Segundo a economista, esconder gastos da família, atrasar contas e acreditar que a próxima aposta resolverá todos os problemas financeiros também são sinais claros de alerta.

“Quando a aposta deixa de ser uma escolha eventual e passa a controlar as decisões financeiras da pessoa, ela já representa um risco importante.”

O que acontece no cérebro?

Do ponto de vista psicológico, a dependência está diretamente relacionada aos mecanismos de recompensa do cérebro. Miguel Assis explica que, no início, a experiência desperta sensações intensas de prazer e expectativa.

“O cérebro passa a reconhecer aquela atividade como algo positivo. A pessoa sente prazer em jogar e vai buscando repetir essa sensação continuamente.”

Esse funcionamento faz com que o indivíduo permaneça conectado praticamente o tempo todo. “Ela está almoçando e jogando. Vai dormir jogando. Está viajando de ônibus e continua jogando. Aos poucos, o cérebro passa a entender que aquilo é uma necessidade.”

Ansiedade, depressão e estresse podem surgir

A compulsão pelas apostas também está associada ao desenvolvimento de transtornos emocionais.

Segundo Miguel Assis, a ansiedade faz parte da experiência humana, mas pode ultrapassar os limites considerados saudáveis. “A pessoa fica tão ansiosa para jogar e para ganhar que essa ansiedade deixa de ser natural e passa a ser patológica.”

Com isso, hábitos importantes começam a ser abandonados. “O indivíduo deixa de dormir, de se alimentar adequadamente, de conviver com outras pessoas e reorganiza toda a rotina em função das apostas.”

Quando as perdas financeiras aumentam e o controle sobre o comportamento diminui, sentimentos de frustração e desesperança podem favorecer quadros depressivos.

“Ela percebe que perdeu dinheiro, que não consegue mais recuperar os prejuízos e começa a entrar em sofrimento psicológico.”

Impactos na família, no trabalho e nas relações

As consequências da dependência não ficam restritas ao apostador. Segundo Miguel Assis, o isolamento social costuma ser um dos primeiros efeitos percebidos.

“Os momentos em família diminuem. A pessoa deixa de conversar, de participar das refeições, de estar presente com amigos, companheiros e familiares.”

Quer saber mais notícias de saúde? Acesse nosso canal no WhatsApp

No ambiente profissional, também surgem dificuldades.

“O rendimento cai, aparecem distrações constantes, faltas e perda de produtividade.” O especialista explica que, muitas vezes, familiares e amigos tentam alertar sobre o problema, mas encontram resistência.

“Como o cérebro passou a reconhecer o jogo como algo positivo, o apostador acredita que os outros estão exagerando. Isso gera conflitos e acaba afastando as pessoas.”

Laís Lima,  economista Laís
📷 Laís Lima, economista Laís |Reprodução

O impacto também chega à economia

Para a economista Laís Lima, os prejuízos provocados pelas apostas não afetam apenas o orçamento doméstico.

“Quando uma parcela significativa da renda das famílias deixa de circular no consumo tradicional, diversos setores podem sentir esse impacto.”

Segundo ela, comércio, restaurantes, turismo, prestação de serviços e pequenos empreendedores podem registrar redução no consumo, já que parte do dinheiro deixa de movimentar a economia local.

“Do ponto de vista macroeconômico, isso altera a circulação da renda. Recursos que poderiam ser destinados à compra de produtos, serviços ou investimentos passam a alimentar plataformas de apostas.”

Planejamento financeiro fica comprometido

Além das perdas imediatas, o hábito compromete a construção de uma vida financeira saudável.

Laís Lima explica que os impactos acontecem em três frentes principais. Primeiro, reduz a capacidade de consumo consciente, já que parte da renda passa a ser direcionada para uma atividade de alto risco.

Depois, dificulta ou impede a formação de uma reserva financeira para situações de emergência.

Por fim, compromete completamente o planejamento financeiro.

“Quem aposta regularmente muitas vezes deixa de trabalhar com metas, orçamento e objetivos de longo prazo, substituindo decisões planejadas pela expectativa de ganhos rápidos.”

Ela reforça que a estabilidade financeira não depende da sorte.

“Na educação financeira existe uma ideia muito importante: riqueza sustentável é construída pela constância e pelo planejamento, não pela sorte.”

Quem está mais vulnerável?

Embora qualquer pessoa possa desenvolver dependência, alguns grupos merecem atenção especial.

Segundo Laís Lima, os jovens estão entre os mais expostos devido ao grande volume de publicidade nas redes sociais, onde as apostas costumam ser apresentadas como uma forma simples e rápida de ganhar dinheiro.

Pessoas que enfrentam dificuldades financeiras também figuram entre os grupos mais vulneráveis.

“Muitas enxergam nas apostas uma possibilidade de resolver rapidamente seus problemas econômicos, e essa é uma das maiores preocupações.”

A economista lembra, porém, que ninguém está completamente imune. “Quando faltam planejamento e limites, qualquer pessoa pode sofrer prejuízos financeiros.”

Educação financeira e apoio psicológico são fundamentais

Para enfrentar o problema, os especialistas defendem uma abordagem que una educação financeira, conscientização e cuidado com a saúde mental.

Laís Lima alerta que as apostas jamais devem ser encaradas como investimento ou estratégia para aumentar a renda.

“As plataformas são estruturadas para que, no longo prazo, a vantagem econômica esteja do lado da empresa que opera as apostas, e não do apostador.”

Ela recomenda que pessoas endividadas ou sem reserva de emergência evitem completamente esse tipo de atividade.

“O caminho mais seguro continua sendo organizar o orçamento, quitar dívidas, construir uma reserva financeira e buscar alternativas reais para aumentar a renda, como qualificação profissional, empreendedorismo ou uma atividade complementar.”

Já Miguel Assis reforça que reconhecer os primeiros sinais de dependência é essencial para evitar que o problema avance.

“Quanto mais cedo a pessoa percebe que o jogo está deixando de ser diversão e passando a controlar sua rotina, maiores são as chances de interromper esse ciclo e recuperar sua qualidade de vida.”

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

tags

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Notícias Pará

    Leia mais notícias de Notícias Pará. Clique aqui!