A estabilidade do sistema financeiro depende, em grande parte, da confiança nas informações apresentadas pelas instituições bancárias. Quando há suspeitas de manipulação de dados contábeis e ocultação da real situação patrimonial de um banco, os órgãos de fiscalização intensificam o monitoramento e podem desencadear investigações de grande alcance.
Foi nesse contexto que a Polícia Federal deflagrou, na manhã da última terça-feira (23), a Operação Miragem, voltada à apuração de um suposto esquema de fraudes financeiras e manipulação de balanços no Banco Digimais, instituição controlada pelo bispo Edir Macedo. Ao todo, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em São Paulo, além do bloqueio de até R$ 670 milhões em bens dos investigados.
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BANCO CENTRAL IDENTIFICOU INDÍCIOS DE IRREGULARIDADES
As investigações tiveram início a partir de relatórios elaborados pelo Banco Central, que apontaram possíveis inconsistências nas demonstrações financeiras do Banco Digimais.
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Segundo a Polícia Federal, dirigentes da instituição teriam recorrido a fundos de investimento e a operações contábeis para alterar artificialmente a situação financeira do banco. A estratégia, de acordo com os investigadores, teria como objetivo transmitir uma falsa imagem de solidez patrimonial, dificultando a atuação dos órgãos responsáveis pela fiscalização do sistema financeiro.
OPERAÇÕES ELEVARIAM ATIVOS DE R$ 71 MILHÕES PARA R$ 741 MILHÕES
As apurações indicam que o esquema envolvia a aquisição de direitos creditórios avaliados inicialmente em aproximadamente R$ 71 milhões. Após sucessivas reavaliações contábeis, esses mesmos ativos passariam a constar nos balanços por mais de R$ 741 milhões. Na sequência, o Banco Digimais venderia esses créditos para sua própria controladora, estabelecendo pagamento apenas para o ano de 2032.
Para a Polícia Federal, essa engenharia financeira permitia registrar um elevado crédito a receber sem que houvesse ingresso efetivo de recursos no caixa da instituição.
INVESTIGAÇÃO APONTA SEMELHANÇAS COM OPERAÇÕES DO BANCO MASTER
Outro ponto destacado pelos investigadores é a relação entre o modelo adotado pelo Digimais e práticas atribuídas ao Banco Master. De acordo com a PF, o banco investigado assumiria elevados níveis de risco enquanto transmitia ao mercado a percepção de que suas operações estavam protegidas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Ainda conforme a investigação, o Digimais mantém uma exposição aproximada de R$ 600 milhões em carteiras de crédito relacionadas ao Banco Master.
BENS DE EDIR MACEDO TAMBÉM PODEM SER BLOQUEADOS
Os mandados de busca e apreensão foram direcionados a executivos da instituição financeira e gestores de fundos de investimento. Entre os investigados estão João Luiz Urbaneja, Thiago Rodrigues Urbaneja, Marcelo de Lima Brasil, João Alves de Campos e Rodrigo Ruggero.
Embora Edir Macedo não tenha sido alvo de buscas por residir no exterior, a decisão judicial autoriza o bloqueio de seus bens, além da quebra de seu sigilo bancário no âmbito da investigação.
MATERIAIS APREENDIDOS SERÃO ANALISADOS
A Polícia Federal e o Ministério Público Federal darão sequência às investigações com a análise dos documentos, equipamentos e demais materiais recolhidos durante o cumprimento dos mandados.
Os investigados poderão responder pelos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, inserção de informações falsas em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito proibidas pelo Sistema Financeiro Nacional.
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