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HISTÓRICO

Castanhal realiza primeira captação de órgãos no Pará em 2026

Hospital Regional de Castanhal realiza primeira captação de órgãos, marcando um avanço na saúde pública do Pará e esperança para pacientes em espera.

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Em meio aos avanços da medicina e ao fortalecimento das políticas públicas de saúde, a doação de órgãos continua sendo um dos mais importantes gestos de solidariedade humana. Cada procedimento realizado representa esperança para quem aguarda na fila por um transplante e também reflete a capacidade técnica das unidades hospitalares envolvidas. No Pará, um novo passo foi dado nessa direção com um feito histórico no interior do estado.

O Hospital Regional Público de Castanhal (HRPC), localizado no nordeste paraense, realizou no domingo (18) a primeira captação de órgãos desde sua inauguração. O procedimento marca um momento histórico para a unidade e reforça a expansão da rede pública de transplantes no Pará.

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A captação só foi possível graças à decisão solidária da família de uma mulher de 62 anos, que teve morte encefálica confirmada. Em respeito à vontade manifestada em vida pela paciente, seus seis filhos autorizaram a doação de dois rins e de um fígado, órgãos que poderão salvar ou melhorar a qualidade de vida de pacientes que aguardam por transplante.

A ação mobilizou equipes do próprio HRPC, da Santa Casa do Pará e da Organização de Procura de Órgãos (OPO), vinculada à Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). A paciente havia sido internada no dia 11 de janeiro com quadro de hemorragia cerebral, tendo a morte encefálica confirmada quatro dias depois.

De acordo com o médico intensivista do hospital, Fábio Veloso, o processo ocorreu com total respeito à família e aos protocolos médicos. “Após a confirmação da morte encefálica, os filhos relataram o desejo da mãe em ser doadora. Eles assinaram o termo de consentimento, demonstrando enorme generosidade”, destacou.

Durante todo o período de internação, a paciente recebeu acompanhamento multiprofissional na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A coordenadora da equipe de reabilitação, Monike Aleixo, ressaltou o cuidado adotado em cada etapa. “Todas as condutas foram pautadas pela responsabilidade e pelo respeito, priorizando a segurança e a qualidade assistencial”, afirmou.

Marco para a saúde regional

Para o cirurgião da Santa Casa, Rafael Garcia, o feito demonstra o amadurecimento técnico do hospital de Castanhal. “Esse é um marco para a unidade e para toda a região. O acolhimento à família e a preparação da equipe foram fundamentais para o sucesso da captação”, avaliou.

A diretora-geral do HRPC, Patrícia Hermes, também celebrou o momento. “Mais do que um procedimento técnico, essa captação simboliza respeito à vida e à vontade da paciente. É um reflexo do preparo das nossas equipes e do compromisso com um atendimento ético e humanizado”, afirmou.

Esta foi a primeira captação de órgãos realizada no estado em 2026. Segundo dados da Sespa, o Pará vem ampliando gradativamente esse tipo de procedimento: foram 16 captações em 2025, 12 em 2024 e quatro em 2023, totalizando 33 ações nos últimos anos.

Duas enfermeiras da Organização de Procura de Órgãos acompanharam toda a logística e o transporte, garantindo que o processo ocorresse com segurança e agilidade.

Referência para 38 municípios

Inaugurado em fevereiro de 2021, o Hospital Regional Público de Castanhal atende a população de 38 municípios do nordeste do Pará. A unidade é referência em oncologia e em atendimentos de média e alta complexidade, funcionando com gestão da Associação de Saúde, Esporte, Lazer e Cultura (ASELC), em parceria com a Sespa, e atendimento 100% pelo SUS.

A equipe do HRPC envolvida no procedimento contou com profissionais de diversas áreas, entre eles:

  • Ana Paula Pantoja – coordenadora do bloco cirúrgico
  • Kamillye Araújo – médica anestesista
  • Flávia Silva – instrumentadora
  • Irinea Oliveira – enfermeira
  • Andre Mayllon – auxiliar de farmácia
  • Jeovan Teixeira e Arinalva Cruz – técnicos de enfermagem

O feito consolida o hospital como peça estratégica na política estadual de transplantes e abre caminho para novas captações, ampliando as chances de vida para pacientes de todo o Pará.

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