Um velho conhecido das autoridades de saúde voltou a acender o sinal de alerta na Ásia. Com histórico de alta letalidade e sem vacina ou cura disponíveis, o vírus Nipah reaparece no noticiário internacional após novos casos registrados na Índia, levantando temores sobre a possibilidade de disseminação regional e até global.
O novo surto ocorre no estado de Bengala Ocidental, onde cerca de 110 pessoas foram colocadas em quarentena depois que dois profissionais de saúde contraíram o vírus no início de janeiro. Ambos tiveram contato com casos confirmados da doença e, apesar de inicialmente testarem negativo, acabaram sendo diagnosticados posteriormente, o que reforçou a preocupação das autoridades sanitárias.
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O Nipah é um patógeno zoonótico, capaz de ser transmitido de animais para humanos — especialmente por morcegos frugívoros e porcos — e também entre pessoas. A infecção pode provocar quadros graves, como insuficiência respiratória aguda e encefalite, uma inflamação no cérebro potencialmente fatal. A taxa de letalidade varia entre 40% e 75%, segundo dados internacionais.
O avanço do surto na Índia colocou países vizinhos em estado de vigilância. O Nepal, por exemplo, intensificou a triagem de passageiros no aeroporto internacional de Katmandu e em pontos de fronteira com a Índia, na tentativa de conter uma possível propagação do vírus.
A Tailândia também reforçou os protocolos de segurança. O Ministério da Saúde do país anunciou, na segunda-feira (26), medidas de triagem e controle sanitário em três aeroportos internacionais — Don Mueang, Suvarnabhumi e Phuket — todos com voos provenientes de Bengala Ocidental. No aeroporto de Phuket, que recebe cinco voos diretos semanais da região afetada, houve intensificação da limpeza de áreas comuns e reforço da atuação dos postos de controle de doenças transmissíveis.
No terminal de Suvarnabhumi, 332 passageiros vindos da Índia passaram por triagem. Até o momento, nenhum caso suspeito foi identificado, e a Tailândia não registra infecções por Nipah.
Considerado uma ameaça global em potencial, o vírus Nipah integra a lista de doenças prioritárias da Organização Mundial da Saúde (OMS), ao lado de patógenos como Ebola, Zika e a covid-19. A inclusão se deve à capacidade de causar surtos graves, à ausência de tratamento específico e ao risco de rápida disseminação.
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Como o vírus se espalha
De acordo com a OMS, o Nipah pode ser transmitido por contato direto com animais infectados, consumo de alimentos contaminados — como frutas ou produtos derivados, a exemplo do suco de tâmara cru — e pelo contato próximo com pessoas infectadas. Em surtos anteriores, a contaminação esteve associada à urina ou saliva de morcegos presentes nos alimentos.
Quais são os sintomas
A infecção pode ser assintomática ou evoluir rapidamente para quadros graves. Os primeiros sinais costumam incluir febre, dor de cabeça, dores musculares, vômitos e dor de garganta. Em casos mais severos, surgem tontura, sonolência, confusão mental, problemas respiratórios, convulsões e encefalite, que pode levar ao coma em até 48 horas. O período de incubação geralmente varia de quatro a 14 dias, mas já houve registros de até 45 dias.
Existe vacina?
Atualmente, não há vacina nem tratamento específico contra o vírus Nipah. O cuidado médico se limita ao controle dos sintomas e a medidas de suporte, como internação e isolamento dos pacientes.
Histórico de surtos
O primeiro surto de Nipah foi registrado em 1999, na Malásia, onde mais de 100 pessoas morreram e cerca de um milhão de porcos foram abatidos para conter a doença. Desde então, casos foram identificados em países como Singapura, Bangladesh e Índia. Bangladesh é o mais afetado nas últimas décadas, com mais de 100 mortes desde 2001. Na Índia, o estado de Kerala já enfrentou surtos em 2013, 2018 e 2023, controlados com testagem em massa e isolamento rigoroso.
Segundo a OMS, outros países da Ásia e da África também são considerados áreas de risco, já que o vírus foi detectado em morcegos em locais como Camboja, Indonésia, Filipinas, Madagascar, Gana e Tailândia.
O reaparecimento do Nipah reforça a preocupação das autoridades globais com doenças emergentes e reacende o debate sobre vigilância sanitária, cooperação internacional e preparo para futuras epidemias.
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