Casos envolvendo figuras públicas e organizações criminosas chamam atenção não apenas pelo impacto das investigações, mas também por evidenciarem como estruturas ilícitas podem se infiltrar em diferentes setores da sociedade. Operações policiais desse tipo costumam mirar não só o tráfico de drogas em si, mas também os mecanismos financeiros que sustentam essas atividades ilegais, responsáveis por movimentar grandes quantias de dinheiro.
A Miss Universo Uberlândia 2025, Sara Monteiro, de 36 anos, foi presa pela Polícia Federal nesta quarta-feira (15), durante a Operação Luxury, que desarticulou uma organização criminosa interestadual ligada ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro. A ação também resultou no bloqueio de aproximadamente R$ 61 milhões em bens.
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Considerada uma das principais investigadas, Sara fazia parte do núcleo financeiro do grupo. De acordo com as apurações, ela mantinha ligação direta com um dos líderes da organização, atuando na ocultação da origem de recursos ilícitos. As investigações indicam ainda que a suspeita levava uma vida de alto padrão, com viagens internacionais, compras em lojas de luxo e uso de veículos de alto valor.
Segundo o delegado da Polícia Federal Dalton Marinho, chefe da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), o foco da operação foi atingir justamente o setor responsável pela lavagem de dinheiro. Ele destacou que os investigados mantinham um padrão econômico elevado, sustentado por atividades ilegais.
A prisão ocorreu em São Paulo, onde Sara residia recentemente. Antes disso, ela morava em um condomínio de alto padrão na zona sul de Uberlândia, que também foi alvo de mandados de busca e apreensão. Após a detenção, ela foi encaminhada à Superintendência da Polícia Federal.
A operação teve como epicentro a cidade de Uberlândia, com o cumprimento de sete mandados de busca e apreensão voltados ao núcleo financeiro da organização. As investigações priorizaram justamente os responsáveis por lavar o dinheiro do tráfico, considerados peças-chave para a manutenção da estrutura criminosa.
Os investigados ligados a esse setor ostentavam um estilo de vida elevado, com imóveis em condomínios de luxo e veículos de alto valor, o que reforçou os indícios de movimentações financeiras ilícitas.
Deflagrada simultaneamente em Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul, a Operação Luxury contou com ações em cidades como Uberlândia, Uberaba, São Paulo, Campo Grande, Dourados, Ribas do Rio Pardo e Vista Alegre. Ao todo, 160 policiais cumpriram 27 mandados de prisão, sendo 22 preventivas e cinco temporárias, além de 39 mandados de busca e apreensão.
As investigações começaram em abril de 2025, após a apreensão de 1,1 tonelada de maconha em Frutal. A partir desse episódio, foi identificada uma estrutura criminosa mais ampla. Desde então, as ações já resultaram na apreensão de 5,9 toneladas de entorpecentes.
De acordo com a Polícia Federal, o grupo utilizava rotas alternativas, principalmente estradas rurais, para transportar drogas do Mato Grosso do Sul para a região Sudeste, evitando fiscalização. O esquema incluía veículos batedores e comunicação via satélite, estratégia conhecida como “rota caipira”, que prolongava as viagens para despistar as autoridades.
Durante a operação, houve tentativas de resistência por parte de alguns investigados, exigindo, em certos casos, o arrombamento de imóveis. Ainda assim, não foram registrados confrontos violentos.
As forças de segurança atuaram em cerca de 13 pontos distintos, com seis prisões realizadas inicialmente. No balanço geral, a operação já soma 24 presos, incluindo o cumprimento de dois mandados dentro de unidades prisionais, nos presídios de Assis (SP) e Prata (MG).
Ao todo, a Justiça expediu mandados de prisão preventiva, temporária e de busca e apreensão. Três ordens de prisão ainda não foram cumpridas, e os suspeitos seguem foragidos. Mesmo assim, a operação é considerada um sucesso, com mais de 90% das determinações judiciais executadas.
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O delegado também ressaltou que a maioria dos investigados possui antecedentes criminais, o que aumenta a complexidade das ações. A atuação integrada entre diferentes forças de segurança foi apontada como fundamental para o êxito da operação.
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