O julgamento de um dos casos criminais de maior repercussão do país teve um momento decisivo nesta terça-feira (2), quando Monique Medeiros apresentou sua versão dos fatos aos jurados responsáveis por analisar a morte do filho, Henry Borel, de 4 anos.
Durante o interrogatório realizado no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, Monique afirmou acreditar que o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, foi o autor do crime. A declaração foi feita em resposta a um questionamento da magistrada responsável pelo julgamento e marca uma mudança em relação a posicionamentos anteriores adotados por ela ao longo do processo.
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Até então, Monique evitava atribuir diretamente a responsabilidade pela morte do filho. Desta vez, porém, afirmou diante dos jurados que sua convicção atual aponta para Jairinho. O ex-vereador nega as acusações e sua defesa segue contestando os elementos apresentados pela acusação.
Ao longo de cerca de seis horas de depoimento, Monique buscou sustentar duas teses centrais: a de que viveu um relacionamento marcado por comportamentos abusivos e a de que não tinha conhecimento das agressões que, segundo a investigação, teriam sido praticadas contra Henry.
Ela relatou que sofria monitoramento constante por parte do então companheiro, que acompanhava seus deslocamentos, controlava aspectos de sua rotina e demonstrava ciúmes frequentes. Segundo seu relato, havia restrições relacionadas a amizades, atividades diárias e até à forma como se vestia.
Monique também afirmou ter sido vítima de agressão física durante o relacionamento e descreveu um episódio em que teria acordado sendo enforcada após uma discussão motivada por ciúmes.
Outro trecho do depoimento que chamou a atenção dos jurados envolveu a madrugada da morte de Henry. A ré afirmou que recebeu medicamentos fornecidos por Jairinho antes de dormir e que suspeita ter adormecido rapidamente em razão dessas substâncias. Horas depois, segundo seu relato, foi acordada pelo então companheiro com a informação de que a criança estava caída no quarto.
A mãe de Henry disse ainda que, naquele momento, acreditou estar diante de um acidente doméstico, pois não teria percebido sinais aparentes de violência no corpo do filho durante o atendimento hospitalar.
Ao falar sobre os meses que antecederam a morte da criança, Monique afirmou que começou a interpretar de forma diferente alguns episódios após a divulgação das investigações e dos relatos apresentados no processo. Segundo ela, informações que inicialmente pareciam situações isoladas passaram a ganhar outro significado à medida que surgiam novos elementos sobre o caso.
O julgamento chegou ao sétimo dia após a oitiva de testemunhas, peritos e especialistas. Com a fase de interrogatórios próxima do encerramento, Ministério Público e defesas deverão apresentar suas alegações finais antes da deliberação dos jurados.
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Ao final dos debates, caberá ao conselho de sentença decidir se Monique Medeiros e Jairinho serão condenados ou absolvidos pelas acusações relacionadas à morte de Henry Borel, ocorrida em março de 2021.
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