A escalada das tensões no Oriente Médio voltou a provocar fortes abalos nos mercados internacionais nesta segunda-feira (2). Investidores ao redor do mundo reagiram com cautela aos desdobramentos do conflito envolvendo o Irã, após ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel, elevando o temor de interrupções significativas no fornecimento global de petróleo.
Logo nas primeiras negociações na Ásia, o barril do Brent, referência internacional, chegou a superar brevemente os 80 dólares. O petróleo do Mar do Norte registrava alta de 5,15%, cotado a 76,62 dólares, após ter aberto com salto de 13%, atingindo 82 dólares. Na última sexta-feira (27), o fechamento havia sido de 72,87 dólares.
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Já o barril do West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, avançava 4,82%, negociado a 70,24 dólares.
O movimento amplia a valorização acumulada do Brent nas últimas semanas. Desde o início do ano, quando era negociado na faixa dos 61 dólares, o contrato já vinha incorporando um prêmio de risco geopolítico, superando os 72 dólares antes mesmo da intensificação recente do conflito.
A instabilidade ganhou novos contornos após ataques a dois navios nas proximidades dos Emirados Árabes Unidos e de Omã. A Organização Marítima Internacional (OMI) recomendou que empresas de navegação evitem a região, enquanto seguradoras elevaram drasticamente os custos de cobertura. Grandes companhias marítimas confirmaram a suspensão temporária de rotas na área.
O principal ponto de preocupação é o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo. Embora a passagem não esteja totalmente bloqueada — dados da consultoria Kpler indicam que alguns navios chineses e iranianos ainda cruzaram a via — o tráfego tornou-se significativamente mais complexo.
Em teoria, os países importadores dispõem de estoques estratégicos. Membros da OCDE, por exemplo, devem manter reservas equivalentes a 90 dias de importação de petróleo bruto. Ainda assim, analistas não descartam que a cotação do barril ultrapasse os 100 dólares, caso o conflito se prolongue ou se intensifique.
Em resposta ao cenário de guerra, Arábia Saudita, Rússia e outros seis integrantes da Opep+ anunciaram aumento conjunto de 206 mil barris por dia na produção para abril, volume acima do inicialmente previsto.
A aversão ao risco também atingiu as bolsas asiáticas. A Bolsa de Tóquio abriu em queda de cerca de 2%. O índice Nikkei recuava 1,80%, para 57.786 pontos, após perdas superiores a 2% na abertura. O índice Topix caía 2,01%, enquanto a bolsa de Sydney registrava retração de 0,45%.
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Analistas da Monex destacaram que o agravamento dos riscos geopolíticos pode provocar um período de vendas intensas no mercado japonês. Kathleen Brooks, da corretora XTB, afirmou que os desdobramentos envolvendo Irã, Estados Unidos e o Oriente Médio devem dominar o comportamento dos mercados financeiros ao longo do dia.
Em meio à turbulência, investidores buscaram ativos considerados mais seguros. O ouro avançava cerca de 2% nas primeiras negociações asiáticas, alcançando 5.384,52 dólares por onça, reforçando seu papel tradicional de refúgio em momentos de incerteza global.
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