A deputada federal Duda Salabert (PSOL-MG) sofreu uma tentativa de homicídio na madrugada desta sexta-feira (4) durante uma fiscalização de extração ilegal de minério na divisa entre Belo Horizonte e Nova Lima.
Ela conta que foi, junto ao engenheiro ambiental Felipe Gomes, espancada por ao menos três homens no local. Os dois chegaram ao ponto de extração após Felipe receber uma denúncia por volta das 23h.
Leia também:
- Pedreiro que defendeu próprio caso ganha bolsa integral para cursar Direito
- Relatório que afasta indícios de crime em conversas de Nikolas e Vorcaro é falso, diz PF
Ele identificou uma retroescavadeira retirando minério em área de propriedade da União, às margens da rodovia MGC-356, atrás do BH Shopping. O objetivo era registrar imagens e acionar a polícia, como a parlamentar já fez em outras ocasiões.
Ao caminhar cerca de 100 metros pela área, dois homens teriam surgido atrás deles. Duda caiu ao tentar correr. Em seguida, um dos agressores ordenou ao outro: "Pega o cano aí, pega o ferro aí".
Ela conta que entregou o celular, mas ouviu a resposta: "Não, nós vamos resolver lá dentro". Os dois foram cercados e receberam socos e chutes. Um terceiro indivíduo se aproximou com uma mão escondida dentro da blusa.
Naquele momento, a deputada afirmou ter "plena convicção de que iria morrer".
Uma pergunta feita pelos agressores reforça a hipótese de crime direcionado: enquanto recebia golpes, Duda alega que ouviu "Por que você insiste em fazer isso?".
Essa frase levou a parlamentar a acreditar que o ataque não foi um roubo comum, mas um ato de intimidação voltado a ela. Felipe conseguiu escapar. Duda, com a perna machucada da queda inicial, pulou um barranco para a pista da MGC-356 e gritou por socorro.
Um carro branco parou a cerca de 30 metros e acionou o pisca-alerta.
"Tenho total certeza de que foi esse carro que salvou a nossa vida. Quando ele parou, os três foram embora", relatou a deputada.
Polícia investiga o local
A Polícia Militar chegou dez minutos depois. No local, os agentes encontraram:
- Mochila com rádios comunicadores;
- Galão de óleo diesel;
- Garrafas de água;
- Material semelhante a maconha;
- Um carro modelo EcoSport.
Felipe Gomes, que carregava dois celulares, acessou uma rede Wi-Fi, rastreou o aparelho levado e voltou ao local para recuperar os dois telefones.
Duda foi encaminhada ao Hospital Mater Dei, em Nova Lima, com suspeita de fratura. Os exames, contudo, confirmaram luxação no ombro direito. O braço ficou imobilizado. Felipe também sofreu escoriações.
Segundo Gomes, o ponto é recorrente para extração ilegal e já foi alvo da Operação Rejeito.
"Cada caminhão leva de R$ 20 mil a R$ 25 mil em minério. Pagam R$ 2 mil ao motorista por viagem. Esse minério vai para guseiros em Sete Lagoas, onde é transformado e esquentado", explicou.
A parlamentar vai prestar depoimento à Polícia Civil nesta tarde. O caso também deve ser investigado pela Polícia Federal. Nenhum suspeito foi preso até o momento.
O local onde ocorreu o ataque pertence à União, não tem concessão a nenhuma mineradora e, portanto, qualquer extração ali é ilegal. A deputada denuncia irregularidades no setor há anos.
Quer receber mais notícias do Brasil e do mundo? Acesse o canal do DOL no WhatsApp!
O PSOL Minas Gerais divulgou nota de solidariedade e exigiu investigação rigorosa.
"Sabemos que, em Minas Gerais, a atuação das mineradoras é baseada na intimidação e violência, sobretudo quando a extração é ilegal", afirmou Iza Lourença, presidente estadual do partido.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar