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TESTEMUNHA DECISIVA

Caso Henry Borel: babá se tornou peça-chave para condenação de Jairinho

Mensagens, relatos e um vídeo que mostrou o menino mancando ajudaram a sustentar a acusação de tortura contra o ex-vereador.

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Imagem ilustrativa da notícia Caso Henry Borel: babá se tornou peça-chave para condenação de Jairinho camera Tainá de Oliveira, babá de Henry Borel, tornou-se testemunha decisiva no julgamento. | Reprodução

Mais de quatro anos após a morte de Henry Borel, um dos personagens centrais da investigação voltou a ganhar destaque durante o julgamento que levou à condenação de Jairo de Souza Santos Junior. A babá Tainá de Oliveira Ferreira teve papel fundamental na construção da acusação ao fornecer informações que ajudaram promotores a reconstruir os últimos meses de vida da criança.

Ao longo de 11 dias de julgamento, os jurados ouviram depoimentos, mensagens e relatos apresentados por Tainá, considerada uma das principais testemunhas do caso. Parte das informações fornecidas por ela serviu de base para a acusação de tortura atribuída ao padrasto de Henry.

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MENSAGENS DESPERTARAM SUSPEITAS

Segundo reportagem levada ao ar pelo Fantástico, no último domingo (7), um dos episódios analisados ocorreu em 2 de fevereiro de 2021. Na ocasião, Tainá trocou mensagens com o namorado após perceber que Jairinho havia permanecido sozinho com Henry em um quarto.

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Demonstrando preocupação, ela escreveu que acreditava que o então vereador não chegaria a bater na criança, mas cogitou que pudesse praticar ameaças psicológicas. As conversas foram apresentadas no tribunal como indícios de que já existia inquietação em relação à convivência entre o menino e o padrasto.

Veja a troca de mensagens entre a babá e o namorado:

  • Tainá escreve: "Acredito que ele não deve bater no menino, né? Não é possível que ele seja tão louco."
  • O namorado responde: "Bater não".
  • Tainá responde: "Mas ele deve fazer ameaças psicológicas".

Durante o julgamento, os advogados de defesa questionaram por que a babá não entrou em contato com Monique Medeiros naquele momento. Ela respondeu que estava emocionalmente abalada e que não pensou em fazer a ligação. "Eu ficava tão nervosa quanto a criança", declarou.

VÍDEO DE HENRY MARCANDO GANHOU DESTAQUE

Henry Borel morreu em 8 de março de 2021, aos 4 anos, no Rio de Janeiro. Embora a mãe e o padrasto, Jairinho, tenham alegado um acidente doméstico, a perícia concluiu que a criança foi vítima de agressões que provocaram hemorragia interna.
📷 Henry Borel morreu em 8 de março de 2021, aos 4 anos, no Rio de Janeiro. Embora a mãe e o padrasto, Jairinho, tenham alegado um acidente doméstico, a perícia concluiu que a criança foi vítima de agressões que provocaram hemorragia interna. |Reprodução/Redes sociais

Outro momento considerado crucial pela acusação ocorreu em 12 de fevereiro de 2021. Segundo o Ministério Público, Henry voltou a ficar sozinho com Jairinho dentro de um quarto. Após o encontro, imagens registraram o menino saindo do cômodo mancando. O vídeo se transformou em uma das principais evidências do caso e teve grande repercussão durante as investigações.

Na mesma data, Tainá enviou mensagens para Monique relatando o ocorrido. Em uma chamada de vídeo, o próprio Henry contou à mãe que havia levado uma "banda", expressão popular usada para descrever uma rasteira. Para os promotores, as mensagens demonstravam que a mãe da criança havia sido alertada sobre possíveis agressões.

DEFESA APONTOU CONTRADIÇÕES

Jairo de Souza Santos Junior, o Jairinho, e seus advogados durante o julgamento.
📷 Jairo de Souza Santos Junior, o Jairinho, e seus advogados durante o julgamento. |Reprodução;/TV Globo

A atuação da babá também foi alvo de questionamentos da defesa. Em seu depoimento, Tainá afirmou que costumava repassar à mãe tudo o que ouvia de Henry, mas reconheceu que nunca presenciou agressões físicas diretamente. "A situação era estranha. Eu nunca vi nenhum ato acontecendo", disse.

Os advogados de Jairinho sustentaram que parte das suspeitas relatadas pela testemunha era baseada em informações fornecidas pelo próprio menino e não em fatos observados por ela.

CONDENAÇÃO NÃO ENCERRA DISPUTA JUDICIAL

Ao final do julgamento, Jairinho foi condenado a 43 anos e 9 meses de prisão pelos crimes de tortura e homicídio. Ele permanece detido em Bangu enquanto cumpre pena. Já Monique Medeiros recebeu perdão judicial concedido pela juíza Elizabeth Machado Louro e responde ao processo em liberdade.

A decisão, entretanto, está longe de encerrar o caso. O Ministério Público recorreu da sentença, alegando irregularidades relacionadas à formulação de uma das perguntas apresentadas aos jurados. A defesa de Jairinho, por sua vez, também pretende buscar a anulação do julgamento.

PAI DE HENRY CRITICA RESULTADO

Pai da criança, Leniel Borel afirmou que a Justiça não foi plenamente feita. Ele criticou especialmente o perdão judicial concedido a Monique e defendeu que a responsabilidade da mãe deveria ter sido reconhecida pelos jurados.

Com recursos anunciados tanto pela acusação quanto pela defesa, o desfecho jurídico do caso Henry Borel ainda deve render novos capítulos nos tribunais.

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