plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 32°
cotação atual R$


home
CRISE HABITACIONAL

Aluguéis em Portugal sobem 65% em cinco anos e pressionam famílias

Famílias e imigrantes que moram em Portugal enfrentam uma crise nos aluguéis com alta dos preços no setor.

twitter Google News
Imagem ilustrativa da notícia Aluguéis em Portugal sobem 65% em cinco anos e pressionam famílias camera Em uma década, o preço dos aluguéis de imóveis em Portugal mais que dobrou. | (Reprodução)

O mercado de aluguel de imóveis em Portugal enfrenta uma forte escalada de preços e tem ampliado as dificuldades para famílias, jovens e imigrantes que buscam moradia. Nos últimos cinco anos, o valor médio dos aluguéis no país passou de € 10,70 para € 17,70 por metro quadrado, uma alta de aproximadamente 65%. No mesmo período, a inflação acumulada ficou em torno de 20%.

Em uma década, o preço dos aluguéis mais que dobrou. A trajetória de alta chegou a perder força durante a pandemia de Covid-19, mas voltou a se intensificar a partir de meados de 2021.

CONTEÚDOS RELACIONADOS:

A procura elevada também tem acelerado a disputa pelos imóveis disponíveis. Segundo dados do Idealista, principal portal imobiliário de Portugal, cerca de 7% das unidades anunciadas para aluguel deixam de estar disponíveis em menos de 24 horas após a publicação.

Ao mesmo tempo em que a procura permanece elevada, a oferta de imóveis para locação diminuiu. No segundo trimestre de 2026, foram anunciadas 22% menos unidades para aluguel em comparação com o mesmo período de 2025, de acordo com o Idealista.

Moradia pesa no orçamento

O cenário é especialmente difícil para quem vive nas maiores cidades portuguesas. O salário mínimo nacional é de € 920, valor equivalente a cerca de R$ 5,5 mil. Em Lisboa, essa renda permite, em geral, buscar apenas apartamentos de um quarto, com área inferior a 60 metros quadrados.

O custo elevado da habitação também afeta a independência dos jovens. Muitos permanecem morando com os pais por mais tempo do que planejavam porque não conseguem arcar com os valores cobrados no mercado imobiliário.

Outro fator que contribui para a pressão sobre os preços é a gentrificação. O processo ocorre quando bairros tradicionalmente ocupados por moradores de menor renda passam por transformações, com a substituição de comércios locais por cafés, galerias, lojas e restaurantes voltados a consumidores com maior poder aquisitivo.

Quer mais notícias do mundo? Acesse nosso canal no WhatsApp

Com a valorização dessas regiões, moradores de baixa renda acabam sendo gradualmente afastados das áreas centrais. O fenômeno é observado em diferentes países europeus, mas ganha contornos particulares em Portugal devido à concentração populacional e aos salários relativamente baixos.

A expansão dos aluguéis de curta duração voltados ao turismo também aumenta a dificuldade para trabalhadores que disputam imóveis nas mesmas regiões.

Imigrantes enfrentam obstáculos adicionais

Os imigrantes estão entre os grupos mais afetados pela crise habitacional. Além dos preços elevados, muitos encontram dificuldades para atender às exigências feitas pelos proprietários, como apresentar fiador, comprovar estabilidade profissional ou demonstrar histórico de pagamentos de aluguel.

Como alternativa, algumas famílias optam por dividir o mesmo apartamento para reduzir os custos. Há também pessoas que recorrem a trailers e outras formas de moradia para diminuir o peso das despesas com habitação.

Governo quer mudar regras

Diante da crise, o governo português pretende alterar algumas regras do mercado de aluguel. As medidas ainda precisam ser discutidas pelo Parlamento.

Entre as propostas está a possibilidade de os proprietários exigirem até três meses de aluguel pagos antecipadamente, contra os dois meses permitidos atualmente. O pacote também prevê o fim do limite para a caução e mudanças que podem facilitar processos de despejo.

A justificativa é tornar o aluguel residencial mais atrativo para os proprietários e, dessa forma, estimular a entrada de mais imóveis no mercado.

As propostas, porém, são alvo de críticas. Para opositores do governo, as mudanças podem aumentar a vulnerabilidade dos inquilinos sem resolver a raiz do problema.

Especialistas também apontam que a escassez de imóveis não está relacionada apenas à decisão dos proprietários de colocar ou não suas unidades no mercado. O setor enfrenta outros obstáculos, como o alto custo de construção, a demora na aprovação de projetos, a carga tributária, além das dificuldades de acesso ao financiamento.

Nesse cenário, as mudanças nas regras de aluguel podem ter efeito limitado caso não sejam acompanhadas por medidas mais amplas para aumentar a oferta de moradias e reduzir os custos de construção.

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

tags

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Mundo Notícias

    Leia mais notícias de Mundo Notícias. Clique aqui!