plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 28°
cotação atual R$


home
CASO PM GISELE

Coronel preso diz 'falar com Deus' e mantém versão de suicídio

Depoimento de oficial, morte da soldado Gisele Alves e laudos periciais com indícios de homicídio marcam investigação na Polícia Civil.

twitter Google News
Imagem ilustrativa da notícia Coronel preso diz 'falar com Deus' e mantém versão de suicídio camera Tenente-coronel preso por feminicídio mantém versão de suicídio enquanto laudos periciais apontam indícios de violência na morte da PM Gisele. | Reprodução/TJSP

Em meio a um cenário onde fé, relações conjugais e versões conflitantes se entrelaçam, o caso que envolve a morte de uma policial militar no coração da maior cidade do país ganha contornos ainda mais complexos à medida que novos depoimentos vêm à tona. Entre declarações religiosas, reconstruções de rotina e evidências técnicas, a narrativa apresentada pelo principal investigado segue sendo confrontada por elementos reunidos ao longo das investigações.

No segundo depoimento prestado à Polícia Civil, após ser detido sob acusação de feminicídio, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, afirmou ser um homem religioso e declarou que conversa diariamente com Deus. Ele é acusado pela morte da esposa, a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos.

CONTEÚDO RELACIONADO

Gisele morreu no dia 18 de fevereiro, às 12h04, após ter sido atingida por um disparo na cabeça por volta das 7h30, dentro do apartamento onde vivia com o oficial, localizado na região central de São Paulo. Desde então, o tenente-coronel mantém a versão de que a esposa teria tirado a própria vida, supostamente abalada pela decisão dele de encerrar o casamento.

Quer mais notícias nacionais? Acesse o canal do DOL no WhatsApp.

No entanto, mensagens analisadas em laudo pericial indicam uma dinâmica diferente: segundo o material, era Gisele quem insistia em colocar fim ao relacionamento, descrito no inquérito como marcado por episódios de violência psicológica e física.

ORAÇÕES DIÁRIAS

Durante o depoimento no 8º Distrito Policial, no Brás, o oficial relatou que, no dia do ocorrido, realizou suas orações habituais. Disse que pediu orientação divina para tomar a decisão correta diante de um momento que considerava decisivo. Segundo ele, o hábito de se ajoelhar para rezar vem desde a infância, prática ensinada por sua mãe, podendo durar entre 20 e 30 minutos, dependendo da ocasião.

Ainda conforme seu relato, ele também teria pedido que Deus iluminasse os pensamentos e palavras de Gisele, para que ambos pudessem definir o futuro do casamento. Após a oração, afirmou que foi até o quarto onde a esposa estava.

De acordo com o oficial, Gisele foi encontrada deitada na cama, vestindo apenas uma toalha e utilizando o celular. Nesse momento, ele teria comunicado que tomaria uma decisão racional e encerraria o relacionamento. A reação, segundo ele, foi imediata.

"Ela levantou repentinamente, veio na minha direção e me empurrou com as duas mãos no peito, me fazendo sair do quarto", afirmou. Em seguida, relatou que a porta foi fechada com força.

BANHO E FORTE BARULHO NA SALA

Após o episódio, o tenente-coronel disse que decidiu tomar banho. Enquanto estava no chuveiro, afirmou ter refletido por alguns minutos sobre a decisão que havia comunicado à esposa. Segundo ele, o momento foi interrompido por um barulho forte, que interpretou como uma porta sendo batida.

Ao sair do banheiro, declarou ter encontrado Gisele caída, com a cabeça ensanguentada. "Quando ouvi aquele barulho, jamais imaginei que fosse um tiro”, disse. Essa versão tem sido sustentada por ele e por sua defesa desde o início do caso.

PERÍCIAS CONTESTAM VERSÃO DO MARIDO

Entretanto, os laudos da Polícia Científica apresentam uma conclusão distinta. De acordo com os peritos, há indícios de que Gisele foi imobilizada antes de ser baleada. Marcas de dedos e unhas no pescoço e na mandíbula da vítima, além de manchas de sangue em estruturas do apartamento, reforçam a hipótese de homicídio.

Inicialmente registrado como suicídio, o caso passou a ser tratado como morte suspeita poucas horas depois, diante das inconsistências entre o relato do oficial, os vestígios encontrados no local e depoimentos de testemunhas, incluindo policiais militares e socorristas.

Após cerca de um mês de apuração, Geraldo Leite Rosa Neto foi preso no dia 18, acusado de feminicídio e fraude processual, com mandados expedidos pela Justiça Comum e Militar. Ele permanece detido por tempo indeterminado no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital paulista.

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

tags

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Notícias Brasil

    Leia mais notícias de Notícias Brasil. Clique aqui!