Enquanto os esforços diplomáticos para colocar fim ao conflito entre Rússia e Ucrânia seguem enfrentando obstáculos, novas declarações dos líderes dos dois países evidenciam a distância entre as posições de Moscou e Kiev. Em meio a tentativas de retomada das negociações e apelos da comunidade internacional por uma solução pacífica, uma proposta de encontro direto entre os presidentes voltou a colocar o diálogo no centro do debate sobre o futuro da guerra.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta sexta-feira (5) que não vê motivos, neste momento, para realizar uma reunião presencial com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. A declaração ocorre um dia após o líder ucraniano divulgar uma carta aberta propondo um encontro direto entre os dois chefes de Estado para discutir o encerramento da guerra iniciada em fevereiro de 2022.
Na mensagem publicada na quinta-feira (4), Zelensky formalizou o convite para uma reunião presencial e defendeu que um diálogo direto entre os presidentes poderia representar um avanço nas negociações de paz. O ucraniano também criticou a postura adotada pelo governo russo ao longo do conflito.
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Pouco depois da divulgação da carta, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou que Zelensky poderia visitar Moscou “quando quisesse”. Na ocasião, porém, Putin ainda não havia comentado publicamente o conteúdo da mensagem.
Ao analisar a proposta, o presidente russo afirmou que a carta continha trechos ofensivos e sugeriu que o documento não demonstrava uma intenção genuína de diálogo.
“Esta carta contém algumas observações bastante grosseiras. Seria uma forma de criar as condições para um encontro presencial ou uma forma de evitar esse encontro? Creio que foi a segunda opção”, declarou Putin.
Em seguida, reforçou sua posição: “Não vejo motivos para isso agora”.
A iniciativa de Zelensky também foi recebida com desconfiança por setores nacionalistas da Rússia. Aliados do Kremlin classificaram a carta como uma ação de relações públicas destinada a aumentar a pressão política sobre o governo russo, e não como uma tentativa concreta de encerrar a guerra.
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Rússia diz estar aberta a negociações
A publicação da carta ocorreu poucas horas após Putin afirmar que a Rússia está disposta a buscar uma solução diplomática para o conflito. Segundo o presidente russo, qualquer acordo deverá se basear em compromissos discutidos recentemente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante um encontro realizado em Anchorage, no Alasca.
Apesar de defender uma saída negociada, Putin reiterou que as forças russas continuam avançando em áreas de combate na Ucrânia.
O que propõe a carta de Zelensky
Na carta aberta, Zelensky sugeriu que o encontro entre os líderes ocorra em países tradicionalmente envolvidos em mediações internacionais, como a Suíça, a Turquia ou nações do mundo árabe.
O presidente ucraniano descartou a realização da reunião em Moscou ou Kiev e defendeu a participação dos Estados Unidos e de países europeus como garantidores de um eventual acordo de paz.
A proposta apresentada por Zelensky inclui um cessar-fogo total durante as negociações, a troca completa de prisioneiros de guerra e medidas para garantir o retorno de civis e crianças retirados de regiões afetadas pelo conflito.
O líder ucraniano também contestou a narrativa do Kremlin sobre o andamento da guerra, afirmando que Moscou não alcançou diversos objetivos militares anunciados desde o início da invasão.
Em outro trecho da carta, Zelensky destaca os impactos humanos e econômicos do conflito, citando a morte de soldados e a alta de preços em território russo.
“A escolha agora é sua. Chega de guerra. A Ucrânia propõe pôr fim a esta guerra. Isso deve ser feito com honestidade, dignidade e com garantias de que a guerra não será reacendida”, escreveu o presidente ucraniano.
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