Os trabalhadores dos Correios entraram em greve por tempo indeterminado em todo o país nesta sexta-feira (11). A paralisação foi anunciada na noite de quinta-feira (10), após as negociações da campanha salarial terminarem sem acordo entre a empresa e os representantes da categoria.
A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) e a Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect) informaram que a greve foi aprovada em assembleias realizadas em praticamente todo o país. No Acre, uma assembleia ainda estava prevista para esta sexta.
Para quem está esperando uma compra, porém, a greve não significa que todas as encomendas deixarão de ser entregues ou necessariamente chegarão atrasadas. Até a manhã desta sexta, os Correios não haviam divulgado um balanço nacional sobre a adesão dos funcionários nem informado uma suspensão geral dos serviços.
Minha encomenda vai atrasar?
Não é possível afirmar que uma determinada encomenda vai atrasar apenas por causa da greve. O impacto depende de fatores como a adesão dos trabalhadores, a região de origem e destino, o estágio em que o objeto está e o serviço contratado.
Os trabalhadores participam de diferentes etapas da operação dos Correios, incluindo postagem, triagem, transporte, distribuição e entrega. A redução do efetivo em qualquer uma dessas fases pode diminuir o fluxo de encomendas.
Quem já tem um objeto em trânsito deve acompanhar o código de rastreamento para verificar as movimentações e identificar em qual etapa do transporte a encomenda está.
Em compras internacionais, também é importante conferir qual empresa fará a entrega no Brasil. Nem todos os produtos adquiridos em sites estrangeiros são entregues pelos Correios. A Receita Federal recomenda consultar o código de rastreamento para identificar a transportadora responsável.
PAC e Sedex serão afetados?
A greve não significa necessariamente a suspensão dos serviços PAC e Sedex. Em paralisações anteriores, os dois serviços continuaram disponíveis, enquanto os Correios adotaram medidas para tentar reduzir os impactos, como mutirões, reforço de funcionários e utilização de veículos extras.
Em 2018, por exemplo, PAC e Sedex continuaram sendo postados, mas serviços com horário determinado, como Sedex Hoje, Sedex 10 e Sedex 12, tiveram postagens suspensas em algumas localidades.
Mesmo assim, PAC e Sedex podem sofrer atrasos durante uma greve. O Sedex possui tratamento prioritário em relação ao PAC, mas os dois dependem das estruturas de triagem, transporte e distribuição dos Correios.
O que acontece se a encomenda atrasar?
Os Correios consideram atrasado o objeto cuja entrega, primeira tentativa de entrega ou disponibilização para retirada ocorre depois do prazo estabelecido para o serviço contratado.
A estatal prevê indenização em casos de atraso decorrente de falha dos Correios. Os valores e critérios variam conforme o serviço e o período de atraso. PAC e Sedex, por exemplo, possuem regras específicas, enquanto modalidades com horário determinado seguem condições próprias.
A indenização, entretanto, não é necessariamente paga diretamente ao consumidor que fez uma compra pela internet. As regras dos Correios estão relacionadas ao serviço postal contratado, que normalmente é pago pelo remetente.
Para o consumidor, a relação de compra continua sendo com a loja responsável pela venda e pelo prazo informado no momento da aquisição. No caso de uma encomenda internacional que não seja entregue dentro do período previsto, a orientação da Receita Federal é procurar o site em que a compra foi realizada.
Quanto tempo a greve pode durar?
Ainda não é possível prever quando a atual paralisação terminará. Como foi aprovada por tempo indeterminado, a greve não tem uma data previamente definida para acabar.
O histórico mostra que as paralisações dos Correios podem durar períodos bastante diferentes. Em 2025, trabalhadores começaram a cruzar os braços em 16 de dezembro, e o Tribunal Superior do Trabalho (TST) julgou o dissídio coletivo em 30 de dezembro, determinando o retorno ao trabalho. As atividades operacionais foram restabelecidas em 31 de dezembro.
A greve de 2020 durou 35 dias, entre 17 de agosto e 21 de setembro, e foi a mais longa da história dos Correios. Já a paralisação de 2019 durou aproximadamente uma semana, entre 11 e 18 de setembro.
Em 2018, uma greve iniciada em 12 de março também teve curta duração na maior parte do país. Após uma decisão do TST sobre o plano de saúde, trabalhadores de diversos estados aprovaram o encerramento do movimento e o retorno às atividades.
Por que os trabalhadores entraram em greve?
A greve foi aprovada depois que as negociações da campanha salarial terminaram sem acordo. Segundo a Findect, todas as 35 assembleias realizadas até a noite de quinta-feira aprovaram a paralisação.
Um dos principais pontos de conflito envolve o plano de saúde dos funcionários. A federação afirma que os Correios pretendem alterar a condição da empresa como mantenedora do benefício, o que gera preocupação entre os trabalhadores em relação ao custeio e à assistência oferecida a empregados, aposentados e familiares.
Antes da paralisação, foram realizadas rodadas de negociação e tentativas de mediação no TST. Sem um acordo entre as partes, os sindicatos aprovaram a greve por tempo indeterminado.
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