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CLIMA DE MEDO E INSEGURANÇA

Ataque dos EUA deixa Caracas com ruas vazias e filas no comércio

Venezuelana relata sensação de paralisia, filas em supermercados, casas destruídas e tensão permanente após a operação dos EUA que capturou Nícolas Maduro.

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Imagem ilustrativa da notícia Ataque dos EUA deixa Caracas com ruas vazias e filas no comércio camera Ruas de Caracas com pouco movimento e filas em supermercados e farmácias refletem o clima de medo e incerteza vivido pela população após o ataque dos EUA e a prisão de Nicolás Maduro. | Reprodução/Redes sociais

Há momentos em que a história deixa de ser um conceito distante e passa a bater à porta das casas, quebrando vidros, arrancando janelas e impondo silêncio às ruas. Em Caracas, a rotina foi interrompida de forma abrupta após o ataque dos Estados Unidos que resultou na prisão do presidente Nicolás Maduro. O que se vê agora é uma cidade em compasso de espera, tomada pelo medo, pela ansiedade e por uma sensação coletiva de paralisia.

Três dias depois da operação, moradores da capital venezuelana descrevem um cenário fora da normalidade. "Não estamos em uma situação normal para nada", resume uma venezuelana que vive em Caracas e prefere não se identificar por temer represálias. Segundo ela, o movimento nas ruas diminuiu drasticamente, com universidades adiando atividades e trabalhadores evitando sair de casa. "Percebi que há pouco tráfego. Quase todo mundo está resguardado", relata em entrevista ao portal UOL.

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Enquanto avenidas permanecem vazias, supermercados e farmácias se tornaram pontos de concentração. O receio de novos bombardeios e de desabastecimento levou muitos moradores a correrem para estocar itens básicos. "Os poucos mercados que estão abertos estão cheios", diz a venezuelana. "Eu mesma comprei os remédios que minha mãe precisa e comida para meu cachorro para não ter que sair de casa", completa. Nas farmácias, segundo ela, "as filas são longas e constantes".

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CASAS DESTRUÍDAS PELO ATAQUE DOS EUA

Casa de venezuelana é destruída durante operação dos EUA que resultou na prisão de Nicolás Maduro.
📷 Casa de venezuelana é destruída durante operação dos EUA que resultou na prisão de Nicolás Maduro. |Reprodução/Arquivo pessoal

O medo ganhou contornos ainda mais concretos para quem vive próximo às áreas atingidas pelas explosões. A casa da mãe da entrevistada, uma idosa de 78 anos, foi completamente destruída. "Foi um susto enorme para eles", afirma. Vídeos gravados pela família mostram o imóvel reduzido a escombros, com móveis quebrados, estilhaços de vidro espalhados e marcas visíveis nas paredes. "Não se pode viver na casa da minha mãe. Entrou poeira, terra, cimento, os vidros quebraram. Só restaram escombros", descreve.

Segundo o relato, a idosa dormia no momento do ataque. "Ela pensou que fosse um terremoto. Só repetia isso. Depois soubemos que eram bombas, não um terremoto", conta a filha. Árvores próximas ficaram queimadas, e o impacto foi tão forte que causou danos estruturais em toda a casa. Ainda assim, ela destaca que a mãe escapou por pouco de ferimentos graves. "As cortinas caíram sobre a cama antes que os vidros se estilhaçassem. A televisão se quebrou, e os vidros caíram todos por cima dela".

Além dos danos materiais, bairros inteiros enfrentam problemas de infraestrutura. "Muitas casas estão sem luz. A melhor amiga da minha mãe está sem energia até agora", relata. A comunicação também se tornou um desafio. "Em algumas regiões não há sinal de celular. Só conseguimos ligar usando aplicativos", afirma.

CLIMA DE TENSÃO E MEDO

Apesar da prisão de Maduro, o sentimento nas ruas está longe de ser de comemoração aberta. O medo de represálias fala mais alto. "Pela primeira vez, vivemos algo que não é uma história. É real", diz a venezuelana. Ela admite que há uma mistura de emoções. "As pessoas estão nervosas e ansiosas, mas ao mesmo tempo felizes", afirma. "Eu também estou feliz com a possibilidade de mudança, mas tenho medo. Medo de chegarem aqui em casa e me levarem".

Segundo ela, o silêncio é uma forma de proteção. "Gostaria de estar celebrando, mas não podemos. O grupo de Maduro é muito grande", explica. Mesmo críticos do antigo governo evitam manifestações públicas, cientes de que estruturas de poder ainda permanecem ativas no país.

A presença da Polícia Nacional reforça esse clima de tensão. "Temos uma sensação de pânico com essa polícia", diz. Ela relata que agentes encapuzados se tornaram mais comuns nos últimos meses e que abordagens são frequentes. "Meu filho já foi parado dez vezes em um trajeto de uma hora e meia", conta. "Vivo assustada porque não sei quando isso vai acabar".

ECONOMIA MELHOROU NOS ÚLTIMOS ANOS

Do ponto de vista econômico, a entrevistada reconhece que a situação melhorou em relação aos anos mais duros da crise. "Entre 2016 e 2020 foi muito pior", afirma. "Nos últimos anos houve uma expansão do comércio local que ajudou a manter empregos, algumas portas se abriram". Ainda assim, setores estratégicos seguem em decadência. "O setor petroleiro está em declínio. Muitos engenheiros abandonaram a área porque os salários são míseros".

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