Vítimas que procuraram a médium Maira Rocha, investigada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) por golpe, afirmam que aguardavam semanas, e, em alguns casos, mais de dois meses para receber supostas cartas psicografadas de familiares mortos.
Segundo os relatos, antes da entrega das mensagens, os clientes precisavam fornecer informações pessoais. Para as vítimas, o intervalo entre o cadastro e o recebimento dos textos levanta a suspeita de que os dados eram utilizados para pesquisar a vida dos familiares antes da elaboração das cartas.
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De acordo com informações obtidas pelo Metrópoles, o menor intervalo identificado foi de 21 dias. Em um dos casos, os dados foram entregues em 1º de julho de 2023, e a mensagem foi recebida no dia 22 daquele mês.
Carta chegou após 68 dias em um dos casos
O período de espera foi ainda mais longo para outras pessoas. O maior intervalo mencionado chegou a 68 dias.
Nesse caso, a inscrição na Casa de Caridade Inácio Daniel ocorreu em 22 de novembro de 2021. A suposta mensagem espiritual foi entregue somente em 29 de janeiro do ano seguinte.
Os relatos também apontam que algumas inscrições eram feitas com mais de dois meses de antecedência. Em uma sessão realizada em agosto de 2024, um grupo de vítimas afirmou que havia aguardado 63 dias pela suposta psicografia.
Para essas pessoas, o período seria compatível com uma possível coleta prévia de informações sobre os mortos e seus familiares.
Vítimas dizem ter encontrado informações das redes sociais
As suspeitas ganharam força depois que familiares começaram a comparar o conteúdo das cartas com publicações disponíveis na internet.
Segundo os relatos, algumas mensagens apresentavam informações que poderiam ser encontradas em Instagram, Facebook, notícias, processos judiciais, boletins de ocorrência e outras fontes públicas.
Uma denúncia apresentada por vítimas afirma que as cartas já chegavam prontas e continham detalhes que, na avaliação do grupo, poderiam ter sido obtidos por meio de pesquisas anteriores.
Carta para filho teria repetido publicação do Facebook
Um dos casos envolve um homem identificado como Paulo*, de 52 anos, que recebeu uma mensagem atribuída à mãe falecida.
Inicialmente, ele ficou emocionado com o conteúdo. Depois, porém, passou a comparar os trechos da carta com publicações antigas feitas pela mãe e encontrou semelhanças.
Um dos exemplos envolve uma lembrança relacionada ao ensino da oração Salve Rainha. Segundo o relato, a mensagem atribuída à falecida reproduzia uma lembrança que já havia sido publicada anteriormente em seu perfil no Facebook.
A família também identificou outros problemas no texto. Entre eles estava a menção a uma suposta neta que, segundo os parentes, nunca existiu.
Outro detalhe chamou atenção: um apelido utilizado em uma rede social por uma integrante da família apareceu na carta, embora os parentes afirmem que a falecida nunca utilizava aquela forma de tratamento.
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Pesquisas teriam ido além das redes sociais
Os relatos apresentados pelas vítimas indicam que a suposta coleta de informações não teria se limitado às redes sociais.
Em outro caso, uma família identificou na carta referências que poderiam ter sido obtidas em comunidades do Facebook, incluindo informações relacionadas a atividades pessoais.
Também foram encontradas semelhanças entre trechos da mensagem e publicações feitas anteriormente por familiares. Uma delas tratava da formatura de um dos filhos; outra mencionava uma comparação física entre mãe e filho.
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