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RESTRIÇÃO

Vereadora denuncia fechamento arbitrário da Câmara de Ananindeua

As galerias da Casa, tradicionalmente destinadas aos cidadãos interessados em acompanhar as sessões, permaneceram fechadas durante toda a reunião.

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Imagem ilustrativa da notícia Vereadora denuncia fechamento arbitrário da Câmara de Ananindeua camera Câmara de Ananindeua é fechada, com cidadãos e imprensa impedidos de adentrar no espaço. | Reprodução

Uma sessão marcada por debates legislativos acabou se transformando em alvo de críticas sobre transparência e acesso público na Câmara Municipal de Ananindeua. Nesta terça-feira (9), a presidência da Casa adotou medidas que restringiram a presença da imprensa, de assessores parlamentares e da população durante os trabalhos legislativos.

Sob o comando do presidente da Câmara, vereador Vanderray Lima (PSDB), avisos foram afixados nas portas informando que jornalistas e assessores somente poderiam acessar determinados espaços mediante convocação dos respectivos parlamentares. Além disso, as galerias da Casa, tradicionalmente destinadas aos cidadãos interessados em acompanhar as sessões, permaneceram fechadas durante toda a reunião.

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A decisão gerou reação imediata entre vereadores da oposição e pessoas que tentaram acompanhar os trabalhos legislativos. Uma das críticas mais contundentes partiu da vereadora Monique Antunes (MDB), conhecida como "Monique do Chicão", que denunciou o que classificou como uma tentativa de limitar a atuação parlamentar e afastar a população das discussões realizadas no plenário.

"Hoje, a casa do povo está fechada para o povo. Aqui em Ananindeua, a tentativa é nos silenciar, apresentar um projeto de lei que vem impedir o nosso trabalho. Estamos indignados.", declarou a parlamentar.

A restrição também foi alvo de reclamações de pessoas impedidas de acessar o plenário. Segundo relatos de assessores de parlamentares, a determinação proibiu a entrada do público nas galerias e limitou a circulação da imprensa durante a sessão.

Ainda de acordo com testemunhas, a medida provocou desconforto até mesmo entre vereadores alinhados à base governista. Segundo relatos, o vereador Braga (PSB) teria manifestado discordância em relação à restrição de acesso adotada pela Mesa Diretora.

O episódio ocorre em um momento em que temas relacionados à transparência pública, participação popular e fiscalização dos atos do Poder Legislativo ganham cada vez mais relevância. O fechamento das galerias e as limitações impostas à imprensa levantaram questionamentos sobre o cumprimento dos princípios constitucionais da publicidade e do livre acesso à informação.

Até o momento, a presidência da Câmara Municipal de Ananindeua não apresentou justificativa pública detalhada para as restrições adotadas durante a sessão desta terça-feira.

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Votação de projeto que limita atuação dos vereadores

A polêmica em torno do fechamento das galerias e das restrições impostas à imprensa ocorre em meio à tramitação de um projeto que, segundo vereadores da oposição, pode reduzir a capacidade de fiscalização do Legislativo sobre os atos da Prefeitura de Ananindeua. A proposta deve ser apreciada pelo plenário nos próximos dias e já provoca divergências dentro e fora da Câmara.

Um dos pontos mais controversos do projeto é o dispositivo que prevê punição a vereadores que publiquem ou compartilhem informações consideradas falsas ou que distorçam fatos. Embora o objetivo seja combater a desinformação, críticos apontam que termos como "distorção de fatos" são subjetivos e podem abrir margem para interpretações políticas, especialmente em casos de denúncias, críticas à gestão pública ou manifestações feitas por parlamentares em redes sociais.

Outro trecho que gera preocupação é o que prevê punição para vereadores que realizarem acompanhamento de órgãos e serviços públicos sem autorização do plenário. O dispositivo é visto como uma possível restrição à função fiscalizatória individual dos parlamentares, já que visitas a escolas, unidades de saúde, obras e repartições públicas costumam ocorrer sem necessidade de autorização prévia da Câmara.

O projeto estabelece que os integrantes da Comissão de Ética serão nomeados por ato do presidente da Câmara. Apesar da previsão de representação proporcional dos partidos, a concentração da nomeação nas mãos da Presidência levanta questionamentos sobre a independência do colegiado e sobre a possibilidade de influência política em processos disciplinares envolvendo vereadores.

A proposta também prevê o afastamento imediato de integrantes da Comissão de Ética quando houver representação acompanhada de provas que indiquem a verossimilhança da acusação. No entanto, o texto não detalha quem fará essa avaliação nem quais critérios serão utilizados, o que pode gerar insegurança jurídica e questionamentos sobre a aplicação da medida.

Outro ponto debatido é a previsão de punição para vereadores que deixarem de comunicar ou denunciar atos ilícitos dos quais tenham conhecimento. Embora a intenção seja fortalecer mecanismos de controle e integridade, o texto não esclarece como será comprovado que o parlamentar tinha ciência do fato nem quais elementos caracterizam esse conhecimento, abrindo espaço para diferentes interpretações em eventuais processos disciplinares.

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