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CRISE SANITÁRIA NA ÁFRICA

Ebola avança no Congo em meio a violência e desinformação

Violência armada, desinformação e colapso de serviços básicos dificultam controle do Ebola na República Democrática do Congo

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Imagem ilustrativa da notícia Ebola avança no Congo em meio a violência e desinformação camera Surto atual é da variante Bundibugyo do ebola, para a qual não existem vacina ou tratamentos específicos. | Divulgação/OMS

O surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) chega a uma nova fase de agravamento em meio a um cenário marcado por violência armada, colapso de serviços básicos e disseminação de desinformação. Segundo os números divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta segunda-feira (07), a epidemia já provocou 506 mortes e 1.561 casos confirmados desde que foi declarada em meados de maio deste ano, configurando o 17º surto da doença no país africano.

Contudo, o avanço da doença não se restringe apenas ao território congolês. Em Uganda, já foram registrados 20 casos e duas mortes, todos relacionados ao mesmo foco de contágio. Em ambos os países, os casos estão ligados à origem do surto na RDC, que segue como principal epicentro da crise.

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Declarada oficialmente na província de Ituri, no leste da República Democrática do Congo, a epidemia já se espalha também pelas províncias de Kivu do Norte, Kivu do Sul e Alto Uele, aumentando o alcance da contaminação em uma região historicamente afetada por instabilidade.

Segundo as autoridades, o vírus responsável pelo surto atual é da cepa Bundibugyo, uma das variações do ebola para a qual ainda não existem vacina nem tratamento específico. Contudo, na última semana a OMS iniciou testes clínicos com dois possíveis tratamentos e autorizou o uso de um primeiro teste de diagnóstico molecular voltado à identificação do vírus.

Mas, apesar dos avanços na ciência, especialistas do mundo todo destacam que o cenário epidemiológico tende a se agravar ainda mais pelo contexto de segurança da região. Atualmente, segundo o Centro Global para a Responsabilidade de Proteger, a RDC abriga cerca de 120 grupos armados ativos, o que compromete diretamente ações essenciais de contenção, como rastreamento de contatos, isolamento de casos e monitoramento de comunidades afetadas pela doença. Além disso, também já houve registros de ataques contra unidades de saúde e restrições de deslocamento de equipes médicas em áreas de risco na região.

Ainda segundo os especialistas, a crise humanitária que afeta o país é outro fator que aumenta a vulnerabilidade da população à doença, com comunidades deslocadas, insegurança alimentar, falta de acesso à água potável e infraestrutura de saúde fragilizada. De acordo com as autoridades, esse conjunto de fatores reduz a capacidade de resposta das autoridades sanitárias e dificulta o controle da transmissão.

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Outro obstáculo destacado pelas autoridades é a desinformação, que circula principalmente por conversas informais e aplicativos de mensagens. Em algumas regiões, há relatos de que parte da população sequer acredita na existência do vírus ou na forma como ele se propaga, o que favorece comportamentos de risco, como a permanência de doentes em espaços comunitários e a realização de rituais funerários sem medidas de proteção.

Problema histórico

De acordo com os dados das autoridades, historicamente, o ebola já causou mais de 15 mil mortes na África ao longo dos últimos 50 anos. Atualmente, a epidemia ocorre após o surto mais letal já registrado na RDC, ocorrido entre 2018 e 2020, que resultou em cerca de 2.300 mortes em aproximadamente 3.500 casos.

Contudo, apesar de experiências anteriores de controle, especialistas em saúde do apontam que a combinação entre conflito armado, circulação populacional e fragilidade institucional na região torna o enfrentamento da doença mais complexo e díficil neste novo cenário.

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