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CRISE MIGRATÓRIA

Ceuta: por que milhares de marroquinos invadiram a Espanha?

Ceuta voltou ao centro das atenções após a entrada de milhares de migratantes no enclave espanhol, reacendendo a disputa territorial entre Espanha e Marrocos.

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Imagem ilustrativa da notícia Ceuta: por que milhares de marroquinos invadiram a Espanha? camera Milhares de marroquinos chegaram a Ceuta, território espanhol localizado no norte da África, em uma das maiores crises migratórias recentes. | Reprodução/Aotearoa/Wikimedia Commons

A chegada de quase 50 mil migrantes marroquinos a Ceuta, território espanhol localizado no norte da África, desencadeou uma nova crise migratória na Europa. Embora tenham desembarcado no continente africano, os migrantes entraram oficialmente em território da Espanha e, consequentemente, da União Europeia, o que coloca a cidade no centro das discussões sobre imigração, fronteiras e soberania.

A movimentação em massa ocorreu após milhares de pessoas atravessarem o mar em direção ao enclave espanhol. A maior parte dos recém-chegados é composta por jovens marroquinos, mas também há famílias inteiras e crianças. O balanço divulgado pelo Ministério do Interior da Espanha aponta que mais de 49 mil pessoas chegaram a Ceuta em apenas 24 horas.

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O QUE É CEUTA E POR QUE PERTENCE À ESPANHA?

Ceuta é um enclave espanhol situado na costa norte da África, separado do território continental da Espanha pelo Mar Mediterrâneo. Apesar da localização geográfica, a cidade integra oficialmente o território espanhol e, por isso, também faz parte da União Europeia.

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Além de Ceuta, a Espanha administra Melilha, outro enclave localizado em território africano. As duas cidades são consideradas remanescentes da expansão marítima europeia iniciada entre os séculos XV e XVI. O domínio espanhol sobre Ceuta remonta a 1668, enquanto Melilha está sob administração espanhola desde 1497. Mesmo após a independência do Marrocos, em 1956, Madri manteve o controle dos dois territórios

Localizada no norte da África, Melilha é um dos dois enclaves espanhóis no continente africano e, ao lado de Ceuta, representa uma das principais portas de entrada para migrantes que buscam chegar à União Europeia.
📷 Localizada no norte da África, Melilha é um dos dois enclaves espanhóis no continente africano e, ao lado de Ceuta, representa uma das principais portas de entrada para migrantes que buscam chegar à União Europeia. |Reprodução/Holly Cheng/Wikipedia Commons

DISPUTA HISTÓRICA ENTRE ESPANHA E MARROCOS

A soberania sobre Ceuta e Melilha continua sendo motivo de divergência diplomática entre Espanha e Marrocos. O governo marroquino reivindica as duas cidades como parte de seu território e considera que elas permanecem sob ocupação herdada do período colonial europeu.

Já a Espanha sustenta que ambas fazem parte do país há séculos e possuem o mesmo status administrativo de qualquer outra cidade espanhola. Até hoje, não existe um acordo definitivo que resolva a disputa entre os dois países.

CIDADE AFRICANA, MAS TERITÓRIO DA UNIÃO EUROPEIA

Embora esteja localizada no continente africano, Ceuta é considerada juridicamente território europeu por integrar a Espanha. Na prática, isso significa que qualquer pessoa que chega à cidade ingressa oficialmente em território da União Europeia. Essa condição transforma o enclave em uma das principais portas de entrada para migrantes que tentam alcançar o continente europeu em busca de melhores condições de vida.

A expectativa de muitos deles é seguir viagem para outros países europeus por meio do Espaço Schengen, acordo que elimina os controles de fronteira entre 29 países participantes.

ENTRADA EM CEUTA NÃO GARANTE LIVRE CIRCULAÇÃO

Apesar de estarem em território da União Europeia, os migrantes que chegam a Ceuta não recebem automaticamente autorização para circular pelo continente.

Antes disso, precisam passar pelos procedimentos migratórios conduzidos pelas autoridades espanholas e pelas regras estabelecidas pela legislação europeia. A permanência e eventual deslocamento para outros países dependem da análise individual de cada caso.

ITÁLIA REAGE À CRISE MIGRATÓRIA

Como consequência da chegada em massa de migrantes a Ceuta, a Itália decidiu suspender temporariamente o regime de livre circulação com a Espanha.

A medida prevê o fechamento das fronteiras aéreas e marítimas entre os dois países para passageiros provenientes da Espanha, além do restabelecimento de inspeções migratórias. Segundo o Ministério do Interior italiano, a decisão está prevista nas normas do Tratado de Schengen para situações que representem ameaça à ordem pública ou à segurança interna.

Como Itália e Espanha não compartilham fronteira terrestre, a restrição afeta exclusivamente passageiros que viajam de avião ou embarcações entre os dois países.

CEUTA SEGUE COMO UMA DAS PRINCIPAIS PORTAS DE ENTRADA PARA A EUROPA

Com cerca de 84 mil habitantes, Ceuta ocupa uma área de apenas 18,5 quilômetros quadrados, menor que o arquipélago de Fernando de Noronha. Entre 40% e 50% da população é formada por muçulmanos de origem marroquina, além de comunidades cristãs, judaicas e hindus.

Ao lado de Melilha, a cidade permanece como um dos principais pontos de acesso ao território europeu para migrantes vindos do norte da África, reunindo questões históricas, geopolíticas e migratórias que seguem sem solução definitiva.

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