A prisão de uma mulher suspeita de aplicar o chamado "golpe do amor" contra uma idosa de 63 anos, que perdeu mais de R$ 57 mil após acreditar estar vivendo um relacionamento virtual com um suposto cantor norte-americano, reacendeu o alerta sobre os riscos das fraudes praticadas pela internet.
O caso registrado no final do mês de maio, investigado pelas polícias civis do Pará e de Goiás, é apenas um exemplo de uma modalidade criminosa que utiliza manipulação emocional, falsas promessas e estratégias de convencimento para enganar vítimas e obter vantagens financeiras.
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Para o professor e especialista em segurança digital, José Fonteles, os criminosos costumam explorar sentimentos como confiança, urgência e oportunidade para convencer as vítimas a tomar decisões sem a devida cautela.
"Quando aparece algo muito milagroso, com descontos muito expressivos ou vantagens muito acima do que é praticado no mercado, a pessoa precisa desconfiar. Não significa que promoções agressivas não existam, mas elas devem vir de empresas, sites ou fornecedores que o consumidor já conhece e com os quais já possui alguma relação de confiança", explica.
Segundo ele, uma das principais estratégias dos golpistas é criar um senso artificial de urgência para pressionar a vítima.
"Eles trabalham muito com a escassez. Utilizam mensagens como 'últimas unidades', 'últimas horas da promoção' ou 'oferta por tempo limitado'. O mercado também usa essas estratégias, mas a diferença é que o consumidor precisa verificar se está lidando com uma fonte confiável. Se for uma plataforma nova ou uma primeira compra, é importante pesquisar antes de tomar qualquer decisão", orienta.
Os idosos e pessoas com menos acesso à informação estão entre os mais vulneráveis. De acordo com Fonteles, alguns grupos acabam sendo mais frequentemente visados pelos criminosos virtuais.
"As pessoas de mais idade, que possuem menor familiaridade com a tecnologia, estão entre os principais alvos. Também entram nesse grupo pessoas de classe média mais baixa, que muitas vezes têm menos acesso à informação e acabam recebendo grande parte de seu conteúdo apenas por redes sociais e aplicativos de mensagens", afirma.
O especialista destaca que o problema não se restringe aos idosos. Jovens também podem ser vítimas, especialmente em ambientes digitais relacionados a jogos, redes sociais e compras online.
"Os jovens muitas vezes são impulsionados pela ansiedade da compra ou pela necessidade de aproveitar uma oportunidade rapidamente. Isso faz com que acabem tomando decisões sem verificar adequadamente a procedência da oferta", observa.
Pix facilita ação dos criminosos
Entre os meios de pagamento mais utilizados nas fraudes, o Pix aparece com destaque devido à rapidez das transferências.
"O Pix facilita muito esse tipo de golpe porque o dinheiro é transferido instantaneamente. Muitas vezes o valor é recebido em uma conta de terceiros e rapidamente distribuído para outras contas, dificultando a recuperação", explica.
Apesar disso, Fonteles lembra que os golpes envolvendo cartões de crédito continuam frequentes.
"A clonagem e o roubo de dados de cartões ainda são muito utilizados. Os criminosos conseguem realizar compras ou contratar serviços antes que a vítima perceba e consiga fazer o bloqueio."
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Informação é a principal arma
Para o especialista, a prevenção continua sendo a medida mais eficaz para reduzir os prejuízos causados pelas fraudes digitais.
"A principal mudança passa pelo amadurecimento digital da população. As pessoas precisam buscar conhecimento, entender como esses golpes funcionam e desenvolver hábitos de segurança no ambiente online", afirma.
Ele defende ainda que governos, empresas e veículos de comunicação ampliem as ações educativas voltadas especialmente aos grupos mais vulneráveis.
"Campanhas de conscientização são fundamentais. Precisamos disseminar informação positiva, ensinar como identificar tentativas de golpe e alertar constantemente a população. Quanto mais as pessoas souberem que podem ser vítimas, maior será a chance de elas pararem, refletirem e evitarem tomar decisões precipitadas."
Como se proteger de golpes virtuais
José Fonteles destaca algumas medidas simples que podem reduzir significativamente os riscos:
- Desconfie de promoções com preços muito abaixo do mercado;
- Pesquise a reputação de sites e vendedores antes de comprar;
- Evite tomar decisões pressionado por mensagens de urgência;
- Nunca realize transferências sem verificar a identidade da pessoa ou empresa;
- Desconfie de relacionamentos virtuais que rapidamente evoluem para pedidos de dinheiro;
- Ative mecanismos de segurança em contas e aplicativos;
- Procure informações em fontes confiáveis antes de concluir compras ou investimentos.
"O principal conselho é simples: diante de qualquer situação que pareça boa demais para ser verdade, pare e verifique. Essa pausa pode ser suficiente para evitar um prejuízo financeiro e emocional muito grande", conclui o especialista.
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