Eva Schloss, sobrevivente do Holocausto e meia-irmã póstuma de Anne Frank, morreu aos 96 anos de idade. Segundo informou a Fundação Anne Frank UK, ela faleceu no último sábado (03).
Em comunicado, a família de Eva expressou “grande tristeza” pela perda dessa “mulher extraordinária, sobrevivente do campo de Auschwitz, educadora devotada sobre o Holocausto, incansável em seu trabalho pela memória, pela compreensão e pela paz”.
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A casa real britânica também manifestou pesar nas redes sociais. O rei Charles III, que dançou com Eva em um evento em Londres em 2022, e a esposa dele, Camila, madrinha da fundação, disseram estar “profundamente entristecidos”. “Tivemos o privilégio e o orgulho de tê-la conhecido e a admiramos profundamente”, acrescentaram.
Nascida 1929, na Áustria, Eva Geiringer, nome de solteira dela, era criança quando os nazistas invadiram o país. A família fugiu primeiro para a Bélgica e depois para Amsterdã, onde morava em frente à casa de Anne Frank. As duas meninas tinham a mesma idade e costumavam brincar juntas.
Em 1942, as famílias delas tiveram de se esconder para evitar a deportação. Dois anos depois, traídas por um simpatizante nazista, Eva e a mãe, Elfriede, foram enviadas ao campo de extermínio de Auschwitz no dia em que ela completou 15 anos. O pai e o irmão de Eva morreram no cativeiro, enquanto ela conseguiu manter contato com a mãe. Anne Frank morreu em 1945 no campo de concentração de Bergen-Belsen.
Após a libertação em 1945, Eva se estabeleceu em Londres, estudou e se casou com Zvi Schloss, com quem teve três filhas. A mãe dela se casou em 1953 com Otto Frank, pai de Anne, que havia retornado viúvo de Auschwitz. Eva obteve a nacionalidade britânica e, em 2021, recuperou a austríaca.
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Em 1990, Eva fundou a Anne Frank UK com o objetivo de transmitir a memória do Holocausto às novas gerações e combater preconceitos. Ela escreveu vários livros e viajou o mundo dando palestras, muitas vezes várias por dia, inclusive em escolas e prisões.
Desde 2013, Eva era membro da Ordem do Império Britânico. “O legado de Eva continua vivo nas vidas que tocou e na história que, com tanta coragem, manteve viva”, afirmou Gillian Walnes, vice-presidente da fundação.
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