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PROBLEMA DE ABASTECIMENTO

Trump critica secretário por falta de munições na guerra contra o Irã

Escassez de munições preocupa governo dos Estados Unidos, expõe tensão entre Trump e secretário de Defesa e pode limitar operações militares.

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Imagem ilustrativa da notícia Trump critica secretário por falta de munições na guerra contra o Irã camera Segundo reportagem do The Washington Post, Trump cobrou explicações do Pentágono após preocupação com estoques de munições na guerra contra o Irã. | Molly Riley/Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cobrou explicações do secretário de Defesa, Pete Hegseth, sobre a situação dos estoques de munições das Forças Armadas durante reunião realizada na semana passada em Camp David. Segundo reportagem publicada pelo The Washington Post, a escassez de armamentos de precisão passou a preocupar a Casa Branca e influenciou decisões estratégicas relacionadas à guerra contra o Irã, embora o governo negue que o encontro tenha ocorrido nos termos descritos pelo jornal.

A publicação afirma que Trump acreditava que o problema no abastecimento militar já havia sido resolvido e demonstrou surpresa ao ser informado sobre as limitações dos arsenais americanos. Fontes ouvidas pelo veículo, sob condição de anonimato, disseram que a falta de mísseis de longo alcance e de interceptadores de defesa aérea reduziu as opções de resposta militar dos Estados Unidos.

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De acordo com a reportagem, o baixo nível dos estoques foi um dos principais fatores que levaram Trump a desistir de uma nova ofensiva de grande escala contra alvos iranianos. Na segunda-feira, o presidente afirmou que chegou a autorizar aquele que classificou como "o maior ataque desde a Segunda Guerra Mundial", mas decidiu cancelar a operação enquanto aguardava o avanço das negociações envolvendo o Estreito de Ormuz.

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Apesar de o governo americano já ter firmado novos contratos para ampliar a produção de armamentos estratégicos, como os mísseis Patriot, especialistas apontam que a reposição dos estoques será demorada. A indústria de defesa estima que alguns sistemas só poderão ser entregues até dois anos após a assinatura dos contratos, o que impede uma recuperação imediata da capacidade militar.

CONSUMO ELEVADO DE MUNIÇÕES PRESSIONA CAPACIDADE MILITAR DOS EUA

Desde o início do conflito, as Forças Armadas dos Estados Unidos registraram um consumo elevado de armamentos. Segundo dados publicados pelo The Washington Post, apenas no primeiro mês da guerra foram utilizados mais de 850 mísseis de cruzeiro Tomahawk, além de mais de 1.000 interceptadores dos sistemas Patriot e THAAD.

Um oficial americano ouvido pelo jornal também informou que mais de 1.300 mísseis balísticos de ataque foram empregados durante as operações militares. O elevado consumo reduziu significativamente a disponibilidade de armamentos considerados estratégicos.

REDUÇÃO DOS ESTOQUES AFETA APOIO A ALIADOS E OUTRAS FRENTES DO CONFLITO

A diminuição das reservas militares não preocupa apenas pelas operações contra o Irã. A escassez de interceptadores também pode comprometer a capacidade dos Estados Unidos de prestar apoio a países aliados e responder simultaneamente a outros conflitos internacionais, como a guerra na Ucrânia, que depende desse tipo de sistema para reforçar sua defesa aérea.

Diante da dificuldade de reposição, militares americanos passaram a adotar critérios mais rígidos para autorizar o uso desses equipamentos, avaliando com maior cautela quais ameaças justificam o emprego dos interceptadores disponíveis.

REUNIÃO EM CAMP DAVID EXPÔS DESGASTE ENTRE TRUMP E HEGSETH

Segundo o Washington Post, durante a reunião em Camp David, Pete Hegseth atribuiu parte da responsabilidade pela falta de informações ao vice-secretário de Defesa, Stephen Feinberg, alegando que ele não teria comunicado adequadamente à Casa Branca a gravidade da situação.

O episódio teria ampliado o desgaste entre Trump e seu secretário de Defesa, que, no início da guerra, era um dos principais defensores de uma resposta militar mais agressiva contra o Irã.

CASA BRANCA E PENTÁGONO CONTESTAM REPORTAGEM

A Casa Branca rejeitou integralmente a versão publicada pelo jornal. A secretária de imprensa classificou o relato como "100% falso" e afirmou que a conversa descrita jamais aconteceu. O porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, também negou qualquer desentendimento entre Trump e Hegseth, sustentando que o secretário nunca ocultou informações sobre a situação dos arsenais e chamando de fictícias as alegações sobre conflitos internos.

TRUMP REBATE CRÍTICAS E PROMETE IDENTIFICAR RESPONSÁVEIS POR VAZAMENTOS

Nesta quinta-feira (6), Trump voltou a negar publicamente qualquer problema relacionado à disponibilidade de munições. Em publicação na rede Truth Social, o presidente afirmou que os Estados Unidos possuem "quantidades enormes" de armamentos, especialmente de determinados tipos, e destacou que a indústria de defesa trabalha para ampliar a produção.

O republicano também criticou as reportagens sobre o tema, declarou que o governo está identificando os responsáveis pelos vazamentos de informações e afirmou que pretende defender punições severas para quem classificou como "traidores".

PENTÁGONO PEDE REFORÇO BILIONÁRIO PARA RECOMPOR ARSENAIS

Durante audiência realizada no Senado em julho, Pete Hegseth evitou comentar detalhes das conversas com Trump sobre a guerra, mas reconheceu a necessidade de ampliar os investimentos na área militar.

Ao lado de Stephen Feinberg e do chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, o secretário solicitou ao Congresso um crédito adicional de US$ 67 bilhões para financiar as operações militares e recompor os estoques de armamentos.

O pedido integra uma proposta de orçamento de defesa de US$ 1,5 trilhão para o próximo ano fiscal, considerada recorde. No entanto, o pacote segue sem aprovação devido ao impasse entre republicanos e democratas sobre o volume de gastos públicos.

CRISE SE SOMA AO EPISÓDIO "SIGNALGATE"

A reportagem também lembra que Hegseth enfrenta pressão desde o chamado "Signalgate", episódio em que compartilhou informações confidenciais em um grupo de mensagens que incluía um jornalista.

Apesar das especulações sobre uma possível saída do cargo, Trump manteve manifestações públicas de apoio ao secretário de Defesa. Nos bastidores, porém, fontes ouvidas pelo Washington Post afirmam que o prolongamento da guerra, o elevado consumo de munições e o impasse envolvendo o Estreito de Ormuz contribuíram para desgastar a confiança do presidente em Hegseth.

Mesmo assim, o Pentágono reafirma que o secretário continuará à frente da pasta e seguirá conduzindo os esforços para recuperar a capacidade militar americana. Especialistas avaliam que a recomposição completa dos estoques dependerá tanto da aprovação de novos recursos pelo Congresso quanto da ampliação da capacidade produtiva da indústria de defesa, um processo que poderá levar vários anos.

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