Em meio ao acirramento das tensões entre políticos ligados ao bolsonarismo e veículos de imprensa, uma nova declaração incendiou o debate sobre liberdade jornalística e segurança nos Estados Unidos. O jornalista e ativista Paulo Figueiredo, aliado de Eduardo Bolsonaro, afirmou que poderá recorrer ao uso da força contra profissionais da imprensa que apareçam em sua residência, localizada no estado da Flórida.
A manifestação ocorreu poucos dias depois de Intercept Brasil ter enviado um repórter à casa de Eduardo, em Arlington, no Texas. O episódio terminou com acionamento da polícia e trocas públicas de acusações envolvendo intimidação, ameaças e exposição de jornalistas.
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DECLARAÇÃO CITA "CASTLE DOCTRINE"
Por meio das redes sociais, Paulo Figueiredo afirmou que qualquer jornalista que entre em sua propriedade sem autorização será tratado com base na chamada "Castle Doctrine", legislação aplicada na Flórida que permite ao proprietário usar força contra invasores caso se sinta ameaçado.
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Na publicação, o aliado de Eduardo Bolsonaro escreveu que veículos ou pessoas que entrarem em sua residência sem convite serão considerados invasores. Em tom provocativo, ainda utilizou a expressão em inglês "go ahead, make my day", frase popularizada no cinema e frequentemente associada a ameaças de confronto. Questionado posteriormente sobre a possibilidade de uso de força letal, Figueiredo reforçou a provocação e disse para "tentarem a sorte".
VISITA DE REPÓRTER GEROU REAÇÃO DA FAMÍLIA BOLSONARO
A controvérsia começou na sexta-feira (22), quando um jornalista investigativo foi até a residência de Eduardo Bolsonaro no Texas. Segundo Heloísa Bolsonaro, esposa do ex-deputado, o profissional tocou a campainha e teria sido atendido inicialmente pela filha do casal, de apenas cinco anos.
De acordo com o relato publicado por Heloísa nas redes sociais, o jornalista se identificou e tentou confirmar se a família morava no endereço. Ela afirmou que se recusou a responder e encerrou a conversa fechando a porta.
Mais tarde, Eduardo Bolsonaro publicou um vídeo no Instagram relatando que o repórter teria procurado vizinhos para fazer perguntas sobre a rotina da família. O parlamentar licenciado afirmou ainda ter acionado a polícia local e enviado imagens do jornalista às autoridades.
CASO ENVOLVE REPORTAGEM SOBRE REPASSES MILIONÁRIOS
O profissional citado por Eduardo Bolsonaro trabalhava para o Intercept Brasil, portal responsável por revelar supostos repasses milionários envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e negociações ligadas à produção de um filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo as informações divulgadas, cerca de R$ 61 milhões teriam sido destinados a um fundo administrado por um advogado ligado a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. As movimentações levantaram suspeitas sobre eventual utilização dos recursos pelo ex-deputado, que vive no país desde 2025.
EDUARDO CITA ARMAS NO TEXAS
Ao comentar o episódio, Eduardo Bolsonaro afirmou ter registrado boletim de ocorrência e declarou que se sentiu ameaçado pela presença do jornalista em sua residência.
Durante o vídeo publicado nas redes sociais, ele mencionou o costume de moradores do Texas manterem armas em casa e classificou a situação como grave. "Aqui no Texas muitas pessoas têm armas em casa e normalmente as pessoas que você recebe são pessoas conhecidas. Não estou ameaçando ninguém, apenas dizendo que é uma situação grave", afirmou.
INTERCEPT BRASIL ACOMPANHA SITUAÇÃO
Procurado sobre o caso, o Intercept Brasil declarou que acompanha os desdobramentos envolvendo o jornalista contratado para a cobertura nos Estados Unidos.
Em nota, o portal afirmou que o profissional atua dentro de padrões éticos e jornalísticos e criticou o que classificou como ameaças, mentiras e exposição pública relacionadas ao exercício da profissão. A empresa informou ainda que avalia medidas relacionadas à segurança do repórter diante da repercussão do episódio.
VEJA A ÍNTEGRA DA NOTA DO INTERCEPT:
"Estamos acompanhando a situação envolvendo um jornalista local experiente contratado pelo Intercept Brasil para esta cobertura, incluindo ameaças, mentiras e exposição pública relacionadas ao exercício da atividade jornalística que cumpre todos os padrões éticos e profissionais. No momento, seguimos acompanhando o caso e avaliando os desdobramentos relacionados à segurança do profissional envolvido".
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