Uma dificuldade enfrentada durante o período em que esteve preso acabou dando origem a um negócio inusitado e bem-sucedido em Belo Horizonte. Fundada há mais de oito anos pelo empresário Péricles Ribeiro, a "Loja do Preso" é especializada na venda de alimentos, itens de higiene pessoal, roupas, eletrônicos e outros produtos permitidos pelas unidades prisionais de Minas Gerais, sempre respeitando as regras específicas de cada estabelecimento.
A ideia do empreendimento surgiu após o próprio Péricles vivenciar os desafios enfrentados por familiares de pessoas presas. Em 2016, o empresário ficou atrás das grades por 83 dias e, ao deixar o sistema prisional, encontrou dificuldades para retornar ao mercado de trabalho por causa do preconceito por ser um ex-detento. Foi então que ele decidiu transformar a experiência em uma oportunidade de negócio voltada para atender uma necessidade até então pouco explorada.
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Além da experiência vivida pela família de Péricles durante o período em que ele esteve preso, o próprio empreendedor enfrentou essa realidade quando um sobrinho passou pelo sistema prisional. "Quando minha esposa foi me visitar, muitas coisas que ela levou não entraram. Depois, meu sobrinho foi preso e eu senti a mesma dificuldade. As exigências mudam de uma unidade para outra, não é fácil", contou em uma entrevista ao O Globo.
Para atender esse público, o empresário abriu a loja nas proximidades de um fórum e de uma unidade da Defensoria Pública, em Belo Horizonte. O principal serviço oferecido é a montagem de kits personalizados, preparados de acordo com os pedidos das famílias e as exigências de cada unidade prisional. Como não há quantidade mínima de produtos, os valores variam conforme os itens escolhidos.
Outro diferencial do empreendimento é o suporte oferecido aos familiares para interpretar as cartas enviadas pelos detentos, que costumam utilizar apelidos para identificar determinados produtos. Rádio-relógio, por exemplo, é chamado de "papagaio"; cortador de unha recebe o apelido de "quebra-gelo"; lâmina de barbear é conhecida como "trator"; e cueca é chamada de "coruja".
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Além dos kits com os itens que são permitidos a entrada dentro das cadeias, Péricles também confecciona e vende uniformes prisionais para unidades que autorizam a entrada das peças.
Para divulgar o negócio, o empresário aposta nas redes sociais, onde publica vídeos bem-humorados para apresentar os serviços e esclarecer dúvidas do público. Atualmente, o perfil oficial da "Loja do Preso" no Instagram reúne cerca de 118 mil seguidores e ajuda a aumentar a visibilidade do empreendimento.
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