Em meio à comoção provocada por um dos casos mais impactantes dos últimos anos no cenário artístico paraense, a manifestação pública de Melissa Apprigio trouxe um novo elemento à discussão: a força da rede de apoio e o efeito coletivo da coragem de denunciar.
Dias após a confirmação da condenação do cantor Bruno Mafra, a jovem utilizou as redes sociais para compartilhar como tem lidado com a repercussão do caso e revelou ter sido surpreendida pelo apoio e mensagens positivas.
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“Eu tenho certeza que Deus deve estar me cegando pra não ver os comentários negativos, porque aqui tá tendo uma enxurrada de coisa linda que eu tô recebendo de mensagens de apoio, até algumas vítimas relatando, dizendo que vão tomar coragem a partir de então”, declarou.
A fala evidencia um fenômeno que tem ganhado espaço em casos de grande repercussão: o encorajamento de outras vítimas a romperem o silêncio a partir de relatos públicos. Segundo Melissa, esse retorno foi além do que ela imaginava, especialmente diante do receio de uma reação negativa.
“Quando a gente fala sobre isso, geralmente a repercussão é muito negativa. […] Depois que eu postei o vídeo, parece que as pessoas estão entendendo mais o que está acontecendo”, afirmou.
Apoio e pedido de desculpas de amigos do cantor
Outro ponto destacado por ela foi a reação de pessoas próximas ao artista. De acordo com o relato, alguns conhecidos e até artistas que mantinham relação com o cantor entraram em contato para pedir desculpas.
“Alguns artistas que eram amigos, próximos dele, me mandaram mensagem pedindo desculpa pela situação, porque não sabiam. […] Eu entendo que é um choque, é lamentável. Eu queria muito que fosse diferente”, disse.
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Apesar do tom firme, Melissa também demonstrou compreensão diante da surpresa causada pelo caso, ressaltando que muitos não tinham conhecimento dos fatos. “Quem realmente não sabia a história e porventura era amigo… fiquem em paz”, completou.
Ao final, a jovem agradeceu pelas mensagens recebidas e reforçou a dificuldade de responder individualmente, diante do volume de apoio.
VEJA O VÍDEO:
Condenação Bruno Mafra
O caso veio à tona em 2019 após as denúncias feitas pelas filhas do cantor, que relataram episódios de abuso ocorridos durante a infância, entre os anos de 2007 e 2011, em Belém. Na época, elas tinham menos de 14 anos.
Os crimes, de acordo com a denúncia do Ministério Público, teriam ocorrido de forma reiterada, em ambientes como a residência do cantor, veículos e outros locais, sempre sob a influência da relação de autoridade paterna.
Após anos de tramitação, a Justiça do Pará condenou Bruno Mafra a mais de 30 anos de reclusão em regime inicialmente fechado pelo crime de estupro de vulnerável. A sentença foi posteriormente confirmada em segunda instância pelo Tribunal de Justiça.
Mesmo com a condenação mantida, o cantor segue em liberdade, já que ainda cabem recursos às instâncias superiores e não houve determinação de prisão preventiva. Atualmente, ele reside fora do país.
A repercussão do caso ultrapassou o campo jurídico, provocando reações no meio artístico, cancelamento de apresentações e um intenso debate nas redes sociais, cenário que agora ganha novos contornos com a manifestação direta de uma das vítimas.
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