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AVANÇO NA MEDICINA

Paciente conseguiu sobreviver 271 dias com rim suíno até receber transplante

O resultado é fruto de uma pesquisa liderada pelo médico brasileiro Leonardo Riella e pelo cirurgião Tatsuo Kawai. Confira!

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Imagem ilustrativa da notícia Paciente conseguiu sobreviver 271 dias com rim suíno até receber transplante camera Tim Andrews foi diagnosticado com insuficiência renal em estágio terminal e tinha como principal alternativa o transplante de rim. No entanto, segundo Leonardo Riella, não havia um órgão humano disponível em tempo hábil para atender à necessidade do paciente. | Foto: Divulgação/Massachussets General Hospital

Um paciente com doença renal em estágio terminal sobreviveu por 271 dias com um rim de porco transplantado, até receber um órgão humano. O caso foi registrado no Hospital Geral de Massachusetts, em Boston, nos Estados Unidos, durante um estudo conduzido pelo Centro de Ciências de Transplantes e pela Divisão de Nefrologia da instituição. A pesquisa foi liderada pelo médico brasileiro Leonardo Riella e pelo cirurgião Tatsuo Kawai.

O resultado representa um avanço importante para o xenotransplante, técnica que consiste no transplante de órgãos ou tecidos entre espécies diferentes.

Outro aspecto que chamou a atenção dos pesquisadores foi o fato de o paciente não precisar passar por sessões de diálise durante o período. O procedimento é utilizado para substituir parte da função dos rins quando esses órgãos não conseguem filtrar adequadamente o sangue e eliminar toxinas do organismo.

A ausência da necessidade de diálise indica que o rim suíno conseguiu desempenhar sua função no corpo humano por um período prolongado, sem provocar complicações graves.

De acordo com o estudo, o primeiro procedimento desse tipo foi realizado em 2024. Na ocasião, o paciente sobreviveu por 52 dias com o rim de porco transplantado, mas morreu posteriormente em decorrência de complicações cardíacas não relacionadas ao procedimento. Até então, não havia registros de pacientes que tivessem sobrevivido por mais de dois meses após um xenotransplante.

Especialista em transplante renal e diretor médico da área no Hospital Geral de Massachusetts, Leonardo Riella explica que o procedimento pode funcionar como uma espécie de “ponte” até que o paciente consiga receber um rim humano.

Apesar do sucesso, os especialistas ainda temem risco de infecção zoonótica e algum tipo de sensibilização relacionada à resposta imunológica de pacientes.

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Quadro clínico

Tim Andrews foi diagnosticado com insuficiência renal em estágio terminal e tinha como principal alternativa o transplante de rim. No entanto, segundo Leonardo Riella, não havia um órgão humano disponível em tempo hábil para atender à necessidade do paciente.

“Nossa visão é que o xenotransplante pode ajudar a suprir essa lacuna — inicialmente como uma ponte para que os pacientes deixem a diálise enquanto aguardam um rim de doador humano e, potencialmente, à medida que estabelecermos segurança e durabilidade a longo prazo, como uma terapia definitiva por si só”, afirma.

Andrews tinha 66 anos quando foi submetido ao xenotransplante, realizado em janeiro de 2025.

O xenotransplante foi realizado após uma solicitação de Novo Medicamento Experimental por meio do programa de Acesso Expandido da FDA (Food and Drug Administration), agência norte-americana responsável pela regulamentação e fiscalização de medicamentos.

Desde o início do procedimento, os pesquisadores monitoraram a função do rim e a resposta imunológica do paciente, incluindo a produção de anticorpos. Segundo Riella, o órgão começou a funcionar imediatamente após o transplante. Houve apenas um episódio inicial de rejeição mediada por células T, controlado com tratamento. Também não foi identificada a transmissão de nenhum patógeno suíno para o paciente.

Após seis meses, no entanto, uma infecção provocou redução da resposta imunológica. O paciente também apresentou uma lesão microvascular e um quadro de inflamação que evoluíram para a falência do órgão.

Felizmente, ele conseguiu receber imediatamente um rim humano de um doador falecido, permitindo a continuidade do tratamento.

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