Fazer cursos, atualizar o currículo e buscar qualificação são atitudes importantes para quem está procurando emprego. Mas, para algumas pessoas, mesmo depois de acumular vários certificados, a vaga continua sem aparecer.
Isso acontece porque quantidade nem sempre significa qualificação. Mais importante do que reunir diversos cursos é saber escolher formações que tenham relação com o objetivo profissional e conseguir demonstrar como aquele conhecimento pode ser aplicado na prática.
Segundo a psicóloga Ana Luiza Melo, que atua há 13 anos na área de Recursos Humanos e tem experiência em recrutamento e seleção, certificado e conhecimento adquirido durante a formação são importantes, mas cumprem papéis diferentes.
“As duas coisas andam juntas. O conhecimento que você adquire durante aquele curso vai poder aplicar no dia a dia e mostrar o seu serviço, seu trabalho, aplicando aquele conhecimento. Mas também é importante ter um certificado, comprovar.”
Curso precisa conversar com o objetivo profissional
Um dos primeiros pontos que o candidato deve observar é se os cursos escolhidos realmente têm relação com a vaga que pretende ocupar.
Fazer várias formações sem conexão entre si pode deixar o currículo extenso, mas não necessariamente ajuda o recrutador a entender qual é o perfil profissional daquele candidato.
A qualificação também não substitui completamente a experiência prática. Para quem ainda não trabalhou na área, atividades acadêmicas, projetos, trabalhos voluntários e freelas podem ajudar a demonstrar habilidades.
O que fazer quando ainda não tem experiência?
A falta de experiência costuma ser uma das principais dificuldades para quem está tentando entrar no mercado de trabalho. Nesse caso, a postura durante a seleção pode fazer diferença.
Para Ana Luiza, o candidato precisa demonstrar que realmente tem interesse pela oportunidade e pela empresa.
“Um candidato sem experiência precisa demonstrar interesse. Mesmo que ele não tenha experiência, precisa mostrar que vai ser uma pessoa dedicada àquela vaga e que quer crescer.”
Segundo a especialista, fazer perguntas durante a entrevista também pode demonstrar envolvimento com a oportunidade.
“Quando o candidato começa a perguntar e demonstrar interesse pela proposta de emprego, pelas funções daquela vaga e pela empresa, ele mostra que tem vontade de crescer e de ingressar naquela empresa.”
Pesquisar a empresa antes da entrevista
Outro erro é chegar à entrevista sem saber praticamente nada sobre a empresa ou sobre a função oferecida.
Antes da conversa com o recrutador, o candidato pode pesquisar o segmento da empresa, os produtos ou serviços oferecidos e as principais informações sobre a vaga.
Ana Luiza destaca que esse preparo demonstra interesse e evita que o candidato chegue completamente despreparado.
“Você precisa saber minimamente o que aquela empresa faz. Não adianta dizer que tem força de vontade e interesse em ingressar na empresa se você não sabe nem o que ela faz.”
O currículo pode estar mostrando a coisa errada
Outro ponto que merece atenção é o próprio currículo. Colocar todos os cursos realizados, independentemente da relação com a vaga, pode acabar deixando o documento extenso e pouco objetivo.
O ideal é destacar as formações, experiências e habilidades que tenham relação com a oportunidade. Mais do que mostrar que fez muitos cursos, o candidato precisa deixar claro o que sabe fazer e como pode contribuir para aquela função.
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Certificado ou conhecimento: qual pesa mais?
Para a especialista, não é necessário escolher entre um e outro. O certificado comprova a formação, enquanto o conhecimento permite que o profissional coloque o aprendizado em prática.
“Não existe o certificado mais importante que o conhecimento ou vice-versa. Os dois andam de mãos dadas.”
Ela também ressalta que a experiência profissional continua tendo grande valor, inclusive para pessoas que não possuem uma formação específica na área.
Qualificação precisa ter estratégia
Fazer cursos continua sendo importante, mas a escolha precisa ter um objetivo. Em vez de simplesmente acumular certificados, o candidato pode pensar: qual vaga quero ocupar, quais conhecimentos são exigidos e o que ainda preciso aprender?
A partir disso, os cursos passam a fazer parte de uma estratégia profissional, e não apenas de uma lista no currículo.
No fim, talvez o problema não seja a falta de qualificação. Pode estar na forma como os cursos são escolhidos, apresentados e, principalmente, transformados em conhecimento que o candidato consegue demonstrar durante um processo seletivo.
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